Natal sem Jesus, mas com festa…

December 24th, 2008 Denise Rangel Posted in Família, Mãe-órfã, 1 Comment »

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Espera-se que, nas festas de aniversário as atenções estejam voltadas para o aniversariante. O que vemos, no entanto,   no Natal, é que o  aniversariante é o mais esquecido pela maioria das pessoas.  Fazem festa à qual ele não é convidado ou sequer bem-vindo. Os cristãos  procuram passar o verdadeiro sentido do Natal, com celebrações, orações, cantatas, e outras manifestações.

Mas, nem todos  se preocupam com o Jesus do Natal.  Um Natal sem Jesus é  o que se vê, ano após ano. A comemoração tornou-se mais uma empresa comercial  que uma prática religiosa.   Jesus não é a razão para a época; a compra de presentes e bens de consumo o é.

Para muita gente, o Natal é uma festa que incentiva  a proximidade da família e do espírito de generosidade. Apenas isto. Penso que trocar presentes nesta época parece-me mais uma imposição social que generosidade. A  genuína celebração de Natal que possui ligações religiosas, tornou-se praticamente inexistente na maioria das famílias.

Em  minha família, todos os anos, há uma movimentação, quase uma convocação geral, para todos participarem do Natal reunidos em um só lugar.  Até uns três anos atrás, eu participava, com muita satisfação, da troca de presentes, da confraternização com os familiares. Alguns dos quais, eu só encontro nesta época. O resto do ano, sequer um telefonema… Mas, de uns tempos para cá, depois que meu menino se foi,  minha visão de mundo mudou bastante.

Hoje em dia, só participo das comemorações na medida em que me seja possível tolerar as  manifestações familiares.  Nada que é imposto me seduz.  Desde aquele ano, em minha casa não há mais árvore, nem luzinhas, nem cartões,  nada.   Há  muita tristeza ainda, muitas lágrimas engolidas.  Mas, por outro lado, minha filha espera que eu vá para a sua casa hoje;  meus pais e familiares estão programando uma reunião mais tarde também. E eu gostaria de passar o dia sozinha, sem ter de ir a lugar algum.

Não fui assistir à Cantata de Natal este ano. Mas vou ficar um pouco com minha filha e a Princesinha. E meu menino também, estará lá conosco. Comigo sempre. Seu sorriso eternamente em minha memória e em meu coração. É a única coisa que não conseguiram tirar de mim.

Peço a Deus (sim, ainda acredito nele) que este espírito de generosidade e compreensão esteja no coração e nas ações cotidianas das pessoas. Não só em um dia do ano, mas o ano inteiro. Aí, sim, faz sentido comemorar o Jesus do Natal, e não este Natal sem Jesus que vemos por aí. Sem Jesus, mas com festa…

Imagem: daqui

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Prova teórica do Detran: você obedece à legislação?

December 11th, 2008 Denise Rangel Posted in Blogagem coletiva, Cidadania, Família, Mulher, Trabalho, crianças, violência 2 Comments »

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Tenho de fazer  a prova teórica de trânsito e primeiros socorros do Detran hoje, para renovação da carteira de habilitação. Precisei desmarcar uns compromissos por causa disto. Uma amolação. Terei de responder, em um computador, perguntas relacionadas à legislação de trânsito, primeiros socorros e sinalização.

Não sei para quê fazer exame teórico se, na prática, não se cumpre à risca o que manda a legislação. Por exemplo, eu não prendo a Princesinha no cinto de segurança no banco de trás, desde que o menino João Hélio foi arrastado por bandidos, preso ao cinto de segurança. Ou ela vai no colo da mãe, ou sentadinha ao meu lado, com cinto, em trajetos curtos e em ruas de pouco ou nenhum movimento. Estou errada, vocês gritarão. Prefiro a multa…

Também não paro em sinal vermelho, à noite, em lugares esquisitos.  E vocês sabem que as escolas ficam em lugares  o mais próximo possível das comunidades carentes, onde o índice de violência  é maior.   Gosto  do lugar em que trabalho e não pretendo sair de lá ainda. Como leciono todas as noites , volto  para casa tarde e  dirijo sozinha. O futuro Prefeito que me perdoe,  mas esta história de religar radar no Rio, de madrugada, é mais uma forma de caçar níqueis. Duvido que ele ficaria parado em um cruzamento deserto, à noite. Pronto, falei!

