32 comentários para “Resposta ao professor Valdemar Setzer”

  1. Roney Belhassof

    Ainda não tive tempo de ler os trabalhos do Setzer, mas desconfio que o problema é que ele não sabe defender muito bem seus pontos de vista sem gerar polêmica e consequentemente resistência a suas idéias, mas que há muita coisa importante entre as suas propostas.

    Apesar disso proibir sempre foi a melhor forma de estimular a desobediência velada e a cultura a que nos dirigimos só faz intensificar isso. Não dá mais para educar como no século XIX! Até mesmo a punição eu já não considero muito viável.

    Não sou educador, mas sinto que temos que aprender a conversar com nossos filhos menos experientes e a premiar o que achamos certo com atenção, carinho e tempo.

    Depois que tiver lido os textos do Setzer vou escrever um post, mas já tenho uma idéia do tom dele: Qual é a esfinge que nos desafia?

    Você notou bem que o problema não é a tecnologia! O nosso mundo está mudando de uma forma que ninguém vivo viu acontecer e essas mudanças estão em absolutamente TODOS os lugares, não importa que para chegar neles vc tenha que pegar um ônibus ou ligar um dispositivo eletrônico.

    Creio que a questão é como ajudar nossas crianças a absorver e se colocar nesse mundo que está surgindo e já adianto que provavelmente ninguém terá uma resposta para isso pois estamos criando um mundo novo exatamente agora!

    Estamos todos no mesmo patamar e talvez o melhor a fazer seja explorar juntos as novas formas de se relacionar com o consumo, o conhecimento, a informação, as relações humanas, as relações com o trabalho.

    A chave, acredito, está em sermos amigos das nossas crianças e não sensores, guias, educadores…

    Sim, é exatamente o que penso. É hora de nos aproximarmos mais de nossas crianças e orientá-las, conquistá-las, fazê-las confiar em nós ; pois, segundo li na pesquisa do professor, as crianças sabem como burlar qualquer segurança, pois acabam entendendo mais de tecnologia que os próprios pais. Quando comprei o primeiro computador, meu filho tinha 12 anos. Procurei logo aprender a manusear o pc a ponto de superá-lo. Ele não conseguia esconder nada de mim, pois eu achava qualquer coisa que ele escondesse, estivesse onde fosse dentro do pc. Os pais têm obrigação de saber como proceder em relação ao pc. Entendo bem a preocupação do professor em relação aos perigos da tecnologia, é realmente um terreno cheio de surpresas.
    abraço, garoto

  2. valter ferraz

    DE,
    o assunto é polêmico e necessário. Na mesma medida. Não podemos nos furtar ao debate. Mas, sem radicalismo. Tanto a TV como a Internet podem trazer prejuizo sim, mas creio que tras mais beneficios que prejuizo. E privar nossos filhos e netos é empurrá-los para a esquina em busca do que os proibimos.
    Precisamos sim, despertar o senso crítico neles, mostrando o que pode e o que deve ser evitado. É isso.
    Fiquei com a impressão que fui grosseiro com relação ao que o professor falou no post anterior. Se me excedí deixo aqui minhas desculpas. Pela maneira que me expressei, não quanto ao que penso. Vc sabe, detesto censura. Seja qual for.
    Parabéns por trazer assunto tão importante à dicussão.
    Para finalizar, uma cutucadinha: ninguém vem a um blog por acaso, professor.
    Beijo, menina

    Também penso que proibir é aguçar a curiosidade da criança. Mas o professor também contesta este argumento dizendo que crianças pequenas não têm senso crítico. Caso contrário não seriam crianças. É realmente um assunto polêmico que requer uma reflexão séria e responsável.
    abraço, garoto

  3. aninha pontes

    Denise, já havia lido o post anterior, mas deixei para comentar depois.
    Faço aqui.
    Concordo plenamente com você, que o que devemos é educar, é mostrar o caminho certo. É evitar o que achamos pernicioso.
    Proibir nunca foi uma forma de educar. O proibido é muito mais saboroso.
    Ainda não podemos esquecer de uma grande fatia da população que só tem em casa uma uma tv aberta, e que isso é a única distração dos filhos e da própria família.
    E não precisa ir longe não. Aqui em casa só temos tv aberta, mas temos discernimento suficiente para mostrar ao Érick o que vale a pena e o que não vale ser visto.
    A internet, incentivamos ele a usar, a aprender, e muitas vezes ele já nos ensina, mas assim como na tv e internet, na porta das escolas, onde não podemos proibi-lo de frequentar, existe o mal, que está ali para corromper.
    Contamos com nossa clareza em educar, contamos com o amor com que ensinamos o caminho do bem.
    Um beijo
    .

    Pois é, Aninha, a tevê está em todos os lares, até nos mais humildes, e proibir o acesso de crianças a ela é algo quase impossível. O trabalho dos pais e responsáveis é protegê-las e não entregá-las à babá eletrônica e fugir de sua responsabilidade em orientar seus filhos.
    beijo, menina

  4. leticia coelho

    Denise,
    Concordo contigo! O que se deve fazer não é proibir e sim educar.
    Sempre observo com atenção o que meu filho de 7 anos está assistindo na televisão… Ele ainda não sabe usar o pc direito. Alguns desenhos animados te digo, que proibi da maneira mais radical, principalmente por notar que ele estava tendo a mesma atitude violenta que o personagem principal do desenho.
    Tenho dois enteados, um de 11 e outro de 15 que usam e abusam do computador e do video game. Como eles nao residem conosco não podemos controlar muito, mas falamos com eles sobre todos os assuntos. Acho legal que o que eles mais fazem é baixar jogos (nem sempre com violencia), escutar música e escrever… Eles sabem utilizar o pc direito.
    Beijos 🙂

    Lê, é assim mesmo. O desenho é impróprio, não deve ser permitido. O monitoramento tem de ser dos adultos. Não vejo outro jeito.
    beijo, menina

  5. Silvia

    Denise, a minha tia desligava a chave de luz da TV porque meus primos tinham acesso limitadíssimo à telinha! Quando eram pequenos, estudavam em escola Waldorf. Eu achava radical, mas hoje eles são supercriativos, fazem miséria em termos de construção (desde pequenos, agora são adultos, né?), e hoje o hobby deles é fazer pipas, e lidam muito bem com a máquina de costura. 🙂

    Eu acho, sinceramente, que não ter TV ou computador até uma certa idade (talvez 7 anos, o tal primeiro setênio da pedagogia Waldorf) seria o ideal, porque acho mesmo que não acrescenta nada de bom, nem mesmo os programas “civilizados” e educativos. Tudo o que esses programas mostram em termos de boas maneiras e ações as crianças aprendem mesmo é com a convivência.

