Livros online e offline

February 7th, 2010 Denise Rangel Posted in Arte e Literatura, Educação e ensino, Projeto de leitura 2 Comments »

Durante a Campus Party 2010, um grupo apaixonado por livros, composto por editores, blogueiros, professores , jornalistas, advogados e  estudiosos, se reuniu em uma Desconferência sobre livros digitais”, para discutir o futuro dos livros.

Estávamos lá, @deniserangel ( eu mesma!), @hedraonline, @ladyrasta,  @samegui , @ronaldopelli,  @alessandro_m , @gnsbrasil, @lenteaberta, @tebenas, @cybelemeyer, (esqueci alguém?),  com cobertura online no twitter, pela tag  #livrodigital.

A discussão teve como foco a mudança na forma de consumo na leitura de livros e em como os leitores vão encarar os livros no futuro. Discutimos o perfil do novo autor, diante de todas as possibilidades  de publicação on line e offline.

Deste encontro saíram algumas opiniões para algumas questões, entre elas: “o livro impresso em papel não vai morrer”;  “as pessoas optarão, em alguns casos, por leitores digitais”;  “outras, utilizarão exclusivamente os e-readers”. Todos concordamos que a leitura, a transmissão de informação, de conhecimento, de conteúdo, não vai acabar. Ufa!

Como vai ser a transformação da leitura na transição para o digital? Quais são os prós e os contra da transformação?  Quem prefere ler no papel, o que vai fazer? Essas e outras perguntas podem ser discutidas na comunidade Livros online e offline, criada em  O livreiro.

Quer entrar na discussão? Associe-se à nova comunidade Livros online e offline, em O livreiro e participe!

Foto: Sam Shirashi

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Avatar: troca de corpos

January 10th, 2010 Denise Rangel Posted in Arte e Literatura, Projeto de leitura No Comments »

Terminei a leitura de mais um livro de minha “listinha” de fim de ano: o conto fantástico Avatar, de Théophile Gautier, de 1857.  Em tempos de estreia do filme de mesmo nome, nos cinemas brasileiros, fiquei curiosa para lê-lo e descobrir por que o tema persegue obras ao longo dos tempos.

Filmes como Se Eu Fosse Você,  estrelado por Glória Pires e Tony Ramos, e Sexta-Feira Muito Louca (Freaky Friday), com Jamie Lee Curtis e Lindsay Lohan,  entre outros, repetem o enredo em que o casal, no primeiro filme , e mãe e filha, no segundo, passam longos momentos vivendo vidas trocadas, no corpo um do outro.

Voltemos ao livro, Avatar, de Théophile Gautier: nele, um médico famoso, o doutor Baltasar Cherbonneau, recém-chegado das Índias, possui a fama de operar curas miraculosas. Após um encontro com um velho e santo sacerdote, Brama-Logum, que lhe  revelara a palavra misteriosa, desvenda o mistério de destacar a alma do corpo:

Mas existem poderes ocultos que a ciência moderna desconhece, e dos quais se conserva a tradição nesses estranhos países chamados bárbaros por uma ignorante civilização. Aqueles sábios, que possuem visões estranhas e que sequem de êxtase em êxtase as ondulações que deixam as eras desaparecidas sobre o oceano da eternidade, percorrem o infinito em todas as direções, assistem à criação dos universos, à gênese dos deuses e às suas metamorfoses. São tidos por loucos, mas são quase deuses!

E, naturalmente, como era de se esperar, opera a troca de corpos entre seu cliente e o marido da mulher que este ama.  O final é inusitado, eu diria que  quebra a atmosfera mística do tema, ao revelar a natureza humana em toda sua ambição. Não vou contá-lo, é claro; deixo para vocês  a surpresa.

Segundo notícia do site  BBC , cientistas suecos desenvolveram um método para produzir a ilusão de se estar em um corpo de outra pessoa ou mesmo em um boneco de plástico. Como se vê, o tema é fascinante e aterrorizante ao mesmo tempo. E, obviamente, na ficção, os limites do corpo e da alma alcançam patamares que desafiam os critérios de verossimilhança. Fascinante.

Recomendo a leitura do livro, Avatar, de Théophile Gautier.

Imagem: daqui

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A alma do Lázaro

December 30th, 2009 Denise Rangel Posted in Arte e Literatura, Projeto de leitura No Comments »

Terminei de ler um dos livros de minha “listinha” de fim de ano. Estou redescobrindo obras que nunca tive a curiosidade de ler. Quando digo isto, lembro-me de uma  professora na Faculdade que, segundo ela, lia tudo que era publicado. Uma leitora voraz.

