Avatar: troca de corpos
January 10, 2010 Arte e Literatura, Projeto de leitura
Terminei a leitura de mais um livro de minha “listinha” de fim de ano: o conto fantástico Avatar, de Théophile Gautier, de 1857. Em tempos de estreia do filme de mesmo nome, nos cinemas brasileiros, fiquei curiosa para lê-lo e descobrir por que o tema persegue obras ao longo dos tempos.
Filmes como Se Eu Fosse Você, estrelado por Glória Pires e Tony Ramos, e Sexta-Feira Muito Louca (Freaky Friday), com Jamie Lee Curtis e Lindsay Lohan, entre outros, repetem o enredo em que o casal, no primeiro filme , e mãe e filha, no segundo, passam longos momentos vivendo vidas trocadas, no corpo um do outro.
Voltemos ao livro, Avatar, de Théophile Gautier: nele, um médico famoso, o doutor Baltasar Cherbonneau, recém-chegado das Índias, possui a fama de operar curas miraculosas. Após um encontro com um velho e santo sacerdote, Brama-Logum, que lhe revelara a palavra misteriosa, desvenda o mistério de destacar a alma do corpo:
Mas existem poderes ocultos que a ciência moderna desconhece, e dos quais se conserva a tradição nesses estranhos países chamados bárbaros por uma ignorante civilização. Aqueles sábios, que possuem visões estranhas e que sequem de êxtase em êxtase as ondulações que deixam as eras desaparecidas sobre o oceano da eternidade, percorrem o infinito em todas as direções, assistem à criação dos universos, à gênese dos deuses e às suas metamorfoses. São tidos por loucos, mas são quase deuses!
E, naturalmente, como era de se esperar, opera a troca de corpos entre seu cliente e o marido da mulher que este ama. O final é inusitado, eu diria que quebra a atmosfera mística do tema, ao revelar a natureza humana em toda sua ambição. Não vou contá-lo, é claro; deixo para vocês a surpresa.
Segundo notícia do site BBC , cientistas suecos desenvolveram um método para produzir a ilusão de se estar em um corpo de outra pessoa ou mesmo em um boneco de plástico. Como se vê, o tema é fascinante e aterrorizante ao mesmo tempo. E, obviamente, na ficção, os limites do corpo e da alma alcançam patamares que desafiam os critérios de verossimilhança. Fascinante.
Recomendo a leitura do livro, Avatar, de Théophile Gautier.
Imagem: daqui
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