    Minhas filhas adoram a TV, mas eu estou sempre falando com elas para assistirem com um olhar crítico. O grande problema dos canais/programas infantis, para mim, é a hora da propaganda. Eu tenho convicção de que propaganda voltada para crianças deveria ser terminantemente proibida. Converso muito com elas sobre essas propagandas, mostro que o que aparece ali na telinha, na maioria das vezes, não é o que acontece na vida real (em geral, com brinquedos). E além das propagandas de brinquedos (a maioria desses brinquedos prontos, que não acrescentam em absolutamente nada, porque fazem tudo sozinhos), ainda tem as propagandas de guloseimas e fast-food… É uma tristeza.

    Meu pai também nos proibia de ver tv. Mas meus irmãos fugiam para assisti-la na casa dos vizinhos e apanhavam por isso. Lembro-me de que todas as crianças brincavam na rua, no quintal, e não foram prejudicados pela tevê. É o que eu digo, os tempos hoje são outros e o conteúdo da tv mudou muito.
    Ainda penso que proibir não é tão eficiente quanto orientar. Também acho saudável que a criança fique sem tv ou pc nos primeiros anos, se ela tem outras formas de estimulação, o que nem sempre acontece. Temos de nos adaptar à realidade. Tirar o aparelho da criança é tirá-lo de toda a família. Então, a orientação é o mais adequado. Na hora da propaganda, também falo com minha netinha sobre os brinquedos , sobre como são caros, critico alguns deles mostrando seus contras. Aos poucos eles vão aprendendo.
    beijo,menina

  6. Grace Olsson

    Denise, fruta proibida tem mais sabor.É um assunto comçpplicado mas como pais nao devemos furgir do debate.
    Hoje em dia,é totalmente difícil fazer com que a crianca, o adolescente vive ao largo do pc, da tv.
    O que devemos fazer é dar uma olhada se nossos filhos estao vendo conteudo impróprios. Meus filhos viam mutai tv no Brasil,Aqui, nao, pois nao tem tv com apelacoes e programas inadequados para criancas.E a crianca vive 8 horas na escola, diariamente. Ao chegar em casa, temq ue escolher:tv ou computador.
    Belo post. Vou ler novamente e me imbuir de novos fatores que podem está prejudicando meu filho no aprendizado.
    bjks e dais felizes

  7. Valdemar W. Setzer

    Olá a todos,

    É impressionante como a tônica dessa discussão tem sido o ponto de vista de vocês que não se deve proibir. DEVE-SE, SIM, tudo o que for prejudicial ao desenvolvimento e à educação da criança e do jovem. Eles necessitam de orientação e aprenderem que tudo na vida tem limites. O grande problema é que, contrariamente a mim, vocês não reconhecem que os aparelhos são extremamente prejudiciais, independente da forma de uso e do conteúdo. Estes último só aumentam os problemas.

    Argumentou-se que, se não puder ver TV ou jogar video games em casa, a criança ou adolescente jogarão nos vizinhos. Mas comparem o tempo que seria dedicado e eles num e no outro caso!

    No caso da TV, nem é necessário proibir. Eu não tinha em casa, e ponto final. Não havia proibição nenhuma. Para aqueles que acham, estranhamente, que a TV é absolutamente necessária, minha recomendação tem sido a de que ela não deve fazer parte da família (para começar, destrói a vida familiar); deve ser usada apenas em casos especiais, decididos por todos. E falo de transmissões normais, e não de vídeos. Nesse caso, é preciso escolher muito bem — se bem que também acho que não são necessários, e acabam sendo muito mais prejudiciais do que úteis. Falou-se em a criança aprender letras e a fazer contas. Pois isso é muito mal antes de 6 1/2 a 7 anos, mais ou menos. Leiam meu artigo, em meu site,

    http://www.ime.usp.br/~vwsetzer/reading.html

    No caso de video games, não há nenhuma necessidade ou utilidade em tê-los. Joguem-nos fora (vocês não vão querer prejudicar tanto nem os seus inimigos, dando-os a eles, certo?). No caso da internet, como eu escrevi e disse, também não há nenhuma necessidade de crianças e adolescentes usarem, mas se um pai acha erroneamente que ela é mais útil do que prejudicial, tem que ficar o tempo todo ao lado dos filhos enquanto estes utilizam-na. O perigo é grande demais. Leiam meu artigo

    http://www.ime.usp.br/~vwsetzer/como-proteger-resenha.html

    Por favor, leiam meus artigos e sejam objetivos, mostrando onde estou errado, para que eu possa mudar minhas opiniões com base.

    Não vou consultar este ou outros blogs. Se alguém acha importante ouvir minha opinião, por favor avise-me por e-mail para eu voltar para cá, mencionando o endereço.

    aaaaaaaaaaaaaaa, VWSetzer

    Caro, professor,
    Obrigada por sua presença mais uma vez em meu blog.
    Primeiramente, quero esclarecer que eu afirmei acreditar ser a tevê e outras tecnologias , como games e internet, aparelhos que contêm conteúdos prejudiciais às crianças, mas que é quase impossível haver um lar onde não exista um aparelho de tevê. Concordo com sua afirmações, não as julgo improcedentes, no entanto analiso a sua viabilidade nos lares hoje em dia.
    O sehor não tinha tv em casa, quando seus filhos eram pequenos. Em minha casa também não havia, até a adolescência. Mas, há quantos anos? Seus filhos, eu e meus irmãos somos adultos hoje. Naquela época era mais fácil não ter tv em casa. Podíamos brincar em frente de casa, no portão. Hoje em dia, as crianças ficam trancadas dentro de casa. No máximo, os limites vão até o play.
    Também não quis dizer que a tv ensina a ler ou contar, mas quis mostrar que ela possui conteúdos que estimulam a criança positivamente, com programas apropriados para ela. Li seus artigos e resenhas e não creio que esteja errado em seus argumentos. O que está em discussão é a proibição em relação ao aparelho. Defendemos sim, a obrigação de pais e responsáveis por colocar limites , orientar e observar o uso destes aparelhos pelas crianças, uma vez que, bani-los dos lares, nos dias de hoje, é praticamente impossível.
    Com todo respeito, e agradecendo mais uma vez sua visita a nosso espaço,
    abraço, garoto

  8. Roney Belhassof

    Eu tb concordo em gênero com o Setzer, mas não em grau.

    É claro que há muito de negativo em: ler jornais, ver tv, conversar com pessoas, fazer sexo, pensar em sexo, pensar, questionar, ter medo, ignorar, conhecer, ter raiva, ler fantasia, ler biografias, ouvir músicas tristes, ouvir música alegre, ouvir música clássica ouvir qq música, fazer esportes, não fazer esportes, comida industrializada, comida integral, escola, homeschooling…

    É ridículo dizer isso, mas somos uma espécie em evolução e talvez não haja nada que façamos que não tem algo de ruim.

    A questão é o radicalismo com que resistimos a algumas coisas e há coisas que não podemos evitar.

