Humanos no valão?

Em frente ao condomínio em que moro, existe uma avenida cortada por um enorme canal.  Há alguns dias, ao sair de casa, deparei-me com uma imensa variedade de detritos de grande porte, despejada nesta avenida, à beira do canal.

Não bastasse a atitude terrível de agredir o ambiente, havia o risco de estes detritos enormes despencarem no canal, poluindo-o e contribuindo para um desastre em época de chuva. Além disso, aquela montanha de dejetos prejudicava bastante quem trafegasse pelo local, já que era necessário andar pelo meio da avenida para desviar do lixão.

Foi assustador perceber que o acúmulo de material depositado era tão grande que tomava uma parte da rua também.  Não tive o expediente de fotografar a dantesca cena, mas era bem semelhante à da foto ao lado: pedaços de cama e sofá, entulhos de construção, papelões, garrafas de plástico e enormes sacos tomavam o espaço entre o canal e parte da rua. Realmente, um absurdo.

O visual bonito das casas e prédios da avenida em frente a meu condomínio, com seu canal arborizado onde pequenos miquinhos se divertem e passarinhos fazem a festa, mistura o urbano com a natureza, porém,  o que se destacava, naquele momento, era a enorme sujeira presente.

Por que não seguir as regras de descarte?

Todos sabem que é absolutamente necessário seguir as regras no descarte em geral. A coleta domiciliar é responsabilidade da Prefeitura, que mantém caminhões nas ruas para recolher o lixo regularmente. Já os materiais de obras, entulhos ou mobiliários  velhos e quebrados, que exigem um descarte adequado,  é de responsabilidade de quem produziu tal “lixo”.

Para auxiliar  o cidadão a descartar estes objetos de maior porte, a Prefeitura disponibiliza alternativas gratuitas de recolhimento, para evitar a poluição das ruas, canais, rios e do ambiente como um todo.  Basta solicitar a visita de um caminhão que  retirará móveis usados, entulhos de obras e outros grandes materiais, em um dia previamente agendado. Sem burocracia. Basta um simples telefonema. Por que não seguir as regras de descarte então?

aplicação de multa para quem for flagrado jogando lixo nas ruas, fora dos equipamentos destinados para esta finalidade, tem o objetivo de conscientizar a população da importância de não jogar lixo em áreas públicas e  de melhorar a limpeza da cidade. O difícil é flagrar estes que fazem de nossas avenidas o seu terreno baldio…

Humanos no valão

Mais adiante, seguindo em minha caminhada,  outra cena estarrecedora: um táxi estava caído no mesmo canal que corta a avenida. Desta vez fotografei a inusitada situação. Um acidente lamentável, mas que suscitou em mim algumas reflexões sobre o ser humano: há pessoas que deveriam lançar-se a si próprias no valão,  assim como aquele carro havia sido lançado, já que não têm um mínimo de civilidade e consideração com o lugar onde habitam.

Nem cogito que um ser humano deste não se preocupe com o próximo. O que é mais preocupante é tal pessoa não cuidar de sua própria segurança e da de seu habitat. Algumas vezes, com as chuvas fortes que castigam a cidade, este mesmo canal transbordou, trazendo muitos problemas para todos que moram pelas redondezas, e , principalmente, para os que vivem às margens deste canal.

Recuso-me a acreditar que  o indivíduo que despeja as sobras de sua casa à beira de um canal, no meio da rua e na porta da casa dos outros seja alguém minimamente munido de informação e educação.  Quem toma tal atitude demonstra que, em sua essência, age desta maneira porque o seu estado ‘natural’ é o de jogar o lixo na rua.

Lixo, ratos e homens

Ainda ontem, vi os meninos do condomínio caçando um rato que apareceu por aqui. Ali, na janela, enquanto eles se divertiam em sua caçada, revoltei-me com mais esta possibilidade que o lixão a céu aberto representava: a de se tornar foco de ratos e mosquitos da dengue, que causam grandes transtornos para a população. 

Uma última consideração: tratar como “lixo” um material que pode ser matéria-prima de outro objeto também é desprezar todos os recursos e toda a energia despendida para fabricá-lo. Fica a questão: o que leva um ser humano a jogar dejetos em seu próprio habitat, em vez de descartá-lo responsável e conscientemente? Realmente, há pessoas que deveriam lançar-se a si próprias no valão…

Imagem: sofá no lixo

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3 comentários para “Humanos no valão?”

  1. luma rosa

    Denise, a cidade que moro é referência em limpeza pública, mas quando chega a temporada das férias, a cidade vira um lixo. São moradores temporários que chegam nos imóveis que mantém fechados o ano todo e promovem o despejo nas ruas de móveis e quinquilharias que não usam mais. O próprio condomínio deveria notificar esses moradores sujões. A prefeitura local dispõe de caçambas para entulho e cobra uma taxa pelo serviço, porém esses turistas não querem ter gastos e se acomodam, incomodando os outros e promovendo muito além da poluíção visual.
    No semestre que passou, foram notificados moradores que alugam suas casas para veraneio, para se cadastrarem. Foi trabalho de formiguinha, pois os fiscais da prefeitura convocaram na mídia, os moradores vizinhos também como fiscais. Para evitar a superpopulação das casas e evitar crimes (pessoas que alugam casas de veraneio que não existem) será obrigatório cnpj e um número x de banheiros proporcional ao número de cômodos da casa, como forma de não sobrecarregar a rede de água e esgotos.
    Além desse cuidado, calçadas e vias de acesso para pedestres deverão estar desobstruídos e os moradores notificados para consertarem suas calçadas, se estiverem velhas ou com buracos. Bares também entraram na fiscalização; mesas e toldos não podem ocupar além do espaço destinado ao imóvel.
    Os fiscais andam pela cidade o dia todo e também temos um telefone para denúncia.
    Uma pessoa sozinha não faz nada, é preciso consciência! Quando dói no bolso, fazem direito.
    Beijus,

    1. denise rangel

      Luma,
      Este é um problema da maioria das cidades turísticas e praianas: a falta de educação e civilidade dos turistas. É aquela história de não se incomodar com as consequências ruins para a população nativa.
      Beijo, menina

  2. Blog limpo e acessível: menos categorias e tags | Sturm und Drang!

    […] um texto sobre o lixo jogado nas ruas, por exemplo, não há necessidade de se colocar muitas etiquetas. Basta usar as tags […]

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