Livros online e offline

February 7th, 2010 Denise Rangel Posted in Arte e Literatura, Educação e ensino, Projeto de leitura 2 Comments »

Durante a Campus Party 2010, um grupo apaixonado por livros, composto por editores, blogueiros, professores , jornalistas, advogados e  estudiosos, se reuniu em uma Desconferência sobre livros digitais”, para discutir o futuro dos livros.

Estávamos lá, @deniserangel ( eu mesma!), @hedraonline, @ladyrasta,  @samegui , @ronaldopelli,  @alessandro_m , @gnsbrasil, @lenteaberta, @tebenas, @cybelemeyer, (esqueci alguém?),  com cobertura online no twitter, pela tag  #livrodigital.

A discussão teve como foco a mudança na forma de consumo na leitura de livros e em como os leitores vão encarar os livros no futuro. Discutimos o perfil do novo autor, diante de todas as possibilidades  de publicação on line e offline.

Deste encontro saíram algumas opiniões para algumas questões, entre elas: “o livro impresso em papel não vai morrer”;  “as pessoas optarão, em alguns casos, por leitores digitais”;  “outras, utilizarão exclusivamente os e-readers”. Todos concordamos que a leitura, a transmissão de informação, de conhecimento, de conteúdo, não vai acabar. Ufa!

Como vai ser a transformação da leitura na transição para o digital? Quais são os prós e os contra da transformação?  Quem prefere ler no papel, o que vai fazer? Essas e outras perguntas podem ser discutidas na comunidade Livros online e offline, criada em  O livreiro.

Quer entrar na discussão? Associe-se à nova comunidade Livros online e offline, em O livreiro e participe!

Foto: Sam Shirashi

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Este adolescente é seu filho!

December 6th, 2009 Denise Rangel Posted in Educação e ensino, Família e Amigos, Vida de Mestra 5 Comments »

adolescente-limites

Todo ano é a mesma história: adolescentes, às vésperas do vestibular, sem média para aprovação, ficam “presos” no colégio, em aulas de apoio para as provas finais, enquanto seus amigos já estão aproveitando as férias. Estes adolescentes decidiram, ao longo do ano, se estudariam ou não. O controle de sua vida escolar esteve em suas mãos o tempo todo.

Indago-me, constantemente, por que muitos pais não acompanham os estudos dos filhos adolescentes, como o faziam, quando eram menores. Definitivamente, eles não são mais as mesmas criancinhas de alguns anos atrás, quando faziam o que o professor dizia, e não questionavam as ordens do pai e da mãe.  No entanto, ainda são filhos e precisam de apoio, auxílio, incentivo, advertência e os limites  necessários para seu desenvolvimento.

Esta questão de aprovação ou reprovação é extremamente delicada pois as práticas avaliativas, atualmente, são incompetentes para diagnosticar o desempenho de um adolescente se todos – alunos, professores e pais – não acompanham juntos os dias letivos o ano inteiro. Muitos pais de alunos adolescentes sequer sabem  em que período do ano acontecem as “provas”, quais são os trabalhos solicitados ao longo do ano e  tampouco qual a média anual de seus filhos.

Sempre acreditei que a  a aprendizagem realmente se concretiza quando o ser humano compreende a utilidade deste aprendizado para sua vida. Só aprendemos aquilo que queremos aprender. Alguns alunos adolescentes questionam a utilidade de minhas aulas. Para eles, conhecer os movimentos literários, seus autores e obras, não serve para outra coisa, a não ser que “cai no vestibular”. E faltam aos compromissos  acadêmicos deliberadamente, senhores que são de sua própria vida escolar.

No entanto, ao se depararem com as provas finais, os adolescentes tentam recuperar, em poucos dias, o que não tiveram o interesse de aprender durante o ano. Inicia-se o corre-corre atrás de professores particulares para compensar a deficiência. Ignoram que as tais aulas só são eficazes se eles próprios se conscientizarem de que poderão reter apenas o essencial. Do contrário, elas serão apenas um aumento no orçamento dos pais.

