Fariseus contemporâneos

Hoje, ao abrir meu reader, leio um post do Allan sobre a matéria em que uma tevê italiana culpa a atriz falecida, Franca Rame, por ter sido estuprada anos atrás. E as minhas entranhas se revoltam ao pensar como o ser humano é capaz de responsabilizar a vítima pela violência sofrida e  julga outrem, ignorando  as suas próprias mazelas.

Noite passada ouvi uns estampidos que me pareceram ser alguns tiros. E olhe que moro em um bairro bem tranquilo. Tantas notícias ruins hoje em dia. Tanta violência no mundo. O homem é o seu próprio inimigo. Já não assisto mais a jornais, seleciono o que quero ler online. Já basta a violência diária que nos chega pela boca do povo.

Esta semana, deixei de encontrar amiga querida por conta da distância e do horário do evento, pois, com o carro avariado, não seria seguro voltar tarde da noite, sozinha, de transporte público. E, atravessar a cidade, de táxi,  seria uma fortuna. Ainda assim, seria arriscado sofrer uma violência e ainda ser responsabilizada por estar, tarde da noite,  sozinha na rua. Revoltante.

E vivemos assim, fazendo concessões e exceções. “O mundo jaz no maligno!” – minha mãe parafraseia a citação bíblica.  Lembrei-me, então, de que não tenho ido à igreja há meses. Hoje fui. E o Bispo leu esta passagem:

E aconteceu que, estando sentado à mesa em casa deste (Levi, o publicano), também estavam sentados à mesa com Jesus e seus discípulos muitos publicanos e pecadores; porque eram muitos, e o tinham seguido.
E os escribas e fariseus, vendo-o comer com os publicanos e pecadores, disseram aos seus discípulos: Por que come e bebe ele com os publicanos e pecadores?
E Jesus, tendo ouvido isto, disse-lhes: Os sãos não necessitam de médico, mas, sim, os que estão doentes; eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores ao arrependimento. (Marcos 2:15-17)

Se nem o próprio Mestre  julgou quem quer que fosse; antes, porém, confraternizou com todos;  por que certos homens e mulheres (infelizmente é verdade) intitulam-se juízes a apontar o dedo acusador, baseados em sua própria “santidade”?

Pensava, com meus botões, que talvez eu não fosse digna de estar ali, no santuário, para receber a comunhão do pão e do vinho. Quando ouvi a leitura da referida passagem, fiquei imaginando se tais hipócritas contemporâneos, julgadores da vida alheia,  não seriam os  escribas e fariseus da atualidade.

Como aqueles publicanos, participei da comunhão…

Imagem:  ser… ser…

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