Todo dia não é dia das mães?

Dia das Mães. Sem querer ser pessimista e estragar a festa alheia, afirmo, com todas as letras, que não entendo por que um “dia das mães” exatamente em um domingo. Até na hora de decretarem o dia delas, nem direito a um feriado, as mães têm, não é mesmo? É compreensível, já que este dia foi criado por um homem, mais especificamente através do Decreto 21.366/32, para determinar que nunca devemos esquecer de nossa missão na terra: padecer no Paraíso.

Sinto-me exatamente assim a respeito de datas que exploram o sentimentalismo e manipulam o comportamento das pessoas levando-as a tomar atitudes, que nem sempre são espontâneas ou desejadas, em um dia determinado por alguém, como comprar presentes, fazer festas, reunir-se. Acontece o mesmo com o Dia dos Namorados, Dia das Crianças, Natal e outras ocasiões.

Uma data em que muitas mães estarão sozinhas, sem seus filhos, ou, por outro lado, exaustas à beira de um fogão para recebê-los com os familiares, em um dia de descanso, no caso, um domingo, é, a meu ver, um castigo, e não uma homenagem. As mães que trabalham ou estudam não teriam direito a um feriado, já que, neste país, os feriados são em dias úteis?

As mães merecem se sentir especial todos os dias e é mais justo que seja homenageada sempre que o filho sentir desejo de fazê-lo. Elas deveriam ser mimadas e cuidadas e, acima de tudo, ser amadas a cada instante de todos os dias. Trazer flores, presentes, carinhos e estar junto dever ser algo contínuo e espontâneo, concordam? Aliás, é raro o dia em que um dos filhos não visite minha mãe. A casa está sempre cheia, o ano inteiro.

Então, por que não fazer a mãe se sentir especial durante todo o ano? Surpreendê-la quando ela menos espera, com presença, contatos telefônicos ou virtuais, flores e mimos, sempre que o coração desejar. Creio ser esta a melhor maneira de homenagear a nossa mãe. É claro que continuaremos comemorando o Dia das Mães, pois é um costume arraigado há mais de 50 anos na família, e, se não comparecêssemos, certamente mamãe estranharia.

Então, para que não digam que sou filha ingrata, aí está a prova de que fui abraçar mamãe ontem, no segundo domingo de maio. Não porque o Presidente Vargas decretou, em 1932, que fosse assim, mas porque, assim como em todas as mentes dominadas pelas imposições midiáticas e políticas, minha mãe e as mães de toda a população brasileira esperam que seus filhos não ignorem uma data tão festiva e especial.

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