O professor toma para si a responsabilidade da reprovação, quando esta deveria ser compartilhada entre a escola e a família. Os pais precisam tratar seus adolescentes  como filhos, em vez de abandoná-los à própria sorte, como adultos que ainda não são. Eles querem este controle, embora se rebelem a ele. “O pai moderno é aquele que estabelece limites com fundamentos educacionais.” (Tania Zagury).

Este é um jogo que pais e professores precisam aprender a jogar. Espero ter boas notícias até o final do semestre.

Imagem: daqui

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Dê para quem ama um cofrinho… ♫

November 12th, 2009 Denise Rangel Posted in Educação e ensino, Faça a sua parte, Meio ambiente, Rede Ecoblogs 5 Comments »

Clarisse e sua poupancinha

Atualização:

Fui infeliz ao usar juízos de valor em meu post, quando o objetivo dele não era avaliar a caderneta de poupança ou qualquer instituição financeira, pelo contrário, era sim, estimular o hábito de poupar nas crianças e diminuir o consumismo desenfreado tão prejudicial à educação financeira e ambiental. Sendo assim, retirei os termos inadequados e as observações a respeito da Delfin, pois não era este o objetivo do post.

— ♥ —

Vocês se lembram desta musiquinha de uma campanha de Natal de 1973, da  Caderneta de Poupança Delfin?

Neste Natal, lembre-se de mim

Dê para quem ama um cofrinho da Delfin …

As pessoas buscavam os cofrinhos para seus filhos, enchiam-nos de moedas e depois depositavam-nos na Caderneta de Poupança.  Na época, tínhamos vários cofrinhos destes, que meus irmãos menores usavam para brincar, pois não tinham “moedas” suficientes para  enchê-los e muito menos para depositar o dinheiro na  caderneta.

Bem, voltando ao presente, hoje em dia, os pais compram um porquinho-cofre que são alimentados ao longo do ano com moedas pelas crianças, na esperança de que, no Natal, ao quebrá-lo, o sonho de ter aquele brinquedo tão desejado se realize.

Clarisse e cofrinho1O hábito de ter um destes porquinhos voltou, quando a Princesinha chegou. A cada ano ela recebe moedinhas que engordam sua porquinha carinhosamente chamada de Pig, influenciada pela personagem do desenho animado.

Aos quatro anos, ela já sabe que para se obter qualquer bem, seja alimento, roupa ou brinquedo, os pais e a avó trabalham para ter dinheiro a fim pagar por eles. E já repete que algo custou muito caro, e que deve ser bem cuidado para durar bastante.

Quando vamos ao supermercado ou ao shopping, antes de chegar ao caixa, sempre perguntamos a ela se tem dinheiro para pagar pelo que colocou no carrinho de compras (sim, pois ela vai enchendo o carrinho também…). Geralmente ela tem um moedinha em algum bolso ou em uma bolsinha que carrega pendurada ao corpo, e entrega à moça para pagar a conta.

Este gesto simbólico é significativo para a Educação financeira que estamos dando a ela. Nesta sociedade consumista, em que a facilidade de crédito antecipa o prazer de possuir um bem antes de se trabalhar por ele, as consequências são desastrosas: dívidas imensas e o salário empenhado em cartões de crédito, crediários e afins.

poupa, Princesinha!Ensinar a criança que é preciso trabalhar antes, poupar e depois consumir, é saudável para o desenvolvimento dela como cidadã consciente,  e para a conscientização de que o consumo desenfreado, em um mundo em que os recursos estão ameaçados de se extinguirem, é um mal que precisa ser desestimulado.

Se cada um fizer a sua parte e, pelo menos, reduzir o consumismo no dia-a-dia, e cultivar este hábito nas crianças, isto fará uma diferença significativa para o planeta, que sofre com a destruição de seus recursos já tão escassos.

poupar é bom!Neste Natal, mais uma vez, Clarisse, minha Princesinha, quebrará sua porquinha-cofre e ganhará uma nova.  Desta vez, um cofrinho permanente, daqueles que têm uma chave, e que não precisará ser quebrado no fim do ano.

