Em férias ou de férias?

December 25th, 2009 Denise Rangel Posted in Dicas de Português, Vida de Mestra No Comments »

É ótimo poder descansar depois de um ano dando aulas ininterruptas, em tempo integral! É maravilhoso repor as energias (ou gastá-las de outro jeito, he he…)!

Após o recesso de Natal e das Festas de Ano Novo,  estaremos oficialmente  em férias. Bem, mesmo assim, não posso deixar de dar uma de professora,  e falar da frase escrita no título! Na verdade, eu estou em férias ou estou de férias?

Tanto faz. Pode-se dizer das duas maneiras: ‘Vou entrar em férias’ ou ‘Vou entrar de férias’. No entanto, se você acrescentar um adjetivo  à palavra  ‘férias ‘, então só se deve usar a preposição em ( coisas da dona Norma*) :

“Os profissionais da Educação entraram em férias coletivas.”

Êta, tenho de parar com essa mania de dar aulas! Pelo menos enquanto estiver de férias, ou em férias merecidas!

*Dona Norma Gramatical Brasileira
Imagem: daqui
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Não perca a atenção

December 9th, 2009 Denise Rangel Posted in Dicas de Português No Comments »

perca

As expressões que transcrevi a seguir, são  encontradas frequentemente pela web:  “lamentou a perca do amigo”; “não passam de perca de tempo”; “a perca de um elemento”.

Na verdade, há uma confusão muito comum entre as formas que apresentam estrutura fônica semelhante e significado diferente. Ou que apresentam estrutura fônica semelhante e significado diferente com relação a outra.

No caso de “perda” e”perca” é bom lembrar que ambas são corretas, desde que usadas no contexto adequado:

1 – perda: Substantivo formado por derivação regressiva do verbo perder, que significa “prejuízo”, “privação de alguém ou de alguma coisa que se possuía”: “Sinto tanto a perda de meu filho…” e  “Fofocas não passam de perda de tempo”

2 – perca: Flexão do verbo “perder” na 1ª e 3ª pessoas do singular do presente do subjuntivo e 3ª pessoa do singular do imperativo: “Tomara que ele não perca o compromisso” e “Não perca o dinheiro!”

3- perca: Substantivo feminino, gênero de peixes de água doce, da família dos Percídeos. : “A perca é um peixe de água doce europeu, pequeno e de barbatanas espinhosas “

E então? Basta prestar atenção ao significado de cada uma das formas para não confundi-las. Certo? Então, solte o verbo, mas não perca a atenção!

Imagem: daqui

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Boa estadia!

December 5th, 2009 Denise Rangel Posted in Dicas de Português No Comments »

navio

Há palavras que são frequentemente empregadas fora do sentido tradicional. É o caso de estadia, utilizada  como “permanência de alguém em algum lugar”.

Tradicionalmente, estadia significa apenas “tempo de permanência de um navio no porto”. Já o vocábulo estada significa a “permanência ou o ato de alguém estar em um lugar”.

Entretanto, os falantes da língua preferem utilizar o primeiro vocábulo para os dois casos. Emprega-se tanto “a estadia do navio no porto” quanto “a estadia do turista na cidade”.

Alguns autores ainda condenam o emprego de “estadia” para pessoas ou animais, restringindo seu uso apenas a embarcações. No entanto, a preferência do falante é mais forte, de modo que os dicionários já registram os dois sentidos, o de se estar em algum lugar – seja para pessoa ou animal, seja para embarcação – como “estadia”.

Dicionarizada, a palavra não pode ser considerada como errada, e corrigir seu uso demonstra resistência ao fato de que a língua é um organismo vivo e são os falantes que conferem status de “dicionário” às palavras.

Foto de Cybelle Peixoto

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Daqui a pouco ou daqui há pouco?

December 3rd, 2009 Denise Rangel Posted in Dicas de Português 4 Comments »

verbohaver

Depende de a que momento você  se refere: do que já passou ou do que ainda está por vir?

É muito comum as pessoas empregarem a preposição ‘a’ no lugar do verbo haver: “Eu jogava muito vôlei, na adolescência, mas, ‘a’ muito tempo não chego perto de uma quadra.”

Na frase acima, a expressão destacada refere-se a um fato já decorrido. Exatamente por isso, deve-se usar o verbo haver na 3ª pessoa do singular, pois ele é impessoal, ou seja, não tem um sujeito com que concordar: “Eu jogava muito vôlei, na adolescência, mas, ‘há’ muito tempo não chego perto de uma quadra.”

