Quem nunca errou, atire o primeiro twitter…

Há quem diga que o Twitter é um paraíso para quem escreve errado.

Creio que é exatamente o contrário: é um verdadeiro inferno.

A patrulha dos que consideram inadmissível alguém escrever com erros básicos de ortografia e concordância não dá trégua. Surpreende-me tantos tuítes indignados expressando repulsa por quem teve a audácia de escrever errado no twitter.

Antes de continuar, quero esclarecer que não considero “erro” o falar ou o escrever alheio. Talvez algumas inadequações ao uso formal da Língua. Há desvios da Norma considerada culta, mas, não necessariamente erros.

A língua certa é a que comunica, a que emociona, a que toca o outro. Sou do time do Mestre Manuel Bandeira:

A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros
Vinha da boca do povo na língua errada do povo
Língua certa do povo
Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil
Ao passo que nós
O que fazemos
É macaquear
A sintaxe lusíada

Entendo que uma pessoa possa se incomodar com os tropeços linguísticos alheios. Respeito seu direito de expressar tal descontentamento. Por outro lado, entretanto, também entendo que o erro, em algum momento, é perfeitamente previsível. Não vejo razão para a execração pública.

Revisor, crítico ou humorista

“Ah, mas não é admissível uma pessoa escrever errado na internet!”, dirão vocês.

De Sacha a Chalita, temos presenciado uma turba enraivecida ou debochada diante de “trocas de letras” na timeline.

Não é possível  “certas pessoas”  escreverem errado, não é mesmo?

É impressionante como certos erros, na internet, possam incomodar tanto. E, para ser sincera, incomodam mesmo, principalmente quando sabemos o nível cultural do transgressor.

Parafraseando Bagno, observo que o problema não está “naquilo” que se escreve, mas em “quem” o escreve. Neste caso, o preconceito linguístico é decorrência de um preconceito social.

No entanto, colocar-se como revisor, crítico ou humorista que corrige o texto alheio, ou faz piadas às custas do escorregão linguístico de outrem é, queiram ou não, um “erro” também.

Arrogância, prepotência, zombaria e preconceito não são erros tão ou mais graves?

É óbvio que, em alguns contextos, como nos blogs, devemos optar pela norma culta da linguagem. Porém, em uma rede  social, em que a interação é mais importante, penso que, se seguirmos *Dona Norma à risca, apresentaremos uma linguagem muito artificial. E isto não combina com o Twitter, em que o mais importante é a comunicação.

Escrevam- errado ou certo

Acredito que é mais importante estimular que as pessoas escrevam, escrevam muito – errado ou não – do que que bloquear a criatividade e a liberdade de expressão, em nome de uma norma gramatical elitista.

A correção feita pelas outras pessoas pode levar quem escreveu de forma equivocada a se calar, temendo a execração e o escárnio dos que “nunca erram”.

Às vezes, tenho vontade de escrever errado para ver a reação dos “revisores” de plantão. Talvez me recomendassem o teclado que aplica choque no dedo do usuário, ou uma caneta que vibra quando ele cometer um erro.

Logicamente não transgredirei a norma. Não intencionalmente. Quem tem um blog está consciente de que é imprescindível a escrita gramaticalmente correta. Mas dá vontade…

Atire a primeira pedra

Lembrei-me, agora, de um certo texto que li, há algum tempo. Nele, o autor criticava erros alheios na internet. No entanto, neste mesmo texto, utilizara a forma “houveram” de modo equivocado.

Ninguém é infalível e domina a língua portuguesa totalmente, dada sua complexidade.

Então, crianças, escrevam mal, escrevam bem, mas não parem de escrever.  Leia quem quiser ou puder.

No final das contas, se for impossível aceitar a transgressão, pare de seguir o assassino da língua portuguesa. Atirar pedras (no caso, a gramática) em cima de quem comete erros é muita prepotência.

Quem nunca cometeu um errinho de português sequer que atire a primeira pedra. No caso, tuitada.

Em tempo: Se acharem erros em meu texto, me avisem! =s

 

 

*Dona Norma – como eu me refiro à norma gramatical.

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