Assim, além de aprender a economizar, também será estimulada a compreender as noçoes de reciclagem e o reaproveitamento de materiais.

As crianças precisam crescer entendendo que economizar é bom, não só para o bolso, mas principalmente para o meio ambiente, sua maior herança.

E você, neste Natal, dê para quem ama um cofrinho, de preferência reciclável. É bom para seu filho, é bom para o seu bolso, e, principalmente, é bom para o Planeta. Pense nisto.

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Uma piranha bem perua

November 10th, 2009 Denise Rangel Posted in Educação e ensino, Meio ambiente, Rede Ecoblogs 3 Comments »

Esta história aconteceu há alguns anos, em uma de minhas aulas, à noite. Meus alunos, jovens e adultos, preparavam atividades para a semana do folclore, e organizavam uma exposição de  objetos  artesanais. Um dos objetos, trazido por uma aluna, chamou minha atenção por sua beleza e originalidade.  Impulsiva, como sou (sturm und drang) , entrei em sala de aula e perguntei ao alunos:

- Pessoal, vocês já viram uma piranha?

Os alunos mais jovens começaram a rir, e as senhoras mais velhas ficaram meio sem graça. Percebendo a ambiguidade de minha pergunta, mostrei-lhes o objeto e consertei:

- Esta é a verdadeira piranha, gente. Não é o que vocês estão pensando, não!

Expliquei-lhes que objeto era um peixe embalsamado, uma piranha (Pygocentrus nattereri) linda, brilhante! “A fama da piranha – embora um pouco exagerada – se justifica, pois a ferocidade e a força de suas mandíbulas é incrível. Elas preferem habitar as águas paradas, concentrando-se aí em quantidades impressionantes, prontas para o ataque.”

piranha

Há dois grupos distintos de piranhas: as falsas, do gênero Serrasalmus, conhecidas como piranhas-brancas ou pirambebas, e as verdadeiras, conhecidas como piranha, piranha-vermelha, piranha-amarela e piranha-caju, do gênero Pygocentrus, brilhante, como a da foto. Esta última é considerada uma das mais ferozes, podendo chegar a 60 cm de comprimento. As escamas modificadas, facilitam seu deslocamento na água. As escamas são muito pequenas, uma característica dos peixes de deslocamento rápido.

- Não sei bem qual é a relação, mas o fato é que esses belos animais, cheios de personalidade, são injustamente comparados a, vocês sabem o quê, certo? Chamam de piranha a mulheres de vida fácil (ou difícil). Mas a coisa acabou generalizada, porque qualquer mulher pode ser chamada de piranha, por puro preconceito. Namora demais, usa roupa provocante, etc, já é chamada de piranha.

- Então, já viram, né, pessoal? Quanto mais brilhante, enfeitada ou “perua” for a piranha, mais perigosa ela será.

Bem, acabei dando aula sobre a linguagem figurada e fiquei devendo a eles uma crônica sobre “a piranha do pantanal”. Acho que acabei de escrever uma…

Foto Pygocentrus nattereri

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Transformando um bairro numa escola

October 24th, 2009 Denise Rangel Posted in Educação e ensino, Eventos, Vida em sociedade, Viver é preciso No Comments »

Conheça o Movimento +feliz

Todos somos especiais. Mas, juntos, somos muitos mais. Conheça e divulgue a campanha que está aumentando o número de pessoas, empresas e comunidades no Movimento + Feliz, um movimento apartidário e não governamental que uniu empresas dos mais diferentes setores da nossa economia – indústria, comércio e serviços.

O objetivo é disseminar a felicidade ou, em termos práticos, incentivar a participação, o envolvimento e a doação para causas sociais. O primeiro beneficiado do movimento será o Bairro-Escola, coordenado pela Cidade Escola Aprendiz, que transforma espaços ociosos e deteriorados em locais educativos para a comunidade. Uma praça abandonada, um teatro desativado, um beco sombrio viram locais de aprendizagem, de convívio produtivo, de desenvolvimento de habilidades.