Uma dica para não errar é substituir o “há” por ” faz”, assim: ‘faz’ muito tempo. Quanto à preposição ‘a‘ , não deve ser usada quando se refere a fatos já decorridos. Ela deve ser empregada especificamente quando o tempo é contado a partir do momento atual para o futuro: “Eu jogarei vôlei novamente daqui ‘a’ um ano.”

A língua portuguesa, às vezes, nos dá umas rasteiras, mas, com jeitinho, a gente dribla ela. Ops, a gente a dribla, hehe.

imagem: daqui

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Vocês se “houveram” muito bem!

December 2nd, 2009 Denise Rangel Posted in Dicas de Português 1 Comment »

blogueiro

“… já houveram (sic)  edições espetaculares nos blogs”

Encontramos, com muita frequência, esta flexão equivocada do verbo haver pela web. Quero lembrar que  meu objetivo  é trocar ideias sobre como a Língua portuguesa pode nos deixar em dúvida quanto à escrita adequada de certos termos. Criticar os desvios da norma padrão não é o meu objetivo, de forma alguma.

No entanto, é sabido que, como ninguém domina totalmente as normas gramaticais (e nem precisa), mais cedo ou mais tarde, qualquer um pode cometer uma gafe e enrolar a língua. Então, para quê ficar criticando os outros? O melhor é ajudar, dar um toque para que todos saiam lucrando.

Se o verbo haver é usado no sentido de existir, é impessoal. Isto quer dizer que ele não tem sujeito, ou seja, não concorda com nenhuma pessoal gramatical. Então, deve ficar na 3ª pessoa do singular.

E o “houveram”, como faz?

Segundo a Dona Norma*, o verbo haver, com sentido de considerar, possuir, obter, alcançar, desincumbir-se, portar-se,  é perfeitamente pessoal. Logo, admite a forma acima, sem preconceito algum.

Assim:

Os motoristas das vans houveram (consideraram) por bem acatar as ordens da Prefeitura.
Os empresários houveram (possuíam) de muitos bens, mas hoje estão completamente falidos.
Os pais houveram (obtiveram) notícia da libertação do filho sequestrado.
Os vestibulandos não se houveram (se desincumbiram) bem nos exames.
Os bombeiros houveram-se (portaram-se) bravamente.

Então, está explicado o porquê do solecismo*? Como a Língua oferece as duas opções, houve e houveram, é muito comum o falante desavisado empregar esta última diante de termos pluralizados.

Então, agora já podemos dizer que vocês se  “houveram”  muito bem no uso da língua portuguesa, certo?

*Dona Norma é o nome que uso, com meus alunos, ao me referir à norma gramatical.
*Solecismos são os desvios das normas de concordância, de regência ou de colocação.

Imagem:blogando

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Solte o verbo!

November 30th, 2009 Denise Rangel Posted in Dicas de Português No Comments »

snoopy

… mas, sem se enrolar na Língua!

Todo mundo tem dúvidas e é muito bom quando podemos saná-las, especialmente quando se trata  de usar a Língua Portuguesa na web, através das ferramentas de interação: as mídias sociais.

Não pretendo dar aulas ou ensinar português aqui no blog, pois isto já faço profissionalmente, como professora de Língua portuguesa há mais de 30 anos.  Sou adepta da teoria que defende a adequação linguística à situação de uso. No entanto, preocupo-me quando percebo desvios em um texto que se torna público e seu autor é alguém (pessoa ou empresa) de grande influência.

A palavra falada é levada pelo vento e esquecida. A escrita, fica registrada e deixa má impressão em quem conhece o idioma e, por outro lado, dá certa credibilidade ao “desvio” para aqueles pessoas que ainda não dominam nossa complicada língua portuguesa.

Quando aparece aquela dúvida na hora de escrever no blog, no Twitter, no MSN, no Email, no SMS, e  nas demais redes sociais, a situação não é para críticas, mas para troca de conhecimentos.  Penso que ,  na web,  todos têm o direito de  “soltar o verbo”, sem  se “enrolar com a língua”. Que tal sermos menos críticos e mais solidários?

imagem: daqui

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Comunicação ou Dinheiro – Gregor Samsa ou Lady Kate?

August 25th, 2009 Denise Rangel Posted in Dicas de Português, Educação e ensino, Vida de Mestra 1 Comment »

ladykate metamorphose

Em uma de minhas aulas sobre adequação linguística, eu e  meus alunos conversávamos sobre o fato de a  língua ser utilizada como mecanismo de exclusão social. Era uma discussão descontraída, pois tratava-se de uma turma do ensino fundamental e meu objetivo não era dar aula teórica de linguística, e sim, mostrar como pessoas, muitas vezes importantes, são discriminadas por não usar o registro de fala mais adequado à situação ou ao cargo que ocupa.

