
Em resposta ao post anterior “Crianças sem tevê e pc. Pode?” , sobre a relação entre a educação e os meios eletrônicos, recebi , do próprio professor Valdemar W. Setzer, este comentário sobre suas pesquisas e convicções:
” Toda educação sempre foi radical. Quero que alguém me mostre uma cantina de escola que venda pinga para as crianças (ou mesmo cerveja). Como acho que falei no programa, quero ver o pai que aqui em São Paulo deixa as suas crianças brincarem na rua (a não ser a periferia), como eu brinquei. Quero ver o pai (sadio…) que dá cigarros, bebidas alcoólicas ou revistas pornográficas para seus filhos crianças ou adolescentes. Pois é, vocês vão todos concordar que evitar tudo isso é correto. Pois isso tudo é radicalismo, e até censura. Isso é o normal na educação. **Desde que se reconheça** que algo é prejudicial à criança ou ao adolescente, tem que ser evitado, não há meio termo. Pois é, eu reconheço os males dos meios eletrônicos para eles. Quase ninguém reconhece. Daí a diferença entre eu e quase o resto de todo o mundo. Gostaria que alguém fosse objetivo, lesse meus trabalhos que estão em meu site, e mostrasse objetivamente onde estou errado. Se conseguir mostrar isso, mudarei as minhas conclusões. Lembrem-se do que falei no fim do programa (meu sogro R. Lanz já dizia que se deve preparar muito bem uma última frase de uma palestra, o resto não interessa…): estamos destruindo a natureza, a sociedade e o indivíduo. É preciso mudar a mentalidade para reverter esse processo. Na minha opinião, uma mudança essencial e necessária diz respeito ao uso de meios eletrônicos por crianças e adolescentes pois, entre outros, o impacto deles em sua mentalidade e personalidade é terrível.”
Minhas reflexões sobre o assunto:
Assisti às duas entrevista do professor Valdemar W. Setzer, ao vivo e nos bastidores do programa Roda Viva e na Jovem Pan. Compreendi exatamente o objetivo de sua pesquisa sobre o impacto terrível dos meios eletrônicos na mente e personalidade de crianças e adolescentes, por serem ingênuas e não terem discernimento para filtrar o que lhes é prejudicial. E me recordo bem da analogia que fez entre as coisas ruins que não damos a nossos filhos, como bebida, cigarros e outras coisas maléficas, por conhecermos seus efeitos danosos.
No entanto, embora eu acredite que a tevê e outras tecnologias , como games e internet, contenham conteúdos prejudiciais às crianças, tenho de admitir que é quase impossível haver um lar onde não exista um aparelho de tevê. E mais difícil ainda evitar que as crianças pequenas assistam à tevê. Os games e a internet podem ser controlados e até impedidos de ser usados pela criança. Mas a tevê, acho mais complicado.
Tenho uma netinha de três anos e também somos, os pais dela e eu, radicais em relação à sua educação em muitos aspectos. Ela assiste, na tevê, a vídeos selecionados por nós e apropriados para sua idade, como os dvds da Aline Barros, e a programas infantis educativos, como, por exemplo, o Hi five, que contam histórias que estimulam a amizade, solidariedade, e outros valores importantes para a criança viver em harmonia e respeito com seus pais, amigos e a natureza; ensinam cores, letras e números; ensinam a fazer brincadeiras, como casinhas, foguetes, barquinhos, e outros objetos para ilustrar as histórias, usando o que se tem em casa, como almofadas, colher de pau, lençol, papel, enfim, usam a criatividade e estimulam a imaginação das crianças. Ela corre para pegar lápis e papel, tesoura e cola para fazer os “trabalhinhos” que Mister Make ensina em seu programa.
Aparelho eletrônico e seu conteúdo
Penso que não é o aparelho que precisa ser evitado, mas sim, seus conteúdos impróprios. Monitorar o que a criança vê e orientá-la em relação ao uso da tevê, e a outros meios é, a meu ver, uma obrigação de todo pai ou responsável. Como o professor mesmo diz: “permitir a uma criança acesso sem monitoração à Internet é o mesmo que colocá-la numa esquina e não prestar atenção ao que acontece”. O erro está na falta de controle dos pais ou responsáveis, penso assim. Conversar com os filhos e relatar fatos ruins ocorridos na internet é, como o professor mesmo reconhece, uma forma de orientá-los e protegê-los. Proibir o uso da tevê , repito, é muito difícil; administrar o seu uso é o mais viável.
Li alguns dos trabalhos do professor, como a pesquisa sobre como proteger seus filhos da internet e reconheço a relevância deles no que diz respeito à influência da tecnologia, principalmente a internet, na educação das crianças e, com certeza, é necessário e extremamente importante haver uma mudança na mentalidade e no comportamento dos pais e responsáveis sobre o uso de meios eletrônicos por crianças e adolescentes e o impacto deles em sua mentalidade e personalidade.
Proibir ou orientar?
Uma criança que é proibida pelos pais de assistir à tevê ou de usar a internet, é exposta a estes meios em outros lugares, como a casa de colegas ou parentes, ou na escola. A proibição ao uso do aparelho deve, a meu ver, ser substituída por orientação específica às crianças sobre o que elas podem e o que elas não podem fazer na Internet, como não fornecer informações a quem não conhece (não fale com estranhos vale para a vida real, não só para a virtual).
E, como qualquer atitude dos filhos que é desaprovada pelos pais recebe uma disciplina , também deve existir , como o professor mesmo afirma , “penalidades”, como a suspensão do uso da tevê ou do computador. As “penalidades” devem ser cumpridas sempre que se constatar que houve desobediência às regras determinadas sobre o uso dos meios eletrônicos, como a internet e a tevê.
Este assunto é instigante e deve ser debatido com seriedade e profunda reflexão, penso eu, desta maneira: não proibir o acesso ao aparelho , mas sim, a seu conteúdo prejudicial , pernicioso e inadequado a nossas crianças. E esta tarefa é responsabilidade dos adultos. Deixá-los em ” uma esquina e não prestar atenção ao que acontece” é irresponsabilidade e completa falta de amor e respeito a nossos filhos. Orientá-los é promover meios para que se tornem pessoas e equilibradas, responsáveis e criativas.
Em nosso próximo post, falaremos sobre minha experiência com o uso do computador como ferramenta de trabalho em meu dia-a-dia de professora.
Imagem: daqui
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