Quem é o responsável pela “falta” do aluno?
Se um aluno desrespeita o professor ou os colegas, pode estar cometendo uma falta moral que revela um comportamento inadequado, uma falta de modos, ou falta de educação, que lhe foi, ou devia ter sido dada, pela família ou alguém responsável por ele.
Em sala de aula, o professor é autoridade intelectual e moral, e o aluno, ao desrespeitá-lo, agindo como uma pessoa “sem modos”, falando um palavrão, respondendo mal, entrando ou saindo da classe sem pedir licença, está cometendo uma falta moral e deve ser corrigido pela família ou responsável, e não pela escola, por sua educação ou seus modos, como indivíduo.
Entretanto, se um aluno se nega a fazer uma tarefa, se recusa a desligar o celular ou outro aparelho, “peita” desrespeitosamento o professor, está violando regras impostas para toda a classe. Neste caso, ele não reconhece a autoridade intelectual e moral do professor, e isso é uma falta ética, uma vez que as regras são para todos daquela comunidade escolar. A obrigação da escola é dar a punição adequada a fim de que a disciplina se mantenha em um nível desejado para o bom andamento das aulas.
Moral e ética se aprendem
Ensinar a educação moral, os bons costumes, os bons modos, compete à família ou responsável pelo aluno. À escola compete ensinar a educação ética, as regras de conduta em sociedade para o bem de todos. Moral e ética se aprendem, não são espontâneas. Ambas precisam andar juntas para que se exerça com responsabilidade a cidadania. Indivíduos disciplinados são cidadãos honrados.
O que vemos é a transferência, para a escola, da responsabilidade de ensinar a educação moral, aquela que vem “de berço”. Frequentemente, ouve-se, dos pais ou responsáveis, pérolas do tipo: “Não sei mais o que fazer com este menino!”. E dos filhos: “Você não é meu pai, ou minha mãe pra mandar em mim!”.
Como filhos, as crianças e os adolescentes precisam de pais ou responsáveis para ser educados; como alunos, precisam de professores para ser ensinados. Para viver em sociedade, precisam aprender a conviver segundo a ética, acatando as regras de convivência. Quando um aluno ultrapassa os limites éticos, está desrespeitando as normas da escola, representada pelo professor.
A culpa é do professor?
E já que é para se apontar um culpado, o professor é o escolhido. Se a classe está indisciplinada, a culpa é sempre dele. Quando alguém perceber que alunos sem educação moral e familiar não estão prontos para receber educação ética, talvez seja tarde demais. Será a falência da família e da escola, pois assim como a moral e a ética, estas duas instituições precisam caminhar juntas.
Já disse isto e vou repetir: colocar a culpa do fracasso da educação, na escola e no professor é o caminho mais fácil para se lavar as mãos para um problema que é de todos. Posso até estar equivocada, mas esta é a minha percepção da atual situação nas salas de aula brasileiras, e talvez, mundiais. E olha que eu sou uma professora muito bacana. Bacana mesmo! Imagino o que sofrem meus colegas intransigentes…



















