Você tem fé, nem adianta negar.

Se há uma coisa que não se discute é fé. Não religião, mas fé. A religião tornou-se sinônimo de instituição e é inevitável que, em uma discussão, se combata esta ou aquela igreja, ou sacerdote ou fiéis. Religião, religião mesmo, não se discute.

Crescemos crendo que Deus castiga a quem ama, como um pai ao filho a quem quer bem. Tantas vezes nos preocupamos em fazer o que é certo para fugir da ira do Todo Poderoso. Leva algum tempo até percebermos que Ele é amor e que toda esta manipulação do ‘fogo consumidor’ nos aterrorizou a vida inteira.

Tanto tempo vivemos em um mundo de ilusão, sem alegria natural. Buscando alegria e prazer em festas, bebidas, amigos, a quem eu costumo chamar de ‘conhecidos’. Empenhamo-nos em uma atividade profissional, ou de cunho social, ou filantrópica, enfim, em algo que julgamos significativo para nós e para o próximo. Nem sempre a convivência com a família é suficiente para preencher a necessidade de paz e felicidade que o homem não cansa de buscar.

Ao perceber , entretanto, que, embora tenhamos tudo – bens materiais, realização profissional e pessoal, amor da família e dos amigos, percebemos também que ainda não é o suficiente. Falta sempre alguma coisa a ser preenchida dentro de nós. Esta busca incessante , que algumas pessoas negam ter, é a falta de paz, de esperança que nos multiplica as forças e nos encoraja nas adversidades.

É a fé que nos capacita a sermos bons

Mesmo quando a ira nos acomete, é ela que nos traz o equilíbrio e a humildade de resistir a nossa própria força e demonstrar amor e perdão ao outro, que nos é adversário, quando, na verdade, o que queríamos mesmo era que fosse extirpado da face da terra. Não por sermos bons, éticos, com valores morais recebidos de nossos pais. Mas porque temos fé, embora muitos neguem, repito, em algo sobrenatural, que nos constrange a agirmos assim.

Temos fé, muita fé, mesmo que não percebamos, ou que de modo veemente venhamos a negar que a possuímos. É genético. Estamos predispostos á fé, não a esta fé em algo palpável, como alcançar um objetivo pelo qual lutamos. Mas uma fé espiritual, que nos leva a crer em algo além do nosso entendimento.

Espiritualidade, não religiosidade

Repito mais uma vez que não é de religiosidade que estamos falando, mas de espiritualidade. Todos, até os que negam, temos esta predisposição a crer em algo sobrenatural.

A religião é um conjunto organizado de regras de conduta para controlar nossa natureza corrompida. A espiritualidade, por outro lado, são regras internas, que dizem como nos sentimos sobre algo transcendente, qualquer que seja .

Eu identifico como Deus, por exemplo. A religião procura decifrar quem é esse ‘deus’ e como ele atua. A fé apenas sente que este ser sobrenatural existe e que está em toda parte. Mesmo que o neguem, os ateus e céticos sabem que há algo que não conseguem explicar.

Todos acreditam que podem controlar suas emoções, e escolher seu próprio caminho, e decidir seu destino. Não podemos admitir que somos , digamos, controlados por um poder maior. E, se nossa fé não for direcionada para este ser maior, corremos o perigo de nos tornarmos duros demais.

A fé deve anteceder a religião. Ser religioso sem fé, é cumprir regras que se tornam fardos difíceis de carregar. Por outro lado, ter fé, mesmo sem ter religião, esta instituída pelos homens, é o que nos capacita a saltos maiores.

Há Deus. Não há Deus

O eterno debate entre os que têm e os que dizem não ter fé nos leva a crer que as perguntas são sempre as mesmas para os dois lados: o mal e o sofrimento é uma interrogação para quem tem fé e uma constatação de que não há ‘deus’ para os que dizem não ter fé.

Na verdade, não compreendemos tudo ainda. E é difícil crer em algo que não se possa entender. Eu sei que há algo muito além de nosso entendimento, que me impulsiona  e que me fortalece. É fé, não pode ser outra coisa. De outra forma, eu já teria sucumbido e perdido toda razão para viver. Aceito esta dimensão da transcendência que religião nenhuma consegue extrair de mim. E que ciência alguma pode abalar.

Ciência e fé? Bem, isto seria um bom assunto para outro post…

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4 comentários para “Você tem fé, nem adianta negar.”

  1. Viviane Amorim

    Querida Denise,
    eu estava com a internet muito ruim, agora a conexão está ótima e estou me atualizando nos blogs…Sua horta está muito bonita!Parabéns pois em um apartamento vc está fazendo o que muita gente não faz tendo bastante espaço.Estou querendo umas sacolas dessas para comprar, vou procurar com calma o link que eu vi um dia no seu blog para ver…Vou fazer a experiência aqui em minha cidade de esquecer livros nos locais…minha irmã no Rio esquece o jornal no metrô e disse que dois segundos depois o jornal já sumiu…Denise, eu gosto muito de vc, do seu blog e de ler o que vc escreve. Um abraço grande, Viviane.

  2. Ronka

    Uau! O comentário da Viviane tem tudo a ver com o post ¬¬
    Não era melhor mandar um e-mail?
    Fé realmente é algo que não podemos compreender ainda.
    Tão misteriosa quanto a vida, espero que um dia todos nós possamos decifrá-la, mesmo assim acho que quando esse momento chegar já não fará mais diferença.

  3. Tenho fé. Muita fé. | Sturm und Drang!

    […] post: “Você tem fé, nem adianta negar.“, reflito sobre a questão da fé na vida da gente. Se tiver disposto, leia o texto todo. […]

  4. A jornada de cada um | Sturm und Drang!

    […] que é a fé me capacita a  agir corretamente nas situações em que tenho ímpetos de ira contra quem me abriu uma ferida no coração, ou […]

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