    Televisão, música, video-game e, principalmente, Internet não podem ser evitados. Quem não aprender a lidar com essas coisas estará totalmente despreparado para entender seu próprio tempo e decisões como as que levam ao aquecimento global e a atual crise econômica.

    Evitá-las seria como evitar o aprendizado da leitura ou o exercício das liberdades individuais que permitiram a liberação da mulher e o início dos direitos humanos no século passado.

    Tb li um pouco dos artigos do Setzer e acho uma pena que o radicalismo com que suas idéias são defendidas afaste as pessoas de certos questionamentos…

    É necessário SIM acompanhar nossas crianças (e mesmo adultos) enquanto eles aprendem a lidar com os novos paradigmas e as questões físicas que tanto preocupam o Setzer devem ser levadas em consideração e devemos criar atividades compensatórias.

  9. Valdemar W. Setzer

    Olá a todos,
    Deixei esta página aberta em meu firefox, e dando um refresh vi a mensagem do Roney.
    No Roda Viva eu disse que admitia um uso da TV na escola: como ilustração breve, com repetições, a partir da (nova) 8a. série. Eu disse à Lilian que, se ela achava que ver a transmissão sobre o presidente John Adams lhe era útil, que o fizesse. E o Roney ainda me chama de radical quanto a isso?
    Ele escreveu:
    “A questão é o radicalismo com que resistimos a algumas coisas e há coisas que não podemos evitar.
    Televisão, música, video-game e, principalmente, Internet não podem ser evitados. Quem não aprender a lidar com essas coisas estará totalmente despreparado para entender seu próprio tempo e decisões como as que levam ao aquecimento global e a atual crise econômica.”
    Roney, você toma drogas psicotrópicas? Espero que não, pois isso prejudicaria profundamente sua força de vontade. Pois se estou correto, você é radical nesse âmbito! Tem-se que ser radical quando se reconhece que algo faz mal. Tire da cabeça esse tipo de crítica, ela não tem base.
    Novamente, a questão do evitar. É POSSÍVEL EVITAR os meios eletrônicos, sim! Eu evitei para minhas crianças, as minhas 3 filhas evitam para meus 6 netos.
    “Evitá-las seria como evitar o aprendizado da leitura ou o exercício das liberdades individuais que permitiram a liberação da mulher e o início dos direitos humanos no século passado.”
    Roney, HÁ TEMPO PARA TUDO NA EDUCAÇÃO. Não há necessidade de começar cedo, como por exemplo a leitura, como indiquei no meu artigo em minha contribuição anterior. Não se deve falar de liberdades individuais completas em crianças e adolescentes. Nenhum pai dá essas liberdades nessas idades. No entanto, pode-se dar liberdades limitadas, como por exemplo dar brinquedos adequados (raridade nas famílias hoje em dia) para as crianças e deixá-las livremente escolher com qual querem brincar em cada momento. Somente após os 21 anos de idade pode-se falar em liberdade completa, e isso é até reconhecido legalmente (responsabilidade civil), baseado num profundo conhecimento intuitivo antigo da evolução do jovem.
    aaaaaaaaaaaaaaa, VWSetzer.

  10. Silvia

    Pois eu digo para minhas filhas: TV emburrece. Elas vêem mais TV do que eu gostaria, e faço um mea culpa aqui. Como eu disse, se não tivéssemos o aparelho, elas arrumariam outras brincadeiras. Eu acho, sim, a TV ruim neste sentido: de que toma tempo que poderia estar sendo usado em brincadeiras mais criativas.

    Quanto à internet, elas pouco usam ainda (a pequena, de 5, quase nada, muito, muito, muito raro mesmo; a mais velha, de 7, também muito pouco, algumas vezes sento com ela para fazermos pesquisas escolares, e pouquíssimas vezes ela usa para brincar de joguinhos). Na escola, os computadores entraram só neste último ano, para a mais velha (em que ela completou 7 anos).

    Mas eu tenho certeza de que a TV mais prejudica do que ajuda. Talvez nem tanto pelos programas, mas pela propaganda.

  11. Roney Belhassof

    Vou tentar explicar mais suscintamente o que eu disse…

    O Setzer tem uma visão materialista e mecânica dos males dessas tecnologias, concordo com ele e ainda diria acho que o conteúdo é ainda mais perigoso.

    O que não concordo é que afastar as crianças desse perigo até a avançada idade de 17 ou 21 anos seja uma forma de defendê-las! Tanto por ser impraticável quanto por não ser a melhor forma.

    A melhor forma de proteger qq um de perigos é compartilhando com ele as suas idéias a respeito e aprendendo tb com as opiniões das crianças, sim, crianças tem opinião já aos 11 anos ou até antes. Muitas vezes extremamente sensatas!

    Essas tecnologias não são como um telefone ou um forno elétrico (que emite nanopartículas nocivas à saúde), são parte dos instrumentos de socialização e transmissão de cultura.

    Radicalismos como “proibir o uso de computador até os 17 anos” ou criará pessoas que serão expostas sem o suporte dos pais ou pessoas que não entendem o próprio tempo e não conseguem se incluir nele socialmente e culturalmente.

    Além do mais que transformação mágica ocorre entre um minuto antes do aniversário e a hora do nascimento de alguém que vai completar 17 anos?

  12. Valdemar W. Setzer

    Olá a todos,
    Vale a pena continuar? Bem, vamos lá, rapidinho. Roney escreveu:
    “A melhor forma de proteger qq um de perigos é compartilhando com ele as suas idéias a respeito e aprendendo tb com as opiniões das crianças, sim, crianças tem opinião já aos 11 anos ou até antes. Muitas vezes extremamente sensatas!”
    Não se pode compartilhar todas as idéias com crianças e adolescentes. Se se fizer isso, estar-se-á tratando-os como adultos, o que é péssimo. É claro que crianças têm opiniões; minha netinha Luana, de 4 anos, tem opiniões. Mas, ainda bem, são opiniões do que lhe diz respeito, e não sobre coisas que não são próprias para sua idade. Uma das características dos meios eletrônicos é que eles não tem contexto. Ora, a educação é e sempre foi altamente contextual. Por exemplo, uma professora dá uma aula para uma classe baseada na aula anterior que ela deu para essa mesma classe, e se for uma escola Waldorf, existe integração do que é dados por todos os professores de uma classe, incluindo as intensas matérias artísticas. Um pai, ao comprar um livro para seu filho, examina-o (ou devia examiná-lo) para ver se é adequado ao ambiente e à cultura da criança. Os meios eletrônicos são meios de massa. Vila Sésemo foi projetada, se me lembro bem, para crianças de 2 a 6 anos. Ora, pois, perguntem à Sílvia aí de cima se a filha menor dela tem *de 2 a 6 anos*! Não, ela tem precisamente 5, e certamente tem um ambiente e uma cultura diferentes de outras crianças dessa idade. Os meios eletrônicos são veículos de comunicação ou meios de massa. Uma das consequências disso é castrarem a individualidade nascente das crianças e adolescentes.
    Finalmente, essas idades que citei são aproximadas. Devido ao fato de o computador forçar um pensamento formal, abstrato, matemático, lógico-simbólico, algorítmico, localizei como idade mínima os 15 aos, a idade do início do 3o. setênio, onde o pensamento abstrato começa a desenvolver-se decisivamente. Devido à necessária maturidade para a máquina ser encarada seriamente, e também poder decidir o que é bom ou mau, o que é útil ou inútil, localizei a idade mínima ideal ao redor de 17 anos, e tive comprovações experimenais disso. Utopia, quixotismo? Pode ser, mas a realidade é essa, e cada vez mais os estudos científicos estão mostrando que eu tenho estado correto há dezenas e dezenas de anos: quanto mais crianças e jovens usam um computador, pior o seu rendimento escolar. Finalmente, vejam a entrevista que dei hoje na Jovem Pan Online:

