O barulho mora ao lado

No último andar é mais bonito:
do último andar se vê o mar.
É lá que eu quero morar.

Cecília Meirelles já dizia que “no último andar é mais bonito”. Concordo plenamente. Este era um desejo antigo: morar no último andar. Pois há dois anos estou morando no último andar. Com certeza, é mais bonito olhar a vida lá de cima. Com a vantagem de que o barulho da vizinhança fica todo lá embaixo.

Ficava. Seria um paraíso perfeito se não chegassem os novos vizinhos (foi só eu falar neles e já levo um baita susto neste momento: uma pancada forte na parede de meu quarto…) Era justamente este o assunto do post: o barulho do apartamento ao lado.

Não sou chegada a fofocas, mas, esta história seria cômica se não fosse séria. Principalmente para quem sofre de insônia e, quando finalmente consegue cochilar, ‘pou’, uma pancada na parede e um susto de fazer o coração disparar. É terrível ser acordada abruptamente com um susto. O coração vem à boca.

Não detectei o que provoca as pancadas. Imagino que as crianças, dois gêmeos lindos, batem o pé na parede enquanto dormem. Só pode ser isto, já que os barulhos acontecem de madrugada, fazendo-me acordar sobressaltada. Talvez tenham a síndrome das pernas inquietas que se agrava durante o sono noturno.

Quando eles vieram morar aqui, eu, lerda como sou, pensei que as batidas na parede fossem da vizinha do andar de baixo, uma senhora já idosa, que costuma reclamar do barulho. Realmente, os meninos são barulhentos, o que é natural para a idade deles. Só há pouco tempo é que percebi que as pancadas vinham da parede ao lado de meu quarto.

Ultimamente, além das pancadas na parede, um outro som tem me acordado assustada. São gritos no meio da noite. Na primeira vez, pensei que a vizinha, mãe dos gêmeos, estivesse passando mal. Mas, logo o barulho cessou e eu voltei a dormir.

Noites depois, os gemidos retornaram, agora mais fortes e demorados. E o pai dos meninos também gemia, ou melhor, urrava. Como sou lerda. Era isso mesmo que vocês estão pensando. E eu, em minhas madrugadas insones, ia para a sala, ligava a tevê para abafar um pouco aquela manifestação de amor no apartamento ao lado.

Acho que deveria se acrescentar um novo direito à lista de Direitos Humanos: “Toda pessoa tem o direito ao silêncio para dormir dentro de sua casa.” A casa é o meu espaço. Quero silêncio para dormir. E aquela história de que “a minha liberdade vai somente até o momento em que se inicia a liberdade do outro”? Não conta?

O amor é lindo, mas, convenhamos, precisa ser tão explícito? Não sei se esta história é para rir ou para chorar. Rir da comicidade da situação ou chorar por não conseguir dormir.

E vocês, já foram acordados no meio da noite com ruídos estranhos no apartamento ao lado?

imagem daqui
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15 comentários para “O barulho mora ao lado”

  1. valter ferraz

    De, já passamos por isso numa casa em que morávamos. O morador ao lado era um taxista. Chegava todas as madrugadas e sempre com uma acompanhante. Gostava de sexo animal. O interessante que com o passar do tempo(e da irritação inicial) ele acabou por incentivar nossa performance. Quando eles estavam muito animados e incomodavam além da conta, usávamos a tática de esmurrar a parede onde imaginavamos ser a cabeceira da cama que rangia(e como rangia!). Logo os barulhos paravam. Tente essa tática, se não resolver, na primeira reunião de condomìnio, trate do assunto. Creio que dê resultado.
    Beijo, menina

  2. Ana Paula

    Hi, hi, hi, hi, hi, hi! Cá, cá, cá, cá, cá! É melhor rir pra não chorar, minha vizinha que escutava e monitorava nossa vida, sempre com um copinho vazio ( de requeijão)em sua estante da sala para à qualquer momento colocar o ouvido no copinho e grudá-lo na parede. E ainda abria a porta no mesmo momento, parecia abre portas sincronizado… É assim mesmo, apartamento não tem quintal pra limpar, como em casas, mas vizinhos pra aturar! E como temos sorte!
    Beijo, mãezinha!

  3. Felipe Rocha

    Moro numa chácara de mais ou menos 4.000 m2. Aqui vizinho só a existe a uns 200 metros de distância e de subida ainda por cima, mas em compensação, olha só o tamanho do terreno que eu tenho de limpar!

  4. Allan

    No andar de baixo há uma loja; no de cima, um casal silencioso; ao lado mora a Dona Dina, surda e rueira. Só quem reclama são os passarinhos, quando as meninas esquecem de deixar migalhas no balcão. Mas é uma reclamação muito afinada e melódica.

