Inativos ou vagabundos?

A possibilidade de me aposentar é uma tentação e, ao mesmo tempo, uma temeridade. Após 32 anos de serviço, diminuir o ritmo de trabalho é uma necessidade que, no entanto, se constitui em uma punição em vez de um prêmio. Explico-me: com a aposentadoria, os proventos terão uma redução de 30 por cento, que é uma diferença significativa. Isto significa que será preciso continuar a trabalhar, mesmo que seja sem vínculo empregatício, ou ‘freelancer’, para compensar a perda.

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Trabalhar como ‘freela’ é algo que me atrai pela possibilidade de gerenciar meus trabalhos e projetos de forma independente, com horário de trabalho mais flexível. Aliás, já faço alguns trabalhos, mas sempre por opção e prazer, e não apenas pela remuneração. O que realmente causa indignação é o fato de ter trabalhado por mais de 30 anos em uma instituição e, ao desejar parar, ser penalizada com o corte no orçamento.

Tenho outros trabalhos, em outras instituições, pois, no Brasil, professores (e outros profissionais também) precisam trabalhar, muitos até os 70 anos, ou mais. Porém, no meu caso, a aposentadoria voluntária, em apenas uma das instituições em que trabalho, não extingue a possibilidade de continuar trabalhando. Parece ilógico continuar em atividade, enquanto pela Previdência Social se é reconhecido como inativo. Porém, no Brasil, muitos empregados requerem, espontaneamente, sua aposentadoria e isso não corresponde à extinção da atividade. A Previdência paga aposentadoria a quem, de fato, continua trabalhando.

Na realidade, ninguém deseja, ou não pode, sair do mercado de trabalho. Parece até um golpe contra a Previdência: aposentados que continuam trabalhando em outras empresas. Um ex-presidente já os acusou de vagabundos que se locupletam de um país de pobres e miseráveis’. Então eu penso: se estou em plenas condições laborativas, como atestou meu médico, por que requerer a aposentadoria e ‘mamar’ dos cofres públicos, como já insinuou aquele chefe de governo? Será que deveria trabalhar enquanto puder, para engrandecimento do País e não usufruir a ‘inatividade’ para meu benefício pessoal? Estou sendo sarcástica?

Avaliando meus objetivos e a realidade que possuo – carro, casas, e mesmo dinheiro – e o que realmente importa, penso que gastei muito tempo para construir algo material e, muitas vezes, negligenciei a família e os amigos, pois não tinha tempo para eles. Onde estão eles agora? (suspiro…) Valeu a pena? De que adianta trabalhar tanto para ter algo, e não poder desfrutar o que se conquistou com as pessoas queridas?

Então, mesmo perdendo financeiramente, e , engrossando as fileiras de ‘vagabundos’, tenho de decidir se me aposento ou não. Confesso que é uma decisão difícil: trabalhar até morrer ou me aposentar e continuar trabalhando para ter como pagar as contas?O que vocês fariam?

imagem:  martinak15 

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8 comentários para “Inativos ou vagabundos?”

  1. valter ferraz

    Se aposenta e vem prá Mongaguá, oras!
    Beijo, mina

  2. aninha pontes

    Engraçado que entrei no quadro de comentários para te dizer algo assim.
    Não sabia que o bem, já tinha vindo aqui e te disse isso.
    Ri.
    Mas reafirmo.
    Se aposenta, e aproveita um pouco mais a vida. Vem prá cá, podemos curtir um pouco do nosso tempo.
    Amamos você, gostamos de sua companhia, só não temos tempo para estarmos juntos.
    O convite está feito, e confirmado.
    Beijos.
    Bom final de semana.

  3. elena

    Oi Denise,
    Engraçado, aqui o pessoal trabalha até os 70, 80 ou ate 90 anos…nao porque é obrigado a trabalhar, mas por puro prazer. Na empresa do meu marido tem muitos velhos e velhas de cabelinhos brancos. Eu sempre falo que la é o AARP(um tipo de associação que protege os adultos a partir dos 55 anos).
    Eu continuaria a trabalha, mas so se o trabalho me desse satisfacao e prazer…ou no caso “part time”…mas nunca me aposentaria.
    Acho que ficar em casa sem nenhum objetivo ou programa de vida, nao é uma boa nao. Minha irma se aposentou cedo e tá com depressao.
    bjs,
    me

  4. denise

    Gentem, eu não vou ficar em casa deprimida! Trabalho em três escolas e ainda faço uns trabalhinhos independentes. A aposentadoria seria em apenas um destes trabalhos, entenderam? Nos outros ainda tenho muito que trabalhar,até os noventa, lavez, hein Elena/? A questão é: continuo trabalhando nesta em que já estou há mais de trinta anos porque estou apta e não inativa?
    Aninha e Valter, quando vocês menos esperarem apareço por aí, hehhe, com aposentadoria ou não.
    beijo, meninas e garoto

  5. Adelino

    Denise, grande verdade você disse: às vezes paramos e nos perguntamos pra que tanto trabalho, se no final temos de continuar na batalha para conservar o que conseguimos? E que batalha. E o pior é que os que nada fizeram e apenas gozaram a vida ainda nos criticam e querem uma distribuição de renda mais justa etc. etc.
    Grande abraço
    Adelino

  6. Allan

    Aposentar-se. Este é um dilema que prefiro não afrontar. Acho que não conseguiria ficar sem trabalhar, mas se tiver a possibilidade de continuar trabalhando no que gosto de fazer, não me aposento nunca.
    …E tem o problema de ter sempre contas demais a pagar.

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