    http://jovempan.uol.com.br/jp/ -> JP ONLINE VIDEOS -> Busca -> Setzer -> OK

    Vocês terão uma surpresa sobre o assunto da entrevista.

    aaaaaaaaaaaaa, VWS.

    PS: Acho que a Sílvia nos mostrou como os aparelhos eletrôncios deixam as pessoas, os pais em particular, impotentes, não conseguindo eliminar os aparelhos. Que tragédia! Aliás, segurem-se pois vou chocar quase todos: a TV foi a maior tragédia que já ocorreu na humanidade.

  13. Elias Vasconcelos

    Hoje, ao navegar pela internet,”descobri” que no programa “Roda Viva” da TV Cultura no dia 01/12/08,o Prof.Valdemar Setzer foi entrevistado.
    Fiz então uma pesquisa no ORKUT e Chats para acompanhar os comentários a respeito tanto da entrevista e a maneira como as pessoas INTERPRETARAM a personalidade e as idéias do Professor.
    A seguir faço algumas perguntas para ajudar a reflexão e não para a confusão.
    Quem realmente tem se preocupado verdadeiramente com o tipo de adulto que estamos ajudando a formar e informar para as gerações futuras? Quem tem ido as escolas de ensino fundamental das periferias de nossas cidades e constatado que tipo de EDUCAÇÃO as crianças estão recebendo? Quem tem tido contato com crianças de 7,8,9,10 anos que falam sobre namoro, beijo na lingua e mesmo relação sexual com a maior naturalidade? Quem tem presenciado recreios em escolas que mais parecem zona de guerra? Quem tem acompanhado crianças de 7,8,9,10 que assistem televisão, brincam com vídeo games e mexem em computadores, mais não tem coordenação motora fina e grossa, não tem imaginação, não conseguem nem ao menos escrever “bola e moto”? Quem tem olhado para esta sociedade e achado que ela está desevoluindo em vez de evoluindo? Quem tem tido ao menos coragem e coerência para falar e VIVER aquilo que ensina, prega ,e demonstra? Quem tem respeitado,não aceitado, mas pelo menos respeitado a opinião diferente? E por fim. Quem não entende que os problemas sociais(escolares,religiosos,familiares, etc…),econômicos,éticos, morais, ecológicos e etc… que assolam nosso planeta e as pessoas que nele habitam não são oriundos da tecnologia, mais principalmente daqueles que usam inconsequente,egoística,avarenta,narcisística,orgiastica e manipulativamente tais meios?

    “Devemos julgar um homem mais pelas suas perguntas que pelas respostas.” (Voltaire)

    “Posso não ser a favor de nenhuma palavra que tu dizes, mas denfenderei até o último instante o direito de dizê-la.”
    (Voltaire)

  14. Valdemar W. Setzer

    Desculpem, apertei alguma tecla idiota e minha contribuição anterior foi enviada. Quem sabe o moderador consegue continuar daqui, substituindo o fim do anterior.

    Pode ser que alguns fanatismos religiosos destruam alguns indivíduos, talvez atá não fisica, mas mentalmente. Mas isso é desprezível face à destruição física, psicológica e psíquica que está sendo feita nos indivíduos pela tecnologia.
    A solução é termos consciência do que ela faz, e colocá-la em seu devido lugar. Em lugar de dominá-la, estamos sendo dominados por ela. Vejam meu artigo “A missão da tecnologia”, em
    http://www.ime.usp.br/~vwsetzer/missao-tecnol.html
    Finalmente, parece-me que desde a década de 1950 começaram a haver ataques, para a destruição da humanidade, diretamente às crianças e jovens. (Acho que isso foi uma das consequencias da 2a. guerra.) Antes, eles eram relativamente protegidos — como eu fui, quando criança. Temos que voltar a protegê-los. Não tenho esperança nas massas, acho que estão irremediavelmente perdidas. Tenho esperanças em indivíduos. É por isso que continuo lutando. Obrigado, Elias, por ajudar-me nessa difícil missão.
    aaaaaaaaaaaaaaa, VWS.

  15. Valdemar W. Setzer

    Parece que o que ocorreu foi a eliminação do primeiro trecho da minha contribuição — pensei que tinha sido enviada. Se me lembro bem, escrevi que o Elias deu um grito de quem está consciente do que está se passando com a humanidade.
    Em seguida, fiz a pergunta “O que está destruindo a natureza e a sociedade, os fanatismos religiosos — e espero que todos os participantes sejam contra eles — ou a tecnologia?”

  16. Silvia

    “O que está destruindo a natureza e a sociedade, os fanatismos religiosos — e espero que todos os participantes sejam contra eles — ou a tecnologia?”

    Pois é, volta e meia me pego pensando nisso. A tecnologia é um conforto, vicia, e destrói. Precisar, na maioria das vezes, a gente não precisa, mas é difícil abrir mão dela.
    :-/

    Pois é, Sylvia, a tecnologia é um conforto, vicia, e destrói, quando usada sem critério. Eu diria que, em muitos casos, é quase impossível abrir mão dela.
    beijo, menina