A ideia é  reproduzir este projeto em todo o Brasil. É uma verdadeira engenharia comunitária, que literalmente transforma um bairro numa escola. A Cidade Escola Aprendiz já frequenta as salas da Universidade de São Paulo. E tem o reconhecimento do UNICEF, da UNESCO e da Harvard.

Participando do Movimento , estaremos juntos acelerando o crescimento da Cidade Escola Aprendiz. Você pode doar 1 dia do seu salário, mas também pode doar um dia do seu trabalho, doar seu tempo ou se voluntariar em diversos programas. As formas de ajudar são diversas e se você quiser saber melhor como pode fazer parte do Movimento + Feliz, leia aqui:

Doe 1 dia do seu trabalho para fazer o mundo + Feliz, começando pelo seu bairro.

Leia mais:
Doe
Participe
Empresas + Feliz

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Professor, necessário ou descartável?

October 14th, 2009 Denise Rangel Posted in Educação e ensino, Rede Ecoblogs, Tecnologia, Vida de Mestra 6 Comments »

Repliee_Q2

Será que nós estamos desenvolvendo a “síndrome de Bournout“, que, de acordo com uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) atinge cerca de 25% dos professores? “Não é stress, depressão ou angústia: é pior, pois o professor se transforma num robô, o que é muito grave, porque a educação pressupõe dedicação.

Essa síndrome faz com que o trabalhador perca o sentido de sua relação com o trabalho, de forma que nada mais importa, e qualquer esforço parece inútil, causando uma enorme desmotivação, quando o profissional se depara com a violência que vem atingindo as escolas, tanto públicas quanto particulares. Essa violência, além de atingir os professores, prejudica o desempenho dos alunos.”

Olhando para os alunos, percebo que as dúvidas deles sobre os objetivos das aulas são, exatamente, o porquê de terem de aprender tudo isso. Procuro explicar-lhes, mostrando que há vários métodos para se registrar a história da gente, nos diferentes tipos de Arte, e que eles poderão escolher em suas vidas, o método que mais lhes agradar para conhecer a história universal dos povos, e também para viajar pela aventura humana, e desvendar as questões mais transcendentais sobre o sentido da vida.

E a mim compete apresentar-lhes a Arte literária. Nenhum deles me perguntou ainda por que não são obrigados então, a ter aulas de Música, ou de Pintura, ou de Escultura, ou de Arqueologia, ou de Antropologia, ou de Teatro, por exemplo. Para eles, conhecer os movimentos literários, seus autores e obras, não serve para outra coisa, a não ser que “cai no vestibular”.

Então, penso que, se os alunos perguntam para que serve “esta coisa”, ou por que têm de saber tudo “isso”, é porque minhas aulas não estão demonstrando que eles saibam o tempo todo por que estão estudando Literatura, ou então é porque o conteúdo está sem graça, fora do contexto. O que será que o desinteresse dos alunos está querendo me comunicar? O que querem realmente me dizer com conversas paralelas, brincadeiras, sono (sim, alguns dormem na aula) e agressividade?

Parece-me que não estão direcionando estas atitudes especificamente para mim ou para a matéria que têm de aprender, mas para este ambiente monótono, asfixiante em que se transformou a sala de aula. Talvez preferissem estar em outro lugar, certamente em seus quartos, em jogos de computador, ou em outro ambiente que lhes trouxesse mais vontade de participar das atividades e não querer mais parar.

E nestas horas, sinto minha limitação para fazer as aulas criativas e interessantes, e transcender meus limites. E indago-me:”sou professora para quê?”, se cada um traz dentro de si uma inquietude, uma curiosidade natural para descobrir sua história e meios para obter tal conhecimento (se assim o desejar, é claro)?

