Sturm und drang?

Como surgiu o movimento artístico Sturm und drang

Um grupo de jovens intelectuais unidos em torno de Herder, conhecido como a “geração de 1750”—Goethe, Schiller(1759-1805), Klinger (1752-1831), Lenz (1750-1792), entre outros — iniciou um movimento sem precedentes, o Sturm und Drang (denominação tirada do título da peça de Klinger, Tempestade e Ímpeto).

Características do movimento

O movimento se opunha ao Iluminismo, que dominava a cultura européia da época. Este afirmava o predomínio da razão sobre os demais valores do homem e do mundo.

Já o movimento Sturm und drang colocou a vida como valor supremo e recusou todas as normas que, embora válidas racionalmente, pudessem limitar o desenvolvimento individual.

Rompendo conceitos

O Sturm und Drang rompeu violentamente com conceitos e esquemas que regulavam as relações individuais e sociais, políticas e morais.

Repercutiu profundamente na arte, proclamando a liberdade absoluta do artista, cuja produção haveria de ser expressão do seu poder criador e não fruto da obediência a preceitos e técnicas formais preestabelecidos.

A genialidade do artista é que ditaria as normas para as suas obras.

O ímpeto com que os iniciadores do movimento defendiam essas idéias suscitou, na Alemanha, uma verdadeira revolução em todos os campos da cultura e da vida.

Na literatura

A aceitação foi completa e apaixonada. A produção literária na Alemanha não tinha, até então, uma nítida fisionomia de originalidade, eis que se ressentia da influência francesa.

A própria língua não era prestigiada: “uma língua boa para os cavalos e para rezar”, costumava dizer o Rei Frederico II da Prússia, que, em julho de 1775, escrevia a Voltaire: “É preciso esperar que a natureza propicie o nascimento de verdadeiros gênios. O solo que produziu um Leibniz pode produzir outros. Eu não verei esses belos dias de minha pátria, mas prevejo essa possibilidade”.

Era falsa a profecia do rei.

A possibilidade se concretizaria nesse mesmo ano, quando foram publicados o Werther e os primeiros dramas de Goethe.

Em seguida, aparece Os Bandoleiros, de Schiller. De um momento para outro, “a geração de 1750″ projeta no exterior uma literatura que nunca fora significativa.

E agora os papéis se invertem: os escritores alemães passam a influir sobre a produção de outros povos.

Tempestade e ímpeto!

O Sturm und Drang é um movimento de caráter nacional que desencadeia o Romantismo.

Goethe é a figura mais destacada, por sua força vital e criadora, ao mesmo tempo reflexiva e turbulenta. Torna-se a personalidade mais notável de Strasburgo e sua fama ultrapassa as fronteiras da Alemanha.

Homens célebres e mais velhos solicitam sua amizade.

Suas obras são discutidas e aplaudidas. É o começo impetuoso de uma projeção literária que não haveria de declinar.

Poema de Goethe

Johann Wolfgang von Goethe

(1749 – 1832)

Aos Leitores Amigos

Poetas não podem calar-se,

Querem às turbas mostrar-se.

Há de haver louvores, censuras!

Quem vai confessar-se em prosa?

Mas abrimo-nos sob rosa

No calmo bosque das musas.

Quanto errei, quanto vivi,

Quanto aspirei e sofri,

Só flores num ramo — aí estão;

E a velhice e a juventude,

E o erro e a virtude

Ficam bem numa canção.

 

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Um comentário para “Sturm und drang?”

  1. Escrever um blog nos ajuda a lembrar | Sturm und Drang!

    […] Sturm und drang? […]

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