  17. Valdemar W. Setzer

    Olá a todas/os,
    Vou comentar apenas um ponto: o problema de não se poder evitar a tecnologia. De fato, totalmente, não, mas parcialmente, sim, principalmente a supérflua. Hoje tive que ir daqui de Sto. Amaro, em São Paulo, para o consultório de meu cirurgião, em frente ao Hospital Sírio Libanês. Poderia ter ido de carro, mas fui de ônibus. Aproveitei a hora de viagem para ler (aliás, em geral sou o único que lê nos ônibus e no metrô), e não fiquei nervoso com o trânsito.
    Dá para evitar o trânsito com crianças? Sim, basta tirá-las de casa o mínimo possível. Até que nossos filhos tivessem 1 ano de idade, não saíam de casa nem a pau — os avós tinham que vir visitá-los. Eu tinha um sentimento de que o carro e o trânsito eram muito agressivos para nossas crianças pequenas. Jamais levamos nossas crianças ao supermercado. Etc. etc.
    Dá para evitar os meios eletrônicos com crianças e adolescentes? CLARO QUE DÁ! Desde que os pais não maltratem os filhos, ainda podem fazer o que quiserem em casa — começando por não ter TV e jogos eletrônicos. E não dar a senha dos micros para os filhos — há coisa mais fácil do que isso? Uns e outros dirão: “Mas eles vão usar no vizinho!” Ah, é? Comparem o tempo que o Zezinho ficaria usando em sua própria casa com o tempo que ficará usando no vizinho. Com relação à TV, ela está uma tal estupidez e baixaria que provavelmente qualquer pai ou mãe de vizinho vai respeitar se lhe for pedido para não ligar a TV euquanto o zezinho estiver la’.
    E por falar nisso, estes últimos 30 dias renderam — escrevi dois artigos bem grandes. Neles eu coloco a pesquisa recente sobre os efeitos negativos dos meios eletrônicos (preciso ainda acrescentar no 1o. artigo uma que foi publicada agora em janeiro, mas cujo resultado já foi coberto por outras 4: quanto mais os alunos usam um computador, pior o rendimento escolar). Copiando de meu site:

    http://www.ime.usp.br/~vwsetzer/efeitos-negativos-meios.html

    e o último, que terminei hoje (ainda falta acertar os vínculos do índice), e que é o primeiro só sobre TV em geral — ainda nem coloquei um vínculo para ele na minha home page, vocês o estão recebendo em 1a. mão!):

    http://www.ime.usp.br/~vwsetzer/tv-antieducativa.html

    Aguardo comentários, principalmente objetivos, isto é, do tipo “você está errado no ponto x pois y.”

    aaaaaaaaaaaaaaaaa, VWS

  18. Marco Bertalot-Bay

    Olá Valdemar, (e demais participantes)

    Tento refletir sobre o que estaria “mais embaixo” nessa polêmica interessante sobre os meios eletrônicos. Por um lado a polêmica por si já pode ser frutifera, simplesmente por estimular a reflexão sobre esse tema atual e vital.

    É sabido que a forma da comunicação co-determina o conteúdo veiculado, acrescentando-lhe o sentimento e inteções mais profundas, às vezes inexprimivel em conteúdos x e motivos y… Isso significa que a nossa mensagem muda (chega de maneira diferente) quando mudamos “apenas” a forma de apresentar o mesmo conteúdo.

    Portanto estou longe de querer aqui dizer que “você está errado no ponto x, pois y.” (conforme suas próprias palavras, acima). Não me refiro ao conteúdo intelectual do tema. Se não fosse justamente a questão da forma de exposição do tema (da formulação) eu poderia dizer com tranqüilidade que concordo com 99% de tudo o que achei que você quis dizer nos artigos e entrevistas que pude apreciar. Aprendi muito com você e te agradeço por isso. O trabalho realizado é grande e valoroso.

    Cito neste ponto, a frase de um amigo que me dizia que em comunicação não interessa o que a gente quis dizer, mas o que o outro entendeu. Minha intenção neste comentário pede mais um balbuciar cuidadoso que me dê a sensação de estar, pelo menos tentando, ir além do conteúdo formal. Certamente você terá o que acrescentar, pois todo pensamento pode “puxar” o próximo… Alguém põe o tijolo, outro a argamassa e um terceiro pode perceber que os fortes ventos do sul pedem o plantio de árvores protetoras para essa casa específica que se está por construir, etc…

    Grande abraço do
    Marco

  19. Valdemar Setzer

    Olá, Sílvia e Marco,

    Pode-se evitar totalmente a tecnologia? Não. Além disso, ela tem uma missão muito importante, como eu escrevi no artigo “A missão da tecnologia”, que já citei em outra colaboração: libertar o ser humano das forças da natureza, interiores e exteriores a ele (se eu não tivesse vindo hoje de Campos do Jordão para São Paulo de carro, e sim à pé, ainda estaria na serra, isso, se tivesse usado sapatos…). Mas o problema não é só da tecnologia: tudo influencia o ser humano, pois ele incorpora todas suas vivências, a maior parte no sub- e inconsciente. Quem estiver lendo estas linhas, não será extamente o mesmo ao chegar ao fim delas.

    O que é necessário fazer é conhecer muito bem o que a tecnologia é e seus efeitos sobre o usuário e o ambiente. E aí usá-la criteriosamente, isto é, colocando-a em seu devido lugar, ou mesmo evitando-a se benéfico e possível. Infelizmente, em lugar de ela libertar o ser humano, está escravizando-o cada vez mais.

    Quanto à forma de eu escrever, infelizmente tenho uma formação e profissão científicas, e isso moldou minha maneira de me expressar. Procuro sempre fazê-lo conceitualmente, com o máximo de estrutura e clareza que consigo, sem apelar para os sentimentos do leitor. Procuro justificar meus argumentos, inclusive citando trabalhos de outros. Com isso, certamente restrinjo o meu público leitor. Mas quando dou palestras, a coisa muda de figura. Inclusive já dei palestras para alunos até de 5a. série, para pais de escolas de periferia, para igrejas, centros espíritas, escoteiros, grupos de amigos, etc., e aí sempre procuro adaptar-me ao público ouvinte e não fico citando bibliografias. Alías, as entrevistas em meu site também são para um público mais amplo, confiram. Se alguém quiser ver os ambientes em que tenho dado palestras, vejam a minha página

    http://www.ime.usp.br/~vwsetzer/pals/pals-cursos.html

    Se alguém tiver uma sugestão concreta de como eu poderia fazer para atingir um público mais amplo sem cair na propaganda, grite, por favor!

    Ah, una cosita más: achei curiosíssimo um colaborador ter dito que minha visão da tecnologia é materialista. Por essa eu jamais teria esperado, pois a realidade é justamente oposta. Por favor, leiam por exemplo meu artigo

    “Ciência, religião e espiritualidad”, em

    http://www.ime.usp.br/~vwsetzer/ciencia-religiao-espiritualidade.html

    para ver minha posição a respeito do materialismo. Aliás, estou agora escrevendo uma resenha sobre o livro do Richard Dawkins, “The God Delusion”, traduzida erroneamente por “Deus, um delírio”. Já estou na pg 77 dele, minha página 11; se alguém quiser ler o que escrevi até agora, que já é bastante substancial, peça-me por e-mail, por favor (ver meu endereço em meu site).

    aaaaaaaaaaaaa, VWSetzer.