Então, concluo que, para os alunos que realmente desejam ampliar sua cultura e saciar sua sede de conhecimento, não é suficiente ficar assistindo a aulas, somente sentados naquelas carteiras. Preciso rever meus métodos. Talvez, nós, professores, já tenhamos sidos descartados e engolidos pela máquina globalizante, diante de uma geração que  tem outros objetivos tão imediatos. Uma professora-robô. Será?

Leia mais sobre síndrome de burnout, aqui e aqui.
Imagem: Robô Repliee Q2

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O “cara” já nasce poeta

September 18th, 2009 Denise Rangel Posted in Arte e Literatura, Educação e ensino, Eventos 1 Comment »

caféliterário

Assisti ao bate-papo, muito interessante por sinal, sob o tema “Criando espaço para o poético, entre modernidade e tradição“, com Ferreira Gullar, Eucanaã Ferraz, Claudia Roquette-Pinto, com a mediação de Suzana Vargas,  no Café literário, da Bienal do livro, no Rio de Janeiro.

Gostei, particularmente, da posição de Ferreira Gullar em relação ao fazer poético e  o poeta. Em sua opinião, não se aprende a fazer poesia. Já se nasce com isso.

Concordo com ele quando diz que o poeta tem um modo diferente de lidar com a palavra.  O poeta tem  o talento, tem a inspiração, que vem como um relâmpago que ele capta e  daí nasce o poema.

É óbvio que se tem de ter a técnica do fazer poético. Mas, saber fazer não é suficiente. Gullar afirma que, sem inspiração e motivação, não nasce o poema. O poeta tem de ter a capacidade de se espantar com as coisas. O poema explode no poeta. A poesia acontece.

E, vai mais além: fazer poesia é violentar a linguagem. É superar os limites da racionalidade do discurso, que tende a ser lógico naturalmente, e cabe ao poeta, violentá-lo. A poesia deve ser feita sem o controle da razão.

Em minha experiência como professora de Literatura, sempre defendi a tese de que poesia ou literatura se aprende na escola. No entanto, o poeta, o artista, o gênio da palavra já nasce pronto. Toda técnica aprendida não faz de mim uma poetisa. Quantas vezes me vi sem nenhuma inspiração para escrever. Ao passo que, muitos poetas há, que não têm nenhum conhecimento teórico ou literário.

Teoria pode até conferir maior qualidade ao texto, mas a alma, a vida que explode no poema, esta, não se aprende na escola. Como diz Gullar: “o cara já nasce poeta.”

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Os sofrimentos da jovem Maya (Werther ?)

September 12th, 2009 Denise Rangel Posted in Arte e Literatura, Educação e ensino, Vida de Mestra 3 Comments »

mayawerther

O recesso prolongado por ocasião do surto de gripe suína, obrigou-nos a ministrar algumas aulas extras hoje, pela manhã para repor o período parado. Fui para o trabalho imaginando a recepção nada calorosa de adolescentes retirados da cama, em uma manhã de sábado.

Quando cheguei à sala de aula, o assunto principal era o final da novela Caminho das Índias, de  Glória Perez! Are baba! E, já que os alunos não paravam de tecer comentários apaixonados a respeito das situações que permearam o imaginário de meio mundo ontem, o jeito foi me render e entrar na discussão.

Consegui mudar o rumo da aula (mestra carrasca) para uma análise dos procedimentos, utilizados pela autora , na construção do destino de cada personagem. Foi um debate enriquecedor. E a discussão se estendeu para outros gêneros de obra de ficção; conversamos sobre filmes, livros e afins.

Daí para a leitura de Os sofrimentos do jovem Werther, de Goethe, foi mais fácil do que eu imaginara. Falar de um jovem apaixonado, atormentado por seus sentimentos não correspondidos aguçou a curiosidade dos alunos para o meu objetivo principal: dar aula sobre o Romantismo (risadinha sarcástica).

Dar uma aula extra, às sete horas da manhã de sábado, para adolescentes sonolentos, seria um desafio e tanto, sem a interferência de Glória Perez e seus “caminhos”. Atchá!

Imagem: MayaO jovem Werther

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