Êta vida besta, meu Deus!

August 14, 2007 Vida de Mestra

Às vezes, a vida nos dá tantas rasteiras, e, de tanto cair, ficamos calejados. Meu orgulho besta cai por terra, quando penso que sei tudo e percebo que nada sei. E mais ainda, que nada sou.

Duas experiências tão distintas, e tão iguais, me deixaram sem ação nestas últimas semanas. Dois adolescentes, de classes sociais diferentes, com visões de mundo diferentes: um pobre e outro rico, pertencendo a mundos diferentes. Um de família culta e bem relacionada; outro morador de comunidade carente e violenta.

E eu julgava haver diferença entre os sentimentos deles. Ledo engano. Em duas situações de estresse, muito comum em sala de aula, em que os interesses muitas vezes divergem do que o professor tem em mente, fui agredida verbalmente por esses meninos. Cada um em seu ambiente. Um, no colégio público, com clientela menos favorecida, e outro, no colégio dos bacanas, em que muitos têm o rei na barriga.

A princípio pensei: esse menino nunca mais voltará aqui, pois jamais se retratará. Julguei-o ignorante demais para tal atitude, a meu ver, digna de pessoas educadas. E, quanto ao outro, julguei que manteria sua postura arrogante, conseqüência do mundo dos que têm dinheiro e acham que podem tudo.

Esquecera-me de que o amor pode tudo. Esquecera-me de que venho plantando amor e dedicação. Não esperava que minhas atitudes pudessem produzir frutos em pessoas tão influenciadas pela ideologia de seus mundos: o da violência e o do poder econômico.

Desfecho surpreendente:

- Fessora, eu queria te pedir desculpa porque eu gritei com a senhora. Posso assistir sua aula? – os olhos vermelhos, vidrados nos meus, tão enorme aquele menino, mas tão humilde, carente de tudo.

- Professora, vem cá! Me desculpa aí! Eu tava nervoso. – os outros olhos, agora verdes, a pele e cabelos bem tratados, e um sorriso franco no rosto.

Um esforço enorme para não chorar. Lembrei-me de meu menino. Ah, como vejo neles o meu menino! Precisei perdê-lo para enxergar que os outros meninos, que andam por aí, atravessando meu caminho, são tão diferentes, e tão iguais. E como gosto deles…

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Comente aqui: (12)

 

  1. O amor uma vez plantado, dá frutos.
    Isso só não acontece quando cortamos a árvore antes de estar pronta a frutificar.
    A paciência, a tolerância e juntando ao seu amor, deu nessa alegria, que fez bem aos três, e será duradoura. É sentimento.
    Um beijo

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  2. Denise,
    coisa boa de se ler logo pela manhã. Aproveita, menina. O teu menino mora em cada um desses que “trombam” voce a cada instante.
    Já fui muito intransigente com meus filhos. Aprendí muito com eles, aliás ainda aprendo. O livro Capão, outras histórias foi assinado por mim, mas escrito por “eles”.
    Descí a serra ontem vindo de Sampa. Na lotação que me trouxe de Sampa, dois “internos” da Colônia Penal (regime semi-aberto) de Mongaguá. Vim “trocando idéia” com eles. Dá pena, dá raiva. Não deles, de nós que os jogamos nessa situação.
    Preciso rever meus conceitos, urgente.
    Parabéns, professora!
    Beijo, menina

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  3. Vivi Amorim says:

    Denise,
    êita vida!!Que texto bom!!Que alegria é saber que no mundo a gente pode consertar alguns erros…beijo e fique com Deus.Vivi Amorim

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  4. Allan says:

    A vida tem o dom de surpreender.
    Sempre.

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  5. Vivi Amorim says:

    Oi, Denise!!!!
    Vamos nos encontrar na bienal!!!!!!!!!Até setembro, pessoalmente!!Enquanto isso, vamos proseando por aqui!!…beijim,Vivi Amorim.

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  6. Sabe minha flor?
    Cada sorriso dado e cada chance concedida aos meninos será a resposta que espera ter.
    Seu menino habita em cada um de qualquer camada social, são meninos, apenas meninos nesse mundo surreal vivendo uma vida besta…
    Claro, que nos encontraremos na Bienal com muito prazer.
    Lindos dias querida
    beijos

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  7. Nani says:

    Está aí uma prova que o amor pode muito e como é bom surpreender-se assim. Lindo texto.
    bj grande

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  8. denise says:

    Aninha, é verdade, dá frutos.E é um aprendizado e tanto, para mim
    beijo, menina
    _____________________________

    Valter,também sinto pena, e raiva. Também preciso rever meus conceitos,
    abraço, garoto
    _____________________________

    Comentarista,Não sou não… é graça divina, nada mais, e eu nem mereço.
    beijo,menina
    _____________________________

    Vivi,é bom quando a gente consegue. Nem sempre é assim tão fácil.Que bom que vamos nos encontrar na Bienal, uau!
    beijo, menina
    _____________________________

    Allan, e como a vida me surpreende…
    abraço, garoto
    _____________________________

    Clarinha, pode acreditar que eu não só vejo como sinto o meu menino em cada um deles. Então, nos encontramos na Bienal!
    beijo, menina
    _____________________________

    Nani, que bom tê-la por aqui, menina! Realmente, eu me surpreendi com a reação deles… Não esperava mesmo.
    beijo,menina

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  9. Também quero encontrar as duas meninas na Bienal, viu Denise e Vivi.
    Eu quero, e quando a gente quer muito, todos os anjos se juntam e conspiram prá isso.
    Beijos meninas.

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  10. denise says:

    Duas, não, Aninha, três, pois a Clarinha também vai, hehe!
    beijo,menina

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  11. Oi!

    Vi seu blog nos post’s sem categoria e achei muito lindo o que você escreveu!

    Amor… O único dom que vai permanecer para sempre. É lindo saber que se todos nós nos unirmos em prol do amor e da tolerância, poderemos mudar (não digo o mundo, mas…) pessoas ao nosso redor, e com certeza essas pessoas mudarão as outras aos seu redor e assim por diante.

    “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor”. 1 Coríntios 13:13

    Deus te abençoe!!!

    Jackeline Cruz – Uma vida DIANTE DO TRONO

    Obrigada pela visita, Jack. Com certeza, muitos tentam mudar o mundo e se desiludem. Se cada um fizer o bem ao seu próximo, já daremos um grande passo.
    beijo, menina

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