  20. Simao Pedro

    Você fala em pesquisas do Setzer sobre o impacto terrível dos meios eletrônicos na mente e personalidade de crianças e adolescentes. Pois pesquisa é exatamente o que ele não faz. Como eu já disse no meu blog, Setzer é um exemplo, pronto e acabado, do chamado “viés de confirmação”. Esse viés é a tendência a aceitar, sem questionamento, qualquer argumento que seja favorável à teoria que corrobora uma opinião que abraçamos, na qual cremos. E é isso o que Setzer busca. Ele se baseia na “doença” – o “viciado em games”, o “maníaco da internet”- para reforçar sua convicção. Com a exceção, quer estabelecer uma regra.
    E parece que tem a mania de ir ao blog das pessoas que se opõem às idéias dele e sugerir que leiam seus artigos, todos no seu site. Fez isso comigo, fez isso com você.
    Claro que já li artigos dele, muito antes que me recomendasse, sobre a conveniência de não se permitir às crianças e jovens usarem computador, internet, TV. Encontrei os artigos do Setzer apenas no site dele; jamais os encontrei em periódicos qualificados que tratam da informática na educação onde seriam submetidos à análise de pares. Recomendo a meus orientandos na PG a leitura dos textos de Setzer. É preciso que vejam “o outro lado”. Ainda que, claro, acabem de maneira geral ridicularizando as posições dele.

    1. Adolfo Neto

      Caro Simão,

      Toda ideia nova e correta que vai contra a maioria acaba gerando reações. É principalmente isso que acontece com o prof. Setzer.

      Quanto ao “viés de confirmação”, não vejo isso nos artigos do prof. Setzer pois inúmeras vezes ele cita artigos e opiniões de pessoas que são favoráveis à informática na educação (ex. Papert), a jogos eletrônicos (ex.: Kanitz), à TV.

  21. Valdemar Setzer

    Olá, Simão,

    Você tem razão em dizer que não faço pesquisas em computadores na educação, se estiver se referindo a pesquisas de campo. Mas faço pesquisa bibliográfica: nessa área, tento ler o máximo de coisas que saem sobre meios eletrônicos e educação.

    “E parece que tem a mania de ir ao blog das pessoas que se opõem às idéias dele e sugerir que leiam seus artigos, todos no seu site. Fez isso comigo, fez isso com você.”

    Isso não é verdade. Caí neste blog por acaso, acho que procurando pela minha entrevista no Roda Viva, para ver se estava gravada ou transcrita na Internet. Não me lembro se comentei o que falaram de mim em algum outro blog, mas este é o único ao qual tenho enviado contribuições.

    Eu sugiro ler meus artigos para que, objetivamente, se possa criticar minhas idéias. Eu acho que escrevi justamente isso acima.

    “Encontrei os artigos do Setzer apenas no site dele; jamais os encontrei em periódicos qualificados que tratam da informática na educação onde seriam submetidos à análise de pares.”

    Se você olhar meus artigos, verá que muitos foram publicados. Enviei há pouco um para um congresso. Eu tenho tanta coisa para estudar e escrever, que em geral não tenho tempo para adaptar algum artigo para publicação e ter o trabalho de submeter. Nem me preocupo mais com isso, desde que pude começar a colocar meus artigos na Internet. E não preciso fazer currículo, pois cheguei ao topo da carreira acadêmica e aí me aposentei. Aliás, curiosamente, eu e os outros 3 colegas que se aposentaram em meu departamento continuamos a dar aulas nele e orientar estudantes, sem ganhar nada com isso.

    “Recomendo a meus orientandos na PG a leitura dos textos de Setzer. É preciso que vejam “o outro lado”. Ainda que, claro, acabem de maneira geral ridicularizando as posições dele.”

    Ridicularizando atrás de minhas costas??? Será falta de coragem de escrever-me expondo objetivamente suas objeções às minhas idéias e às pesquisas que cito??? Bela formação seus alunos estão tendo!

    aaaaaaaaaaaaa, VWS.

  22. Valdemar Setzer

    Olá, Simão,

    Meu artigo “A critical view of the ‘One laptop per child’ project” foi aceito pelo IFIP 9th WCCE (International Federation of Information Processing, World Conference on Computers in Education).

    aaaaaaaaaaaaa, VWSetzer.

    1. Adolfo Neto

      Parabéns!

  23. Valdemar Setzer

    Olá a todos,
    A contribuição do Adolfo Neto, que me foi comunicada pelo sistema do blog por e-mail, levou-me a ler toda essa discussão novamente.
    É muito interessante notar como várias pessoas estão tão dominadas pela tecnologia que não conseguem encará-la com objetividade. Mas o que eu queria mesmo dizer hoje é que há tempos terminei a resenha sobre o livro do Richard Dawkins, _The God Delusion_. Em meu site, ela encontra-se em

    http://www.ime.usp.br/~vwsetzer/review-the-god-delusion.html

    e foi publicada agora em janeiro pela excelente revista eletrônica Southern Cross Review.

    Tenham dó das crianças e adolescentes. Eles nunca foram atacados de maneira tão agressiva e ampla quanto agora. Sim, como foi comentado por alguém os tempos mudaram — do ponto de vista humano psicológico e psíquico, para muito pior. E vai continuar a piorar, o que exigirá cada vez mais proteção à crianças e adolescentes. Mas isso requer cada vez mais sacrifício dos adultos (por exemplo, não ter TV em casa ou mantê-la trancado ou desligada, só usando-a em casos muito especiais), o que parece não ser muito do agrado geral.

    Para os pais jovens: seus pequenos sacrifícios feitos agora, para preservar a infantilidade e juventude de seus filhos, poderão significar muito menos dores de cabeça e muito mais alegrias mais tarde. Espero que consigam contruir em seus lares um ninho cada vez mais protetor; quando seus filhos voarem dele, terão muito mais energia para enfrentar as crescentes misérias do mundo, e serão muito mais críticos em relação a elas, pois não terão tido contato com essas misérias desde pequenos, acostumando-se a elas. Minha experiência com meus 4 filhos e a de minhas filhas com meus 6 netos (a maior tem 13 anos) tem mostrado isso pontualmente.

    De resto, acho que comentei tudo o que escreveram sobre mim e minhas idéias. Se faltou algo, por favor, manifestem-se.

    Tudo de bom para 2010. Ah, e também 2011, 2012, etc.!

    Abraços a todos.

  24. andrea cortez alvarez

    Olá à todos!!

    Sou mãe de dois filhos, 5 e 7 anos.
    Não temos TV em casa!!
    Meus filhos são FELIZES…brincam a tarde inteira e não sentem falta de TV.
    Aos finais de semana, vou para minha casa de praia, lá temos duas TVs, eles assistem filmes infantis escolhidos por mim ou pelo meu marido…por pouco tempo, pois, logo vão brincar..
    E, PASMEM…muitas vezes vamos para lá e eles nem pedem para assistir!!
    Sabe qual é a diferença de assistir ou não TV…é BRINCAR COM SEU FILHO…É DAR ATENÇÃO AO SEU FILHO….

