Como interlocutora frequente de várias iniciativas pela causa ecológica em meu cotidiano, e abordando muitas vezes, aqui no blog, temas sobre educação ambiental, alimentos orgânicos e consumo consciente, penso que devo novamente trazer à reflexão o hábito de consumir o bacalhau na Semana Santa.
Espécie ameaçada
Convém lembrar que o bacalhau consta, na lista vermelha de animais ameaçados de extinção, como “vulnerável”, e que a sua população chegou aos níveis quantitativos mais baixos da história. O bacalhau da Noruega, da espécie Gadus morhua, tem uma reprodução bem demorada e pouco eficiente: a fêmea chega a pôr 10 milhões de ovos para apenas um se salvar. É fácil verificar que há muito pouco bacalhau no mar.
Não se trata aqui de impor atitudes a ninguém. A alta do preço para o consumidor já é um forte indício de que o bicho é raro. Isto não é necessariamente um problema para quem gosta de bacalhau e pode comprá-lo. A intenção é de conscientizar um maior número de pessoas de que suas escolhas são fundamentais para preservação ou extinção de uma espécie importante do topo da cadeia alimentar do Atlântico.
É cristão preservar a natureza?
A Igreja Católica, na época da Idade Média, mantinha um rigoroso calendário onde os cristãos deveriam obedecer os dias de jejum, excluindo de sua dieta alimentar as carnes consideradas “quentes”. O bacalhau era uma comida “fria” e seu consumo era incentivado pelos comerciantes nos dias de jejum. Com isso, passou a ter forte identificação com a religiosidade e a cultura do povo.
Já que a tradição de comer peixe na Semana Santa existe, a Igreja poderia ser um instrumento poderoso para divulgar esta realidade e estimular a mudança de hábito para preservar, não apenas o bacalhau, mas outras espécies de peixe igualmente ameaçadas. Na lista estão o atum, o salmão do Atlântico, o bacalhau do Atlântico, os tubarões, o peixe-espada, o marlin, o camarão tropical, a corvina, o badejo, a sardinha e a tainha.
Esclarecer sobre a iminência de extinção do bacalhau e de outras espécies de peixe; fazer uma reflexão sobre a tradição de se comer peixe na Semana Santa, é importante para que as pessoas, cientes desta informação, façam suas escolhas.
Esta é uma época ideal para se falar sobre isso: espécies podem entrar em colapso, e que temos contribuído, ao longo dos anos, para que a situação chegue a este ponto.






