Eu costumo escolher minhas leituras pelo que me é afim, a menos que elas sejam uma obrigação profissional. Este ano, decidi apreciar a leitura de outros gêneros e descobri que gosto de ler narrativas meio ultra românticas, soturnas, aterrorizantes, de suspense.

Pois bem, terminei ontem,  o romance  A alma do Lázaro, de José de Alencar. Confesso que tive de ter força de vontade para não desistir da leitura, devido à linguagem, que,  embora simples,  possui algo que a torna muito formal para os dias de hoje; um vocabulário cansativo, o que não é muito comum em Alencar.

Ele próprio revela que prefere ” a poesia plebeia, em prosa estirada, que isso de verso é cousa com que não se conformava o espírito. Vão lá medir o pensamento, rimar as paixões?” (Adorei isto!)

Vencida a barreira inicial da linguagem (estou parecendo meus alunos que reclamam da linguagem das obras literárias), o que me prendeu à leitura, no entanto, foi exatamente o enredo macabro e fascinante. Um diário de um leproso. Um misto de terror e sofrimento. De solidão e solidariedade. De repugnância e sentimento. De amor e de ódio:

Ergui-me, com ânimo de ganhar a casa sem demora.

Mas os joelhos dobraram-se, e um fio de gelo correu-me pelo corpo, arrufando a pele e erriçando-me os cabelos; foi-me preciso grande esforço para dominar-me, e vencer o susto pueril que me tomara de surpresa.

Tinha ouvido uma voz trêmula que rezava cantando à surdina uma ladainha de igreja; e pareceu-me que afinal chegara a ocasião de ver surgir diante de mim um desses fantasmas que nas minhas extravagantes elucubrações, eu tantas vezes evocara.

Li-o em dois dias. Recomendo. Outra hora pretendo ler  e reler outros escritos de Alencar que acompanham esta obra  Alfarrábios:  o garatuja, o ermitão da glória, guerra dos mascates. Já leu algum deles? O que achou?

Imagem: O leproso

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Livros: prazer ou dever?

December 26th, 2009 Denise Rangel Posted in Arte e Literatura, Projeto de leitura 12 Comments »

Li pouco este ano

Leitura mesmo, de um livro inteiro, por puro prazer, não tive muito tempo para ler. Iniciei vários livros e parei várias vezes. Leituras inacabadas. O ato de ler é um prazer e eu gosto de desfrutá-lo.  Infelizmente, não foi assim.  Ler por prazer. Li pouco este ano.

Li muito este ano

Leitura obrigatória, para as aulas de Literatura, por puro dever. Leituras esquipáticas atropelaram-me, aturdiram-me, sequestraram-me. Gracilianos e  Rosas, Oswalds e Bilacs, Gregórios e  Drummonds, Machados e  Pessoas, Clarisses e Lygias, Raquéis e Cecílias. Ler por dever. Li muito este ano.

Lerei mais no ano que chega

Quero mesclar o dever ao prazer. Não é uma promessa. É um projeto. Ler tem de ser algo fascinante, sempre bom. Mesmo que o tema seja desagradável.   Mergulhar na leitura. É um prazer. Um prazer que concedo a mim, como presente tardio e oportuno.  A mente precisa se ocupar.  Ampliar horizontes. Ver outros pontos de vista. E sonhar.

E já que estamos de férias, iniciei ontem minha  leitura de livros. Por prazer. Não vou fazer listas, porque nunca termino o que começo. Recomeço sempre. E diferente. Lerei o que me der vontade, todo dia, o ano inteiro. Lerei  no papel e no  monitor também.

Comecei a leitura, ontem, com  A alma do Lázaro, de José de Alencar. Nunca o lera antes, e espero me surpreender. Ao mesmo tempo,  lerei  Avatar, de Théophile Gautier. E, ainda, simultaneamente, concluirei a leitura de A viagem do elefante, de Saramago, que larguei pela metade, ao perder o livro durante a mudança de apartamento. E mais uma pilha que separei, dos que iniciei e não terminei de ler.

Desejem-me boa leitura. E vocês, o que lerão em 2010?

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Caetano e Gregório conversam na Roda de leitura

June 30th, 2009 Denise Rangel Posted in Arte e Literatura, Educação e ensino, Projeto de leitura, Vida de Mestra 1 Comment »

Há novidades lá no blog  Roda de leitura !

Com o objetivo de mostrar aos alunos a “conversa” da canção de Caetano Veloso com o texto do poema Triste Bahia, de  Gregório de Matos e  o sentido novo que o poema recebe, considerando a situação de exílio em que se encontrava quando compôs a canção,  desafiei meus alunos a fazerem o mesmo:

Tomando os dois versos iniciais do poema de Gregório de Matos, deram continuidade ao poema, falando de sua cidade ou de seu país hoje.  E, para minha alegria, deparei-me com algumas pérolas de poemas, produzidas por eles.