    Não existe a PROIBIÇÃO em nossa casa e sim o SIM para outras atividades..

    Ao invés de assistir na TV programas que ensinem a fazer isso ou aquilo…faça você mesmo com seu filho…
    Um brinquedo bem fácil….Pés de Lata….use duas latas de achocolatado, peça ao seu filho para pintar num papel um desenho, cole para decorar e depois coloque uma cordinha ou barbante..
    Com essa brincadeira você ficou com seu filho mais ou menos uns 50 minutos sem a necessidade da TV..

    Na hora de dormir…conte histórias para ele de preferência dos irmãos GRIMM..são contos de fadas originais.

    AH!! Outra dica boa….faça pão ou bolo com seu filho…é isso mesmo….deixe ele mexer a massa, colocar a farinha, os ovos….além de ser divertido e gostoso, para aqueles que acham que a criança aprende com a TV…com essa atividade você pode ensinar matemática, organização, como repartir…contar histórias da sua infância , etc…e tudo que a sua inteligência de adulto puder explorar..

    PESSOAL, ULTIMA DICA E TALVEZ A MAIS IMPORTANTE….joguem no GOOGLE PEDAGOGIA WALDORF…é tem um nominho estranho, mas, é a Pedagogia que trará VIDA SAUDÁVEL para seu filho e LONGE DAS TELAS!!

    Não julguem o Dr. Valdemar como radical…ele não proibi o uso das telas e sim o mau uso…e para crianças até 07 anos o uso da TV é um mau uso, é prejudicial para o desenvolvimento saudável.
    Leiam um pouco mais sobre o assunto, aprendam a digerir antes de julgar.

    Percebam exemplos ao redor de vocês….tenho certeza que algum de vocês já viram pais reclamando de:
    – Meu filho não dorme a noite!
    – Meus filho tem brincadeiras agressivas!
    – Meu filho só come se tiver a TV!
    – Meu filho não interage com outras crianças!
    – Meu filho só dorme tarde!

    Perguntem à esses pais, quanto tempo essas crianças passam na frente de uma Tela!!!!

    Uma boa noite e um forte abraço à todos.
    Andrea

  25. Carol

    É muito difícil administrar o uso da televisão, mesmo no período da tarde em que passam programas podres. E ainda mais hoje em dia em que mãe sai para trabalhar, os filhos às vezes ficam com os avôs e tudo mais… Quero educar os meus filhos em contato com a natureza, ensinar ele a plantar, cuidar, colher.. observar as estrelas e a lua com um telescópio, incentivar ele nas suas pinturas… instigar o gosto pela música…

    acho que criança deve ser ocupada! ocupada limpando a sujeira de lama que pegou quando estava brincando no quintal, ocupada desenhando, ocupada aprendendo a tocar um instrumento musical, ocupada dançando ou praticando um esporte, ocupada preparando isca pra pescar….

    Eu vive um pouco assim e quando cresci me contaminei um pouco com a internet, hoje eu amadureci e me livrei dela, só uso pra pesquisar coisas de meu interesse e só!

    Na internet, o que eu acho de perigoso além da pornografia, são as REDES SOCIAIS que muitas vezes fazem você se moldar sem se perceber, quando passa o tempo, você está batendo fotos só para postar, está mudando o seu vocabulário, está com conversas idiotas e conhecendo gente que não dá a mínima para você, só para a sua imagem.
    É um mundo de imagem! um mundo vazio!

    A internet é boa no meu caso, só para pesquisas.. conhecimento e para eu me informar do que eu quero! pois se sentarmos no sofá para nos informar, vamos estar sujeitos a comerciais estúpidos e a informações que não nos interessam.

  26. Carol

    andrea cortez alvarez, obrigada por compartilhar boas ideias, vou pesquisar sobre a PEDAGOGIA WALDORF.

    Concordo com você e sou adepta do que tu considera saudável e das tuas escolhas. Eu ainda não tenho filhos mas quero muito ter e gosto muito de ler sobre métodos pedagógicos e tudo mais, além disso quero ser professora e me cativa e interessa muito o assunto sobre formar cidadãos. Penso em não ter televisão também quando casar.
    Embora eu queira ser professora, me interessa muito a tal da ESCOLA EM CASA, é muito interessante também….

    Tudo de bom

  27. Gustavo Nogueira

    Sinto muito professor Ademar, mas não é nem o caso de ser ou não possível evitar por completo a tecnologia, mas sim o porque disso. Comparar um video game com cigarro é uma analogia no mínimo muito ruim. Dizer que são inúteis então é pior ainda, pois ignora inúmeros aspectos desse meio. Os artigos citados que vão “contra” os jogos tb são fraquinhos, mas se quiser posso enviar dezenas de artigos excelentes, sobretudo no que tange a linguagem, mostrando muita coisa boa sendo feita a partir e através desses jogos. Talvez devesse conhece los melhor antes de simplesmente falar mal de forma até mesmo leviana. Entendo o ponto de vista, mas acho que precisa de melhor sustentação. Isso porque nem entrei no mérito dos filmes, videos, textos etc que circulam pela internet

  28. Marcos Antonio

    Não caíam nesses “argumentos” do Gustavo Nogueira, ele claramente não leu os artigos do Valdemar Setzer. Com certeza é alguém que tem vínculos com os vídeos games e sentiu-se emocionalmente afetado.

    A analogia entre os vídeos games e os cigarros é mais do que perfeita, já que está extremamente comprovado que os jogos eletrônicos (aqueles que costumam ser mais usados) causam sim danos ao indivíduo, muito piores do que quaisquer míseros benefícios possivelmente oriundo dos mesmos. Na minha opinião, os efeitos maléficos dos vídeos games são ainda piores do que o cigarro; enquanto este prejudica o corpo, aqueles afetam a coisa mais importante que temos, nossa mente (isso porque os jogos, a maioria, afetam o corpo através do sedentarismo). Mas ressaltando que isso é uma questão subjetiva (eu, por exemplo, preferiria afetar o corpo ao invés das minhas capacidades mentais, ao passo que você poderia pensar o contrário).

    Os vídeo games mais jogados incentivam sim a violência;
    Deixa a pessoa num condição de passividade enorme, ou seja, praticamente não estão usando o cérebro;
    Cria “pathways” na mente de situações que NÃO existem na realidade;
    E o mais problemático, na minha opinião, é a questão que os jogos tiram as pessoas de atividades EXTREMAMENTE mais produtivas e SAUDÁVEIS, como ler um livro, praticar esportes, estudar, etc.

