Você pede a nota?

Hoje, ao pedir o recibo do exame, realizado em uma clínica particular, minha filha encontrou  resistência para a emissão do comprovante. Um constrangimento que não deveria existir. Isso deveria ser uma obrigaçao de todas os prestadores de serviço.

O que ocorre, entretanto, em muitas situações, é este constrangimento do cliente ou paciente, como se estivesse pedindo um favor, uma esmola, ou coisa parecida.  Quando o pagamento é em dinheiro,  principalmente, muitas vezes nos deparamos com a relutância para emitir os comprovantes, por parte do profissional.

Se todos pedirem a nota, quando a loja, a  clínica ou a prestadora de serviço não o fizer espontaneamente, o país terá mais condições de melhorar os serviços públicos. Para investir em educação, saúde, segurança, saneamento básico, e outros serviços, é necessário que se peça a notinha. Caso contrário, o dinheiro não fica nem com o consumidor, nem com o Estado, fica com o comerciante.

Que coisa, não é mesmo? Vou repetir: quando a Nota Fiscal não é exigida pelo consumidor, o Governo não recebe o imposto, e o comerciante é o único beneficiado. Ele fica com o dinheiro da mercadoria, do lucro e do imposto!

Há controvérsia

Há consumidores que  preferem não pedir a notinha. Acham besteira exigir o comprovante da compra ou do serviço. Ou seja, consideram mais vantajoso dar ao dono do negócio,  um dinheiro que não é dele. Tais acreditam que se pedirem nota, o Governo terá condições de verificar todos os seus gastos, a partir de seu CPF, e compará-los com a declaração de imposto de renda.

Desta  forma,  segundo estes, quem  trabalha informalmente para aumentar seu parco salário, vendendo  bijuterias,  salgadinhos e afins, corre o risco  de   informar ao Fisco o tipo de vida que leva, os restaurantes que frequenta, as lojas onde faz compras, que não condizem com a renda declarada à Receita Federal.

Por esta linha de raciocínio, muitos consumidores preferem que o comerciante ou prestador de serviço fique com o dinheiro do imposto. Uma pena, porque com a emissão da Nota Fiscal, embora seja uma exigência feita por lei, o dinheiro que pagamos de impostos – e que é nosso-  precisa  retornar para nós em forma de benefícios.

Eu sempre peço a nota, mesmo sabendo que ele pode ser usado de forma nada convencional. E você?

Imagem: daqui

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9 comentários para “Você pede a nota?”

  1. valter ferraz

    DE,
    Portugal e Itália que são minha única experiência no exterior chamaram-me a atenção para isso. Lá, até camelô te dá o ticket fiscal. No começo eu não pegava e eles insistiam. A amiga brasileira que mora lá alertou: Pegue e guarde. Se vier o fiscal, apresente. Caso contrário eles apreendem a mercadoria, multam o comerciante e fecham a biroska. Pois é, vivendo e aprendendo, né?
    Aqui, o próprio povo dá o mal exemplo largando o ticket no balcão. Observa no supermercado, ninguém pega.
    Beijo, menina

    1. Denise Rangel

      É verdade. E este mesmo povo reclama de mau atendimento nos serviços públicos. Exigir e emitir notas, e fiscalizar o uso do dinheiro é nossa obrigação.
      abraço, garoto

  2. Lunna

    Boa tarde Denise, aqui em São Paulo tem a tal da nota paulista e depois que ela foi implantada ficou mais fácil receber as famosas notas porque os dois lucram com a tal nota paulista.
    Bacio

    1. Denise Rangel

      Lunna, e há muitos que acham que esta nota paulista é uma forma de fiscalizar os gastos do contribuinte. Vai entender a cabeça de certas pessoas…
      beijo,menina

  3. Allan

    Denise,

    Por aqui é diferente. Primeiro: todos devem ter um médico de família (eu tenho um, minha esposa tem uma médica e as duas filhas, um outro médico) e uma careira nacional de saúde, onde consta o correspondente do CPF. Salvo em casos de urgências, você passa primeiro no médico de família – que não cobra nada, ele é pago pelo governo – e é ele quem fará a solicitação para uma visita especialística. Com a solicitação, você pode ir diretamente ao serviço de saúde da cidade ou ligar para o número verde para marcar a consulta. se o fizer por telefone, receberá pelo correio seja o documento para a visita como o recibo fiscal para pagamento; se for ao serviço de saúde, pode pagar lá mesmo ou em qualquer banco. Nos casos de exames funciona do mesmo jeito e você receberá sempre um documento fiscal do pagamento, sem o qual não poderá fazer a visita ou exame.

    Caso decida ir diretamente a um especialista, vai ter a vantagem de ser atendida imediatamente, enquanto no serviço público pode demorar, dependendo do exame e da região. Mas terá uma desvantagem enorme de preço (umas dez vezes enormes). De qualquer modo, um dentista ou médico especialista poderá propor-lhe um preço mais conveniente, caso não exija a NF, mas o risco de levar uma multa da Guardia di Finanza e entrar na lista negra deles não vale à pena. O laboratório, mesmo que privado, deverá inserir sua solicitação no sistema nacional de saúde e não tem como escapar da NF. Nos caso de saúde, incluindo a compra de remédios, aparelhos ortopédicos, etc. haverá sempre a sua identificação, o que lhe permitirá dedução no imposto de renda.

    Já no comércio comum é mais fácil não emitir NF, mas só se o consumidor for amigo do comerciante e este tiver plena confiança de que não será denunciado. Isso não impede os muitos casos de sonegação, multas (quando descobertos) e comerciantes espertinhos que sempre acham um meio de ludibriar o fisco. A diferença é que no comércio comum vale a privacidade do consumidor. Se pagar em dinheiro não terá como descobrir os dados do consumidor.

    E, para finalizar, sou a favor da NF. Emito e exijo sempre.

    Beijocas

    1. Denise Rangel

      Muito interessante este sistema daí. Mesmo assim, ainda há os que tentam burlar a lei, né mesmo? Quem sonega, geralmente não usa os serviços básicos, mas quem deixa de pedir a nota, certamente vai precisar de um deles.

      abraço, garoto

  4. Luma

    Denise, dificilmente pago com dinheiro e mesmo assim, guardo os comprovantes do cartão, porque certa vez fiz uma compra de 20 reais que me foi cobrado 200, se nao tivesse guardado o tal comprovante, estaria lesada a essa altura. Depois disso, passei a exigir a nota fiscal.
    Em geral, quando pedimos o comprovante de compra ou nota fiscal, somos encarados como antipáticos, principalmente em restaurantes. Percebe que somente os bens “com garantia” refutam certa regalia? Há de se mudar a mentalidade do povo!

    1. Denise Rangel

      Luma,
      Nós temos a opção de não pagar o imposto, já que vem embutido no valor da transação. Antipáticos ou não, é dever deles nos dar a notinha. Além de ser nosso direito, é uma garantia em casos como este que você citou.
      beijo, menina

      1. Denise Rangel

        …digo, nós NÃO temos a opção de não pagar o imposto…

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