Convido vocês a irem até o blog Roda de leitura , prestigiarem o trabalho dos meninos e deixarem um recadinho. Eles vão adorar. Entre agora na Roda de leitura!

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O ganso de ouro

March 26th, 2009 Denise Rangel Posted in Arte e Literatura, Educação e ensino, Projeto de leitura, Vida de Mestra 3 Comments »

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Está no ar, no meu blog Na roda de leitura, os trabalhinhos de uma turminha  de 5ª série, da rede pública.  Após quase dez anos trabalhando com jovens e adultos, voltei a dar aulas para os pequeninos também (enquanto a aposentadoria não vem).

Percebi que eles não possuem muita familiaridade com o texto escrito, mas  notei que os olhinhos brilhavam durante a leitura de uma adaptação do conto O ganso de ouro, dos irmãos Grimm.

Vão até lá e prestigiem os trabalhinhos, bem simples, é claro, dessas crianças. Os alunos da rede pública não têm acesso às tecnologias e recursos que os meus alunos da rede particular possuem. Eles desenham na folha do caderno mesmo. Mas, criatividade e imaginação para embarcar no mundo da leitura eles mostraram que têm.

Então, vão lá dar uma olhadinha?

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A “cegueira” revisitada

November 20th, 2008 Denise Rangel Posted in Arte e Literatura, Educação e ensino, Projeto de leitura, Tecnologia, Vida de Mestra 7 Comments »

Aqui está mais um trabalho feito por meus alunos, ainda daquele projeto de que já falei, em que eles deveriam apresentar qualquer obra literária usando a linguagem que desejassem.

Pois bem, um dos grupos aproveitou a sugestão que eu havia feito de assistirem ao filme Ensaio sobre a cegueira, após fazermos um debate sobre a obra de Saramago, que inspirou o filme de Fernando Meirelles. E o resultado foi um poema concreto com a sinopse da primeira cena do livro, que é também a primeira do filme a que assistiram. Vejam:

Nem é preciso dizer que adorei! Então, o que acharam? Ah, e dêem uma passadinha lá no blog Na Roda de Leitura e prestigiem o trabalho de meus aluninhos, combinado?

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O julgamento de Capitu

November 6th, 2008 Denise Rangel Posted in Arte e Literatura, Educação e ensino, Projeto de leitura 1 Comment »


Cenas de Dom Casmurro em vídeo de meus alunos

Ultimamente ando de novo intrigado com o enigma de Capitu. Teria ela traído mesmo o marido, ou tudo não passou de imaginação dele, como narrador? Reli mais uma vez o romance e não cheguei a nenhuma conclusão. Um mistério que o autor deixou para a posteridade.” (Fernando Sabino)

Machado de Assis criou um dos maiores enigmas da literatura brasileira: Capitu traiu ou não  Bentinho? Na obra Dom Casmurro, o leitor só tem acesso à versão do marido Bentinho, o Dom Casmurro, que deixa muitas dúvidas no ar sobre a fidelidade da mulher, a Capitu. O mistério a que Fernando Sabino se refere decorre de uma narrativa ambígua, na qual há uma constante oscilação entre a possibilidade — ou não — de Capitu ter cometido o adultério.

Baseando-se nessa acusação eterna que recai sobre a fidelidade de Capitu, meus alunos montaram um video em que um “tribunal” discute se a moça é ou não culpada de adultério. Um deles assume o papel de advogado de Capitu, procurando ouví-la, senti-la. Há algumas cenas em que as personagens são retratadas em situação que comprovam a acusação ou inocentam Capitu.

No final da apresentação do vídeo, na Feira Pedagógica, os alunos abriram ao público a possibilidade de decidir se Capitu é ou não culpada. Fiquei pasma com o resultado. A maioria votou pela culpa de Capitu! É a velha história: a mulher, silenciosa, não se defende, sempre levando a culpa ao longo das gerações.

Fizemos depois, em sala de aula, um debate sobre a narrativa em 1ª pessoa que configura o ponto de vista unilateral do narrador, um marido corroído pelo ciúme e pela desconfiança. Poderia se confiar em tal versão, impregnada de parcialidade? Eles continuaram achando que sim, que Capitu o traíra, que era culpada. Deus meu, até quando nós mulheres carregaremos este estigma?

Convido todos vocês a assistirem ao vídeo feito por meus alunos, em nosso blog Na Roda de Leitura. É um trabalho escolar, simples, mas que, a meus olhos de mestra-coruja tem um valor imensurável. E não deixem de fazer um comentário dando seu veredicto: Capitu, culpada ou inocente da acusação de adultério?   Vão

Imagem: Capitu e Bentinho em cena

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