“Olha aí, é o meu guri”

May 11, 2007 Sociedade

Domingo é o dia das mães

E eu tenho a graça de ser mãe de um anjo…

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O meu guri

olha aí, aí o meu guri, olha aí,

o guri no mato, acho que tá rindo,

acho que tá lindo de papo pro ar

olha aí, olha aí,

olha aí, ai o meu guri, olha aí,

olha aí, é o meu guri.

Chico Buarque de Holanda

A perda de um filho é uma das experiências mais dolorosas que uma pessoa pode ter. A alma dói. Perdi meu marido muito cedo. Minha avó, quando eu era bem jovem. Meu sobrinho, que ajudei minha mãe criar, e a quem eu amava como um filho. Essas perdas, a gente supera, pois sabemos que a morte faz parte do ciclo da vida. Mas um filho…

Sim, a alma dói. Mas existe alívio para essa dor: minha fé. O tempo vai passando e vou aprendendo a olhar as pessoas de outra maneira. Menos egoísta. E, enxergando a dor e o sofrimento dos outros, às vezes, sinto que me esqueço minha própria dor. Além disso, agradeço a Deus por tudo que tem feito e por tudo que vai fazer em minha vida.

E Ele tem me dado a graça de conviver com a Princesinha, razão de eu continuar lutando para não desmoronar. É óbvio que, muitas vezes sinto-me triste e profundamente abalada ao lembrar da tragédia que vivi. Há dias em que estou muito triste mesmo. Então vou à igreja, pois lá é o único lugar em que consigo chorar. E volto fortalecida, pois, não posso me abater. Quero ver a Princesinha crescer. E quero que ela veja em mim a força, a coragem, a fé para vencer qualquer obstáculo. Para tudo isso, o meu bálsamo é a oração e minha fé em Deus.

Aceitar a morte

Não sinto mais ódio nem raiva dos assassinos. Já senti. Muita. Perdoei. Houve muitos momentos em que pensei que Deus havia me abandonado, e estava me castigando, levando meu filho tão cedo. E de uma forma tão violenta. Mas, meu trabalho tem me ajudado a entender que o sofrimento não é só meu. Convivo o tempo todo com a dor de outras pessoas. E a gente acaba aprendendo a aceitar a morte.

Há dias em que sou forte. E outros há em que não quero sair de casa. Mas, logo recupero o equilíbrio, e ninguém imagina o que acontece por dentro desta rocha em que me transformei. Ainda tenho minha filha e a linda Princesinha. Sei que elas não suprem a ausência do meu menino. Cada filho é único. Insubstituível. Mas elas me dão ânimo para lutar e querer viver.

A vida continua

Não corro atrás de justiça. Nem fico procurando saber o porquê de ele ter ido de forma trágica, aos 19 anos. Mantenho-me ocupada o dia inteiro. E estou mais sensível aos sofrimentos dos outros. Procuro me lembrar dos momentos felizes que passei com meu menino, de seus abraços, de sua gargalhada gostosa.

Para muitos, a vida não tem mais sentido quando se perde um filho. Mas a vida continua. Há dias em que se está mais triste, mas precisamos prosseguir. Nada de ficar deprimida. O que nos sustenta é a fé. Todos estamos sujeitos aos sofrimentos e tragédias da vida, mas Deus nos dá força para suportá-las. Superar? Talvez nunca. Esquecer? Jamais!

Domingo é o Dia das Mães. E eu tenho a graça de ser mãe de um anjo…

Olha aí, é o meu guri…

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Comente aqui: (7)

 

  1. Dizer o quê? A não ser que entendo cada frase, cada palavra que você está dizendo?
    Que sei exatamente como é a dor que v sente?
    Que sinto aqui também no meu coração a sua dor.
    Fica bem, e com Deus.
    Ele é e sempre será nosso sustento.
    Um beijo

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  2. Passei prá te dar um beijo,
    Fique bem!

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  3. Patty says:

    Denise só posso dizer que aprendi muito lendo seu post. Uma lição de vida! Q Deus esteja sempre cuidando de ti. Um beijo.

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  4. Luma says:

    É a pior dor a que sente. Eu não saberia como consolá-la. Porém você está com Deus e ele com você. Só mesmo ele para aliviar um pouco essa dor.
    Que seu dia das mães seja sem lágrimas, somente com lembranças boas. Fica bem! Beijus

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  5. Denise, todos nós, principalmente TODAS nós, iremos responder de forma acertada: que estamos com você e aprendemos o que jamais pensáramos ser e haver…
    Que é a pior dor, como disse a LUMA, e acho que até nisso, és maravilhosa, colocas-me com tanta vergonha, envergonhadíssima, querida, diante da *minha* dor, pela qual passo agora e que diante disso tudo..é NADA.

    Amiga, se eu posso te dizer alguma coisa, é que tenho nesse Dia das Mães, alma vida e coração em Ti.
    Pensarei muito e estarei contigo.
    E orgulho-me profundamente da bênção que Deus me Deu: eu gostar tanto de ti, da bênção que foi conhecer-te.

    Toda tristeza é, sim, uma bênção disfarçada.Pra todos. E muito mais para mim.
    Sou testemunha disso.
    Um beijo cheio do carinho mais profundo
    Meg

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  6. Mamy says:

    Você é mãe pra sempre, pra sempre, pra sempre… e ele é seu filho pra sempre, pra sempre, pra sempre… não importa o que esse mundo cruel faz com a gente, tem coisas que ele não pode nos tirar.

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  7. denise says:

    Desculpem-me, mas não vou responder os comentários.Apenas dizer, obrigada a todos por tanto carinho.
    beijos

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