A jornada de cada um

Em tempos de visita do Papa Francisco ao Brasil, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude, tenho observado reações positivas e outras bem agressivas a respeito das convicções dos jovens católicos. Acredito que todos têm o direito à liberdade de se expressar acerca de qualquer assunto, e isto inclui, sobre  religião e crença em Deus.

Orai por nós...

Religião, não discuto

Neste post, não discutirei religião. Absolutamente. Minha fé é algo que vivo e não me proponho a discuti-la. Irei, apenas, dissertar sobre sua influência em minha vida. Não sou uma cristã fanática, nem vou à igreja tão frequentemente como gostaria.

Minha mãe costuma dizer, diante de meus questionamentos apaixonados e indignados sobre alguns dogmas da religião, que eu tenho de me converter. Diz que sou muito rebelde e incrédula. O que ela não compreende é que a vida, ao longo dos anos, tem me moldado, e que minha fé não está atrelada à religiosidade.

Espiritualidade ou religiosidade?

Acredito que é a fé me capacita a  agir corretamente nas situações em que tenho ímpetos de ira contra quem me abriu uma ferida no coração, ou contra quem  submete  pessoas inocentes e vulneráveis à violência, injustiça e toda sorte de abuso. Creio mesmo que há um “freio”, algo sobrenatural, espiritual, que nos constrange a agirmos assim.

Há quem argumente que agimos direito porque somos éticos, com valores morais recebidos de nossa família ou construídos socialmente ao longo da vida. Isto não impede, no entanto, que alguém, com fortes valores morais e éticos, cometa um desatino, em uma determinada situação de grande tensão emocional.

Estamos falando de espiritualidade, não de religiosidade. A predisposição para crer em algo sobrenatural que nos impõe regras internas e refreia nossa natureza que clama por fazer justiça com as próprias mãos.

Já fiz, e ainda faço, muitos questionamentos sobre tantas perguntas sem respostas. Constato, porém, que há algo além de minha compreensão a gerar uma força interior que me capacita e me fortalece em  situações-limite nas quais apenas uma ajuda sobrenatural seria possível.

Humano e Divino

Vejam bem, há certas mágoas que me impuseram  que não tive, ainda, condições de perdoar e esquecer. Estão guardadas e, frequentemente, vêm à tona. Sou humana. Por outro lado, para a mágoa e a dor consequentes do assassinato de meu filho, pedi a Deus a graça do perdão e a obtive.

A convicção de que ele está em um bom lugar  traz-me paz, e, por isso, o perdão é liberado de maneira sobrenatural. Não tenho outra explicação, a não ser que seja algo divino que recebo e não uma capacidade humana, entendem? A saudade doi demais, mas, inexplicavelmente, a paz substitui a depressão e o ódio.

Com certeza, estou convicta de que esta “obra” não é minha. Sou apenas humana. Perdoar é algo divino. Não é fácil, é uma luta diária para não me render ao ódio e à indignação, principalmente quando vejo jovens sendo vítimas da violência e seus algozes seguindo impunemente.

Inexplicavelmente, minha fé em Deus só aumenta. Não tenho dúvidas de que esta força que me sustenta não é minha. Frequentemente questiono Deus por que permite tanto sofrimento. Ele não me responde como eu gostaria; apenas envia conforto para o meu coração.

A jornada de cada um

Que o saldo da espiritualidade em minha vida seja positivo e gere frutos  de amor, paz, solidariedade, justiça e respeito à vida. Que  a minha vida cristã extrapole as paredes da igreja e da religião e enfrente as oposições do mundo, sem violência ou intolerância, antes com amor e compreensão.

Que, em minha jornada diária, eu não permita que a minha fé interfira na capacidade de julgar questões que oprimem e violentam alguém, como o aborto, o divórcio e a violência doméstica, por exemplo.  Nem que eu use minhas convicções cristãs ou pessoais para oprimir ou subjugar quem discorde delas. Principalmente porque Ele sempre defendeu os direitos dos oprimidos, mulheres, pobres e excluídos, e execrou o preconceito e a acepção de pessoas.

Que cada um faça a sua própria jornada. De fé ou de razão, não importa, contanto que seja para o bem da humanidade, que traga Paz para o nosso coração e para o mundo. Até o dia em que nossos olhos fecharem e nos seja revelada plenamente a essência das escolhas que fizemos.

Imagem:  Marianoff

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4 comentários para “A jornada de cada um”

  1. aninha pontes

    Mas eu não tenho dúvidas de que essa sua paz, essa sua bondade, seja fruto da sua jornada de religiosidade, de fé e de amor.
    É assim que eu vejo. As coisas só têm sentido se feitas ou vividas com amor e fraternidade.
    Você é uma criatura bonita.
    Um beijo

  2. Suze Marta

    Oi, mas você escreve muito bem!! E sobre esse post, compactuo com teu pensamento. Parabéns!

    1. denise rangel

      Obrigada, Suze!
      Volte sempre, ok!
      beijo,menina

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