Fogo e água na vistoria anual

Todos os veículos precisam passar por uma vistoria todos os anos para a renovação do documento de porte obrigatório, o Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo.

Ao valor absurdo que precisamos desembolsar para fazer a vistoria e à saga para conseguir um agendamento da inspeção, acrescenta-se o atendimento burocrático, a papelada exigida, os inúmeros itens do veículo que precisam ser vistoriados, o calor insuportável, as filas de espera no sol e o mau humor dos agentes que fazem a vistoria.

Pegadinhas

Quando chegamos ao guichê para a vistoria anual e entregamos os documentos exigidos, começa a pegadinha. O funcionário devolve a papelada e diz que só precisa do Certificado de Registro do carro. Caso não levemos nada, corremos o risco de eles pedirem tudo, até atestado médico. Houve uma vez em que me pediram uma procuração porque o carro estava em nome de meu marido. Absurdo!

No momento da vistoria, espera-se que o agente vá olhar os itens listados no site do Detran. Dependendo do funcionário, você pode “cair em exigência” até por conta de um arranhãozinho na pintura. Já me estressei com uma vistoriadora por conta de uma besteira que não comprometia absolutamente a segurança do veículo no trânsito: o retrovisor não tinha a “capinha”.

Realmente, ficar à mercê da competência, do bom senso e do humor do vistoriador na hora da verificação de itens bestas, como arranhões na pintura, pneus sem calotas, retrovisor sem a capa traseira e outras pegadinhas que não comprometem a segurança do veículo, ninguém merece. Mesmo.

Fogo

Hoje, mais uma vez, levei o Gasparzinho à vistoria. Troquei o extintor de incêndio, único item que estava por vencer a validade no mês que vem.  Não quis arriscar, pois é um item de extrema importância para a segurança em casos de incêndio no veículo. Além disso, na vistoria anterior, o extintor estava vencido e o funcionário lascou a maldita exigência.

Adivinhem o que o vistoriador não olhou desta vez? Exatamente! O bendito extintor de incêndio! Ele estava ali, novinho, reluzente, no banco do carona, esperando para ser fiscalizado, mas nada. O funcionário só queria saber se o esguicho de água do para-brisa estava funcionando.

Água

Pela primeira vez, em vários anos de vistoria, eu apertei a alavanca do farol alto e não a do esguicho de água! Sinceramente, não sei por que troquei as benditas. Deve ser por que eu não as uso nunca. Farol alto e esguicho de água no vidro são dois itens que nem lembro que existem. Isto não justifica ter trocado as alavancas, mas…

O vistoriador continuava mandando eu apertar o esguicho e nada. Claro, eu estava apertando a alavanca errada! Eu já havia visto um carro ser liberado com apenas um lado da luz da ré acendendo e outro com reprovação nos gases poluentes. Por que ele insistia tanto no esguicho de água de meu para-brisas?

Fogo e Água

Até agora estou questionando o porquê de se dar tanta importância a um esguicho de água no para-brisas e ignorar a verificação da validade de um extintor de incêndio. Em caso de temporal, se não houver visibilidade suficiente para seguir viagem com segurança, podemos parar o veículo e aguardar. Já no caso de um incêndio, não há como dar um jeitinho; tem de ter extintor em dia.

Já estava esperando a tal “exigência”, muito contrariada, quando, felizmente, percebi, a tempo, a besteira feita e apertei o esguicho tantas vezes que o funcionário disse “tá bom!”. Safei-me de uma nova vistoria desnecessária e de uma contrariedade, já que o limpador não estava com defeito, e o funcionário perdeu a chance de … (cala-te boca)…

Imagem: Extra

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4 comentários para “Fogo e água na vistoria anual”

  1. Executiva de Panela

    Ai que ótimo texto! Um misto de desconforto com essa burocracia comportamental dos funcionários dos órgãos públicos e ao mesmo tempo diversão com as situações que passamos com esse sistema tecnocrata. De fato há algo estranho em priorizar um esguicho de para-brisa contra um extintor de incêndio! Coisas do Braziú. Beijos, Paula

    1. Denise Rangel

      Paula,
      Prazer recebê -la aqui!
      Pois é, a gente se acostuma a rir das situações absurdas a que somos obrigados a passar, por conta de abuso autoridade. Se reclamar, corremos o risco de sofrer sanções e, em casos extremos, em situações de protesto, bala de borracha e spray de pimenta.
      Beijo, menina

  2. Allan

    Por aqui o Detran cuida apenas da documentação. A vistoria acontece em uma das muitas oficinas autorizadas. Mais: o carro pode estar com algum problema, mas a oficina só conclui a vistoria se o defeito for consertado (na própria oficina). Como são muitas oficinas – inclusive a concessionária que lhe vendeu o carro – não há filas e você pode marcar hora por telefone. O próprio mecânico testa tudo enquanto você espera. Sentada/o, dentro da oficina, com cafezinho.

    O esguicho d’água do pára-brisa serve para limpar em caso de lama, por exemplo. Já o extintor é desnecessário. Quantas vezes ele salvou você de uma situação perigosa? Além disso, o ideal em caso de incêndio é ficar longe do carro. Morreram de rir quando contei que os carros no Brasil usam extintor.

    A única coisa em comum é a incompetência e a burocracia.

    🙂

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