
Um novo tema passará a integrar o conteúdo deste blog: a vida após a aposentadoria. Antes, eu apenas vislumbrava esta possibilidade, mas agora, ela é real. Não completamente, pois ainda continuo o trabalho na rede privada; no entanto, interromper uma rotina de 33 anos de carreira na rede pública é uma mudança e tanto em minha vida.
Estou aposentada do magistério público há dois dias. Ainda não sei definir como me sinto. A impressão que tenho é a de que nada mudou, pois, como já disse, saio para trabalhar na escola particular, onde tenho uma rotina bem semelhante (e até mais cansativa) a que possuía na escola municipal. Acordar cedo, planejar aulas, digitar e corrigir provas, desenvolver projetos e outras atividades relacionadas. Não tem nem graça dizer que estou aposentada.
De qualquer forma, este tempo livre que tenho à disposição será usado para fazer tantas coisas de que gosto e que a falta de tempo me impedia de realizar. Talvez eu nem faça tudo o que tenho planejado, mas, fazer planos é peculiar a esta fase da vida do trabalhador. Agora não mais sonhamos, agora planejamos e realizamos. Isto é muito interessante e motivador.
Neste primeiro momento, não quero fazer absolutamente nada. Isto mesmo: nada. Preciso aproveitar estes dias de liberdade, sem responsabilidade de acordar cedo e de realizar todas as tarefas profissionais. A sensação é tão maravilhosa que me sinto alforriada, se me permitem tal comparação. Sinto-me tentada a “chutar o balde” e largar a escola particular também. As responsabilidades, compromissos e dívidas que ainda tenho, no entanto, não me deixam tomar tal atitude por ora. Talvez eu mude de carreira e pare de ensinar. Ainda estou pensando.
Há algumas coisas que gostaria de fazer, a longo prazo. Tempo eu tenho de sobra, no momento. Poderia começar por aprender um novo idioma. O live mocha me parece uma boa opção, por sua praticidade e liberdade. Outra coisa que gostaria de recomeçar é a fisioterapia. Minha coluna agradece. Aliás, está na hora de fazer todos os exames de saúde que estive adiando por falta de tempo. Já marquei o oftalmologista. A próxima consulta será com a ortopedista. E assim por diante.
Outras extravagâncias que quero cometer só serão possíveis quando estiver totalmente aposentada. Por exemplo, eu gostaria de viajar para uma cidade bem pitoresca e me hospedar por lá, algum tempo, só apreciando a natureza e a vida cultural. Assistir a concertos musicais, festivais literários, mostras de arte e tal. Sem compromisso nenhum, com nada ou ninguém. Não é sonho. É plano.
A aposentadoria não passa de um procedimento legal, pois posso continuar em atividade ou me dedicar a projetos pessoais de meu interesse. Acredito que jamais me sentirei ou serei uma aposentada. Falta do que fazer é o que não vai faltar, hehe, trocadilho besta.
Daqui a pouco o dia amanhece e, pela primeira vez em tantos anos, vou tomar um café da manhã com tudo a que tenho direito, em plena quinta-feira, sem correria, sem estresse, sem olhar para o relógio, nem sair correndo atrasada. Depois, sairei a pé, com a Princesinha, para aproveitar o sol e o ar matinal. Mais tarde, irei me livrar daquela papelada que armazenei durante tanto tempo.
E viva a liberdade! “Vou pedir o café pra nós dois…”
Imagem: daqui