Voltando ao assunto da prova teórica do Detran,  acredito que não será difícil, pois conheço a legislação. Cumpri-la , sem questionar é outra história, hehe. Pra quem quer treinar um pouquinho antes da prova, o Detran disponibiliza o simulador de prova teórica. Basta conhecer o vocabulário utilizado. Muita gente se confunde, justamente por não saber o que significam  algumas palavras, como “passagem de nível, “perímetro urbano”, “frenagem”, “declives”, “incidência de ventos transversais” e outras.

Bem, vamos lá. Espero gabaritar as 30 questões. Excesso de confiança? Talvez. Depois conto para vocês.

Atualizando:

Pronto! Fui lá, me estressei com os atendentes porque não havia a minha foto no sistema, e eles queriam que eu fosse a outro posto, em que entreguei os documentos , para tirar a tal foto.  Que absurdo, com o equipamento todo ali! Reclamei muito e consegui que tirassem minha foto e pude fazer a prova.  É, Valter, são uns “poias,” mesmo! Resultado: não gabaritei. Mas passei.

Imagem: daqui

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Resposta ao professor Valdemar Setzer

December 4th, 2008 Denise Rangel Posted in Família, crianças, educação e ensino, sociedade, tecnologia, web 16 Comments »

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Em resposta ao post anterior “Crianças sem tevê e pc. Pode?” , sobre a relação entre a educação e os meios eletrônicos, recebi , do próprio professor Valdemar W. Setzer, este comentário sobre suas pesquisas e convicções:

” Toda educação sempre foi radical. Quero que alguém me mostre uma cantina de escola que venda pinga para as crianças (ou mesmo cerveja). Como acho que falei no programa, quero ver o pai que aqui em São Paulo deixa as suas crianças brincarem na rua (a não ser a periferia), como eu brinquei. Quero ver o pai (sadio…) que dá cigarros, bebidas alcoólicas ou revistas pornográficas para seus filhos crianças ou adolescentes. Pois é, vocês vão todos concordar que evitar tudo isso é correto. Pois isso tudo é radicalismo, e até censura. Isso é o normal na educação. **Desde que se reconheça** que algo é prejudicial à criança ou ao adolescente, tem que ser evitado, não há meio termo. Pois é, eu reconheço os males dos meios eletrônicos para eles. Quase ninguém reconhece. Daí a diferença entre eu e quase o resto de todo o mundo. Gostaria que alguém fosse objetivo, lesse meus trabalhos que estão em meu site, e mostrasse objetivamente onde estou errado. Se conseguir mostrar isso, mudarei as minhas conclusões. Lembrem-se do que falei no fim do programa (meu sogro R. Lanz já dizia que se deve preparar muito bem uma última frase de uma palestra, o resto não interessa…): estamos destruindo a natureza, a sociedade e o indivíduo. É preciso mudar a mentalidade para reverter esse processo. Na minha opinião, uma mudança essencial e necessária diz respeito ao uso de meios eletrônicos por crianças e adolescentes pois, entre outros, o impacto deles em sua mentalidade e personalidade é terrível.”

Minhas reflexões sobre o assunto:

Assisti às duas entrevista do professor Valdemar W. Setzer, ao vivo e nos bastidores do programa Roda Viva e na Jovem Pan. Compreendi exatamente o objetivo de sua pesquisa sobre o impacto terrível dos meios eletrônicos na mente e personalidade de crianças e adolescentes, por serem ingênuas e não terem discernimento para filtrar o que lhes é prejudicial. E me recordo bem da analogia que fez entre as coisas ruins que não damos a nossos filhos, como bebida, cigarros e outras coisas maléficas, por conhecermos seus efeitos danosos.

No entanto, embora eu acredite que a tevê e outras tecnologias , como games e internet, contenham conteúdos prejudiciais às crianças, tenho de admitir que é quase impossível haver um lar onde não exista um aparelho de tevê. E mais difícil ainda evitar que as crianças pequenas assistam à tevê. Os games e a internet podem ser controlados e até impedidos de ser usados pela criança. Mas a tevê, acho mais complicado.

Tenho uma netinha de três anos e também somos, os pais dela e eu, radicais em relação à sua educação em muitos aspectos. Ela assiste, na tevê, a vídeos selecionados por nós e apropriados para sua idade, como os dvds da Aline Barros, e a programas infantis educativos, como, por exemplo, o Hi five, que contam histórias que estimulam a amizade, solidariedade, e outros valores importantes para a criança viver em harmonia e respeito com seus pais, amigos e a natureza; ensinam cores, letras e números; ensinam a fazer brincadeiras, como casinhas, foguetes, barquinhos, e outros objetos para ilustrar as histórias, usando o que se tem em casa, como almofadas, colher de pau, lençol, papel, enfim, usam a criatividade e estimulam a imaginação das crianças. Ela corre para pegar lápis e papel, tesoura e cola para fazer os “trabalhinhos” que Mister Make ensina em seu programa.

