"quando olhares o céu de noite, (porque habitarei uma delas e estarei rindo), então será como se todas as estrelas te rissem!" Saint-Exupéry
Oi, querido
Noite passada sonhei com você, meu anjo (e é tão raro sonhar…), e me dei conta de que quase nunca falo sobre esta dor. Há anos que guardo o meu luto silencioso no coração. E, embora digam que o tempo cura tudo, percebo, anos após sua viagem, que continuo exatamente da mesma forma. Não voltei a ser quem eu era. Apenas não falo mais sobre o assunto. Vivo uma vida de “verdade”, sem me apegar a coisas fúteis e materiais.
As pessoas exigem que volte a ser como antes, mas isso é impossível. Quando o coração se parte, após algum tempo, as cicatrizes continuam lá, e passamos a ver e viver a vida de outra forma. Basta o som de uma música, uma roupa especial, uma situação qualquer que evoquem lembranças suas, e a tristeza teima em tomar conta de meu ser. Os que não conhecem tal dor, ficam sem saber como lidar comigo. É doloroso para quem nos ama, nos ver assim; por isto, tenho tantas lágrimas contidas e nunca choradas, para não constranger quem está próximo de mim.
Como ser como antes, se uma parte de mim morreu junto com você? O luto faz parte do processo de restauração da alma, e esquecer seria um não-viver. A minha vida vai continuar, precisa continuar, eu sei, mas jamais será a mesma. A força e a coerência em tudo, que mostro aqui no blog, é a mesma no dia a dia. Penso que tenho de ser sempre verdadeira e ser feliz quando for possível, pois me é impossível esquecê-lo.
A saudade que sinto, a falta que você me faz, a juventude que não viveu, são coisas que machucam, mas , inexplicavelmente, uma força extraordinária não permite que o meu luto se torne em autocomiseração. Esta dor seca, silenciosa, sem lágrimas, reforça a lembrança, que por sua vez aguça a saudade que me faz estar com você para sempre perto de mim. Você vive em minha memória, e esquecer seria um sofrimento maior do que a própria morte, pois significaria não tê-lo mais.
Todos os dias, olhando as estrelas no céu, pergunto a Deus por quê … E sorrio para as estrelas. E é como “se todas as estrelas rissem! Sim, as estrelas! Elas sempre me fazem rir!” E eu tenho um anjo que me sorri, das estrelas…
Ninguém o arrancou de mim: você continua comigo. Esta noite, ouvi sua voz, sorrindo, me dizer: “Voltei, mãe!”. O tempo todo, você esteve aqui, comigo. Impossível não sentir isto. Impossível não ser feliz.
Sua partida foi algo inesperado e inexplicável, mas estou bem. Mantenho a fé e a esperança na ressurreição, quando o verei de novo. Acredito nisto.
Até breve, meu filho. Com o maior amor do mundo,
Mamãe ♥














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