  5. nanda

    Realmente é mais cômico rsrsrs
    Mas você não pode aturar isso não, conversa com o síndico! Veja o que pode ser feito para abafar esse sexo animal rsrsrs
    Meu blog voltou no ar e dei uma reformulada! Beijos Dê!!!

  6. denise

    Valter, você e Aninha esmurrando a parede? KKKKKKKKK! Não acredito! Por que não entravam no clima também?ha ha haha!
    Papoula, ah ah, é mesmo, a vizinha ouvia com um copinho no ouvido? Eu tô mais é querendo não ouvir, hehe.
    Felipe, obrigada pela visita. Bom saber que és um ecoconsciente. Viver na natureza é tudo de bom, mas, ficar longe de tudo, sem vizinhos e com quintal para limpar? Acho que vou preferir os gemidos e chutes, hehe…
    Allan, que beleza, ouvir pássaros! Será que as meninas estão deixando os bichinhos sem migalhas só para ouvi-los cantar? hehehehe…. Quem me dera se meus vizinhos fossem rueiros…
    Nanda, conversando hoje com uma amiga sobre isto, ela disse que resolveu o assunto fazendo o mesmo: quando os vizinhos ‘animadinhos’ estavam dormindo, ela começava a gemer desvairadamente, imitando a orgia da vizinha. Segundo ela, deu certo, a vizinha parou com os barulhos.
    Eu não tenho coragem nem de bater na parede, nem de falar com o síndico e muito menos de gemer lascivamente para ela sentir como são finas as paredes. Haja Rivotril!
    beijo meninas! Abraço, garotos!

  7. aninha pontes

    Denise, era cruel.
    As vezes me sentia muito envergonhada, pela presença dos meninos.
    Aquilo era um antro, me incomodava muito, por isso, perdia a pose, e metia a mão na parede.
    A mulherada que passava por lá pareciam loucas, e que estavam sózinhas no mundo.
    Tratei de me mudar logo.
    Beijocas.

  8. denise

    Aninha, reelmente, é constrangedor, quando os filhos estão presentes. Eu também me mudaria, mas eu gosto tanto daqui…
    , tu tás pior que eu , hein, kkkkkk. Eu tenho uma colega que liga a máquinha de lavar roupas às 22 horas, porque é a hora que chega em casa, diz ela. E as festinhas, são tipo estas dos meus vizinhos? hahahah…
    beijo, meninas

  9. leticia coelho

    De,
    meu prédio é o ó! A vizinha de cima passa todo o dia religiosamente o aspirador de pó a meia noite, não “guento” menina já reclamei mas ela não entende. E o cara do apartamento do lado começa a dar festinhas toda semana apartir da quinta feira!
    ninguém merece!
    beijos

  10. Veridiana Serpa

    eu tenho uns vizinhos que são solteiros e de vez enquando principalmente no final de semana, por entre 4-5 horas da manhjã, creio eu ser o horário que voltam das baladas, de vez enquando começa uns gemidos femininos que o prédio inteiro acorda…

    1. denise

      Pois é, Veri, parece que o problema é mais comum do que a gente imagina, hein?
      E o engraçado é que essas pessoas encaram os vizinhos com a maior naturalidade, né,
      Vai entender.
      beijo, menina

  11. Dormir: nem sempre é possível | 30 & Alguns

    […] Mas isso é normal , acontece, a Denise Rangel tem o mesmo probleminha no prédio dela, “O barulho mora ao lado” e você tem no […]

  12. Bruna

    Cruz credo. Acho meio sem nocão isso. Pombas, PRECISA gritar? Não dá pra abafar com um travesseiro, pelo menos? Ou gritar mais ‘baixo’? Ha ha ha. Sério, acho até sacanagem isso. E eu não estou falando do que ELES FAZEM NA CAMA DELES, mas do que eles estão fazendo com VC! Como eu sempre digo, o bom senso é ESSENCIAL…

  13. Maristela

    Pois é, estou nessa situação agora, só que o casal do apartamento ao lado é de dois rapazes e estão a gritar com o som no máximo… urrando e tudo mais. Façam-me o favor, o síndico é idoso o porteiro de hoje é um nada, enfim, estou num pesadelo e tenho que estar às 8 no trabalho… fazer o quê, né? Meu sono se foi (agora), comi um sanduiche. Espero que o dia de amanhã seja amigo. Obrigada a vcs por postarem, me ajudou a me sentir menos solitária nesse embate.

  14. Dormir: nem sempre é possível | 30 e Alguns

    […] Mas isso é normal , acontece, a Denise Rangel tem o mesmo probleminha no prédio dela, “O barulho mora ao lado” e você tem no […]

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