Aparelho eletrônico e seu conteúdo

Penso que não é o aparelho que precisa ser evitado, mas sim, seus conteúdos impróprios. Monitorar o que a criança vê e orientá-la em relação ao uso da tevê, e a outros meios é, a meu ver, uma obrigação de todo pai ou responsável. Como o professor mesmo diz: “permitir a uma criança acesso sem monitoração à Internet é o mesmo que colocá-la numa esquina e não prestar atenção ao que acontece”. O erro está na falta de controle dos pais ou responsáveis, penso assim. Conversar com os filhos e relatar fatos ruins ocorridos na internet é, como o professor mesmo reconhece, uma forma de orientá-los e protegê-los. Proibir o uso da tevê , repito, é muito difícil; administrar o seu uso é o mais viável.

Li alguns dos trabalhos do professor, como a pesquisa sobre como proteger seus filhos da internet e reconheço a relevância deles no que diz respeito à influência da tecnologia, principalmente a internet, na educação das crianças e, com certeza, é necessário e extremamente importante haver uma mudança na mentalidade e no comportamento dos pais e responsáveis sobre o uso de meios eletrônicos por crianças e adolescentes e o impacto deles em sua mentalidade e personalidade.

Proibir ou orientar?

Uma criança que é proibida pelos pais de assistir à tevê ou de usar a internet, é exposta a estes meios em outros lugares, como a casa de colegas ou parentes, ou na escola. A proibição ao uso do aparelho deve, a meu ver, ser substituída por orientação específica às crianças sobre o que elas podem e o que elas não podem fazer na Internet, como não fornecer informações a quem não conhece (não fale com estranhos vale para a vida real, não só para a virtual).

E, como qualquer atitude dos filhos que é desaprovada pelos pais recebe uma disciplina , também deve existir , como o professor mesmo afirma , “penalidades”, como a suspensão do uso da tevê ou do computador. As “penalidades” devem ser cumpridas sempre que se constatar que houve desobediência às regras determinadas sobre o uso dos meios eletrônicos, como a internet e a tevê.

Este assunto é instigante e deve ser debatido com seriedade e profunda reflexão, penso eu, desta maneira: não proibir o acesso ao aparelho , mas sim, a seu conteúdo prejudicial , pernicioso e inadequado a nossas crianças. E esta tarefa é responsabilidade dos adultos. Deixá-los em ” uma esquina e não prestar atenção ao que acontece” é irresponsabilidade e completa falta de amor e respeito a nossos filhos. Orientá-los é promover meios para que se tornem pessoas e equilibradas, responsáveis e criativas.

Em nosso próximo post, falaremos sobre minha experiência com o uso do computador como ferramenta de trabalho em meu dia-a-dia de professora.

Imagem: daqui

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Crianças sem TV e PC! Pode?

December 3rd, 2008 Denise Rangel Posted in Família, crianças, educação e ensino 7 Comments »

Bem, a entrevista no Roda Viva de ontem, com o professor Valdemar Setzer, professor da USP e engenheiro que estuda a relação entre a educação e os meios eletrônicos, foi polêmica. Ele afirma em seu site que as crianças não devem ser expostas à tecnologia pois são imaturas e ingênuas. Quanto aos adultos, ele disse que não vê problemas pois têm discernimento. De uma certa forma ele tem razão, embora radical demais.

Eu também acredito que as crianças que não são monitoradas por um adulto, quando ficam horas diante da tevê, dos vídeos games e da internet podem ser mais prejudicadas que auxiliadas pelos meios de comunicação e pela tecnologia. Mas, será que o professor não está radicalizando demais a questão? Ele afirma que devemos deixar “as crianças serem infantis”, não lhes permitindo “o acesso à tevê, aos jogos eletrônicos e aos computadores!”

Eu não seria tão radical. Não consigo imaginar um mundo em que as crianças sejam impedidas do acesso à tevê ou ao computador. A tecnologia é mais uma ferramenta para adquirir conhecimento, que deve ser acompanhada de perto por pais e mestres. Cabe a estes o dever de orientar as crianças o modo adequado de se usar a tecnologia como meio mais educativo e menos ameaçador.

Imagem: charge feita durante a entrevista por Paulo Caruso

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