  29. Valdemar W. Setzer

    Olá a todas/os,
    Fui avisado pelo blog Sturm und drang! de que houve contribuições nesta página. Reli contribuições e o que escrevi. Antes de comentar as últimas postagens, quero chamar a atenção para o fato de que, desde a época do início da minha contribuição, eu ter escrito e publicado mais artigos e ter dado mais entrevistas sobre o os problemas causados pelos meios eletrônicos e outros assuntos. Por exemplo, vejam o artigo “O que a Internet está fazendo com nossas mentes?” em
    http://www.ime.usp.br/~vwsetzer/internet-mentes.html
    e a entrevista que dei para a TV da Univ. Fed. De Sta. Catarina
    http://www.youtube.com/watch?v=eD-njZ058Bw
    http://www.youtube.com/watch?v=vjszQ3eUZDU
    http://www.youtube.com/watch?v=_tKh32WMCh4
    CAROL, os americanos são extremamente práticos, e nós somos teóricos e burocráticos. Assim, lá nos EUA é permitido o ensino em casa, o home schooling. Se os pais conseguem dar um ensino satisfatório para seus filhos e talvez vizinhos, por que não admitir isso, já que economiza uma enormidade para a escola pública? O que eles fazem é enviar um professor de vez em quando para avaliar se as crianças estão aprendendo satisfatoriamente. É óbvio que existem senões, como a falta de sociabilidade que a escola representa. Só que, hoje em dia, o que as crianças aprendem com os coleguinhas é em geral tão horrível que muitos pais conscientes preferem prover a sociabilidade com os vizinhos. Há toda uma orientação Waldorf para o home schooling, veja, por exemplo.
    http://www.live-education.com/
    http://www.christopherushomeschool.org/
    http://www.waldorfhomeschoolers.com/
    Não é “extremamente difícil” controlar o uso dos meios eletrônicos pelas crianças. A primeira coisa a fazer, quando elas são pequenas, é não usá-los quando elas estão acordadas, pois elas aprendem por imitação e quererão imitar os pais. (Quem sabe o “extremamente difícil” seja os pais deixarem de usá-los enquanto as crianças estiverem acordadas…). A segunda é introduzir o costume de usá-los só em ocasiões especiais, por exemplo a família assistir um vídeo, ver fotos etc. A terceira é introduzir nos cabos de força dispositivos comutadores com chave, e só inserir essa chave e ligá-los em ocasiões especiais. O mais importante é que TV, video game, computador e Internet NÃO devem fazer parte da vida familiar pois, para começar, destroem-na.
    GUSTAVO NOGUEIRA, não lembro se e onde fiz a comparação do video game com cigarro, mas ela não é de todo má, pois ambos viciam e produzem vários prejuízos. No caso do cigarro, os prejuízos são físicos e a diminuição da força de vontade (pois se a aumentassem seria fácil parar de fumar). No caso dos video games, há prejuízos físicos, como o sedentarismo citado pelo MARCOS ANTÔNIO, com terríveis consequêcias devido ao excesso de peso, e também por ativar certas áreas cerebrais (por exemplo, de decisões inconscientes, automáticas) em detrimento de outras, como foi comprovado por Vincent Matthews e colaboradores (2011(infelizmente ainda não citei esse artigo em

    http://www.ime.usp.br/~vwsetzer/efeitos-negativos-meios.html

    mas faça uma busca nesse artigo com “tomografia” para ver uma citação desse fato). Abordei a questão do vício, citando muitos artigos, no capítulo “17. O problema do vício.”

    Os piores prejuízos dos video games, em minha opinião, são sociais e psicológicos. Está fartamente provado cientificamente que os video games violentos aumentam a agressividade (que vai desde se gritar para outra pessoa até cometer homicídio). Veja, por exemplo, a citação no artigo acima do trabalho de Anderson, C.A. e K.E. Dill (2000).

    Do ponto de vista social, um interessante estudo foi feito por Bushman e Anderson (2009) – veja no meu artigo – mostrando que os video games e filmes violentos diminuem a empatia, a compaixão.

    Quanto à inutilidade dos video games, não há nada 100% ruim ou 100% bom no mundo. Em uma de minhas inúmeras palestras um pai declarou: “Meu filho aprendeu inglês jogando video games violentos!” Gustavo, adivinhe o que lhe respondi. Pulo uma linha para você tentar responder.

    Eu perguntei: “Não há um meio mais sadio para se aprender inglês?” Sim, pois em minha opinião dos prejuízos que essa criança teve ultrapassaram certamente de longe esse pretenso benefício.
    Gustavo, se os artigos que citei, tirados de revistas científicas de primeira linha, são “fraquinhos”, onde eu poderia achar melhores? Além disso, tive a pachorra de examinar os estudos estatísticos para ver se eram adequados, tomando o cuidado de citar apenas os que usaram análises multivariadas. Procure no artigo citado acima por “sapato” para ver um exemplo hilário de análise estatística bivariada.
    Conheço alguns artigos que mostram benefícios dos video games – eles são em geral todos financiados pelas indústrias de games, como foi o caso dos artigos “científicos” que mostravam que os cigarros não faziam mal à saúde, financiados pelas indústrias do tabaco. Houve uma exceção, o famoso de Green e Bavalier (2003), mas ele teve um viés terrível: verificou que pessoas que jogavam video games violentos tinham melhor reação visual, mas testaram isso com computadores, e não colocando os sujeitos num bosque, por exemplo. É óbvio que os games melhoram o rendimento naquilo em que eles são especializados. Mas se você conhece artigos “excelentes” mostrando “muita coisa boa sendo feita a partir desse jogos”, por favor, cite as referências para eu estudá-los. Quanto a eu fazer críticas “levianas”, bem, acho que isso deve ser julgado pelos meus leitores e ouvintes, e pelos que me conhecem pessoalmente. Eu, pelo menos, tento ser sério.

    Você termina com a Internet. Veja alguns dos problemas terríveis que ela causa no primeiro artigo que citei acima. Mas ele não trata do vício. Faça uma busca com Nabuco no último artigo citado para ver que cerca de 10% dos usuários da Internet são dependentes dela. Isso mais o perigo que ela representa para crianças e adolescentes, como mostrei em
    http://www.ime.usp.br/%7Evwsetzer/como-proteger-resenha.html
    por si só já deveriam convencer quem tem conhecimento, é sério e tem responsabilidade de que a Internet não é para crianças e adolescentes.
    Marcos Antônio, obrigado por ter me apoiado; é reconfortante saber que não estou sozinho em minha campanha.
    aaaaaaaaaaaa, VWS.

  30. Valdemar W. Setzer

    Olá a todas/os,
    Novamente devo ter premido uma tecla e a postagem acima foi enviada durante a revisão que eu estava fazendo. Revi até a citação da pesquisa de Vincent Matthews, e eu ia citar uma referência ao trabalho dele, em

    http://healthland.time.com/2011/12/02/how-playing-violent-video-games-may-change-the-brain/

    Não continuarei a revisão, já que não poderei corrigir o texto; desculpem pelos eventuais erros de digitação.
    aaaaaaaaaaaa, VWS.

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