O fascinante mundo da leitura

July 28, 2007 Arte e Literatura, Projeto de leitura, Vida de Mestra

Meu @migo Lord Ricardo me pediu que revelasse os cinco livros[bb] que mais me agradaram. Depois deverei escolher cinco amigos que farão o mesmo, se o desejarem.

Bem, durante toda minha vida tenho lido. Sempre enfurnada em bibliotecas e livrarias. Primeiro por prazer, e, depois, por força da profissão. Mas não vou citar, aqui, livros ditos cabeça , mas aqueles que me conscientizaram, ainda bem menina, da força que a leitura exerce sobre nós:

Meu pé de laranja lima, de José Mauro de Vasconcelos, foi um dos livros que me fizeram chorar intensamente. Eu era uma menina ainda e envolvi-me com a história de Zezé e sua relação com um pé de laranja lima e sua descoberta, de como é ser gente grande muito antes do tempo. Quando ele perde um amigo a quem se apegara muito, chorei junto com ele. Uma dor tão grande que parecia ser real a história que eu lera e vivenciava.

Floradas na serra, de Dinah silveira de Queiróz, outro livro que me emocionou, retrata as angústias e expectativas de um grupo de tuberculosos internados em um sanatório em Campos do Jordão, numa época em que a doença era conhecida como a “peste branca” e ainda provocava inúmeras mortes. Neste ambiente dramático, onde a proximidade entre a morte e a esperança de cura acentua as melhores – e piores – qualidades do ser humano, Dinah cria uma história de amor, intriga, superação e dor. Eu sofria junto com a personagem Lucília, torcia para que se curasse e pudesse ser feliz com seu amor.

Angústia, de Graciliano Ramos também me impressionou bastante. Relata as frustrações de um funcionário público num ritmo rápido, e a raiva que tinha por um rival. Quando este voltava para casa, após várias considerações e pensamentos difusos, Luís da Silva, o funcionário público, acaba estrangulando-o com uma corda. Atordoado e com medo, volta para casa e é tomado por uma forte febre que produz alucinações, imagens e lembranças que o perturbam. A narrativa do livro tem início quando ele desperta do torpor. Não consegui separar a realidade da alucinação: não sei se o matou de verdade ou apenas em sua mente. Angústia é um livro forte, e com uma narrativa psicológica densa. Angustiei-me junto com ele.

Memórias do Cárcere, também de Graciliano Ramos, narra acontecimentos de sua vida e de outras pessoas que estiveram presas durante o Estado Novo. A narrativa é amarga, mas sem exageros ou invenções, nessa obra Graciliano Ramos é fiel aos acontecimentos. O livro é o testemunho da realidade nua e crua de quem viveu em porões imundos, sofreu com torturas e privações provocadas por um regime ditatorial. É um discurso psicológico, e, ao mesmo tempo, um documentário; uma denúncia dos horrores vividos por Graciliano naquela época. Afligia-me saber que aquela história não era uma ficção. Meu Deus, era real!

Eu, robot, de Isaac Asimov, iniciou-me neste gênero fascinante e que é o meu preferido até hoje: a ficção científica. Embora eu soubesse das normas que regiam as Leis da Robótica de Asimov:

“1. Um robô não pode fazer mal a um ser humano nem, por inação, permitir que algum mal lhe aconteça.

2. Um robô deve obedecer às ordens dos seres humanos, exceto quando estas contrariarem a primeira lei.

3. Um robô deve proteger sua integridade física, exceto quando isto contrariar a primeira ou a segunda lei.” ,

eu via os robôs como uma ameaça, e morria de medo deles. Aliás, até hoje, tenho pavor de robôs, embora fascinada por eles. Asimov explora com grande habilidade as implicações lógicas e éticas de suas leis da robótica, e estes contos funcionam ao mesmo tempo como desafio mental (o leitor fica tentando descobrir a solução dos mistérios apresentados) e como crítica comportamental.

Bem, eram só cinco? Então, aí estão. Convido meus @migos abaixo a também fazerem suas listas, se assim o desejarem:

Afonso, de O Chato
Carlos Emerson, de Blog do Cejunior
Clarice, de Garganta Seca
Allan, de Carta da Itália
Vivi, de Vivendo com Vivi

Espero que se divirtam, como eu me diverti! Bem, Lord, missão cumprida!

imagem: daqui

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Comente aqui: (9)

 

  1. Também já li muitos livros que a seu tempo, me fizeram chorar, rir, enfim, que podia dizer ao término deles que valeu a pena.
    Fiquei devendo para as meninas esse post dos livros. Não fiquei com vontade de fazer.
    E aí, simplesmente foi passando.
    Beijos e bom final de semana, muitos beijos na princesinha.
    Beijos procê também.

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  2. Mamy says:

    Engraçado esse poder dos livros de nos fazer sentir a dor dos personagens, né? Poxa… isso acontece direto comigo.

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  3. Yvonne says:

    Querida, dos livros que você mencionou, só não li o último. Sua escolha foi maravilhosa. E a Princesinha, está bem? Beijocas

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  4. Cadinho RoCo says:

    Pego-me a pensar no quanto é importante o livro para a vida de todos nós, seja ele qual for.
    Cadinho RoCo

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  5. nanda says:

    Desse, Denise, só não Li Eu, roboT. Angústia e Meu pé de laranja lima são os melhores, né?? Quer dizer, na minha opnião. rsrsrs
    ENtão, eu sou uma chorona assumida: chorei até lendo “Marley e Eu”. Eu me envolvo com as histórias, é incrível!!
    A leitura é um prazer!! Adorei sua lista!
    Beijinhos

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  6. Allan says:

    Gosto muito de ler e leio muito, mas prefiro não criar listas de preferências. Tenho lido muitos escritores italianos. Alguns, desconhecidos do leitor brasileiro: Andrea Camilleri, Giovanni Verga e Vallerio Massimo Manfredi, só para citar alguns. No momento estou relendo Pirandello e Dario Fo, entre os italianos, além de Kafka e Tahar Ben Jeuloun.

    Também li Meu Pé de Laranja Lima e me emocionei. Li toda a obra de Graciliano. Mas, como escrevi acima, prefiro não fazer listas de preferências.

    Responda à pergunta da Yvone: E a Princesinha, está bem?
    :)

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  7. denise says:

    Queridos, obrigada por compartilhar comigo o prazer da leitura! Quanto à Princesinha, está ótima! e o post de amanhã será sobre ela, aguardem!
    beijos em todos!

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  8. Vivi Amorim says:

    Denise,
    Amei o livro Meu pé de laranja lima, já li várias vezes e me emociono sempre. Os livros do alagoano Graciliano Ramos são marcantes pelo realismo. Floradas na Serra eu li o livro e vi a minissérie que passou na tv.Parabéns pelas escolhas.Um beijo, Vivi Amorim

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  9. graziela says:

    essa menina está a coisa mais linda do mundo. e como está crescida!
    um abraço
    Grazi, minha linda, você não imagina como estou feliz…
    beijo,menina

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