“- O Lula!” – gritou um deles. E foi difícil voltar ao tema central da aula, depois desta. Houve uma baguncinha básica por alguns minutos, e , para não fugir àquele velho chavão: “a gente ganha pouco, mas se diverte.”

Em outra parte da discussão, um aluno perguntou por que temos de escrever usando a língua culta se, ao falar não a utilizamos. Em seu modo de entender, a língua padrão deveria ser similar a que falamos.  (Quem dera…)

Expliquei-lhe sobre a norma padrão ser aquela utilizada pela elite intelectual e econômica dominante e  comentamos sobre suas implicações políticas e sociais.  Mostrei-lhes que a linguagem é uma forma de comunicação e poder que pode tanto inserir quanto afastar o indivíduo dos grupos considerados social, política e economicamente dominantes.

Agora há pouco, pensando sobre o poder da comunicação, percebo que a barreira social inicia-se pela linguagem. Lembrei-me de Gregor Samsa, personagem de A Metamorfose, de Franz Kafka, que, ao acordar, certa manhã,vê o próprio corpo metamorfoseado em um inseto com “dorso duro e inúmeras patas”, e, desta forma,  percebe-se impossibilitado de se comunicar com sua família.

A partir daí, inicia-se  um processo de isolamento físico, social, emocional, ao ponto de reduzi-lo a um tal grau de insignificância que culmina com sua morte física. A morte social ocorrera antes, no momento em que sua capacidade de se comunicar e se expressar como um ser humano tornou-se impossível. Já não possuía o poder econômico e agora, o poder de se comunicar adequadamente também lhe era negado.

Assim como as pessoas a seu redor não percebiam que havia um homem dentro daquela aparência repugnante do inseto em que se transformara Gregor;  há, na sociedade, uma cegueira proposital dos que se dizem cultos, que os leva a ignorar e humilhar o ser humano que não se comunica fluentemente em sua língua padrão.

Ocorreu-me, também, o quadro de um conhecido programa humorístico em que uma personagem – Lady Kate –   conquista o poder econômico, ostenta jóias, dinheiro e bens materiais. No entanto encontra uma enorme dificuldade para ser aceita no grupo social dominante.

O humor reside no fato de a personagem expressar-se com uma linguagem extremamente rudimentar do ponto de vista linguístico. Não compreende e não se faz compreender, mesmo possuindo muito dinheiro, que pode comprar tudo, menos derrubar a barreira cultural e linguística que a afasta dos socialmente mais favorecidos.

- Tô pagano! – diz ela, ao expulsar do lugar, todos os convidados ilustres, que a rejeitam na alta sociedade , na qual ela procura  se inserir, pois é ela que paga as festas, encontros, desfiles, eventos em que aparece. É hilário, cômico e, infelizmente , trágico. No caso dela, nem dinheiro resolve. “Só lhe falta-lhe o gramur”, kkkk.

Poder de comunicação ou poder econômico – Gregor Samsa ou Lady Kate? Será que dá para ter os dois?

imagem: ladyKateGregor

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Há ou a? Tire as dúvidas.

August 8th, 2009 Denise Rangel Posted in Dicas de Português, Educação e ensino, Vida de Mestra 4 Comments »

verbohaver

De uma vez por todas, vamos esclarecer uma questão acerca do emprego do verbo haver. Quando nos referimos a um fato já decorrido, devemos usar o verbo haver, e não a preposição ‘a’ ! É muito comum as pessoas (muitas  delas, bem cultas) empregarem a preposição ‘a’ no lugar do verbo haver:

“Eu jogava muito vôlei, na adolescência, mas, ‘a’ muito tempo não chego perto de uma quadra.”

Na frase acima, a expressão destacada refere-se a um fato já decorrido. Exatamente por isso, deve-se usar o verbo haver na 3ª pessoa do singular, pois ele é impessoal, ou seja, não tem um sujeito com que concordar:

“Eu jogava muito vôlei, na adolescência, mas, ‘há’ muito tempo não chego perto de uma quadra.”

Uma dica para não errar é substituir o “há” por ” faz”, assim:   ‘faz’ muito tempo. Quanto à preposição ‘a‘ ,  não deve ser usada quando se refere a fatos já decorridos. Ela deve ser empregada especificamente quando o tempo é contado a partir do momento atual para o futuro:  “Eu jogarei vôlei novamente daqui a um ano.”

A língua portuguesa, às vezes, nos dá umas rasteiras, mas, com jeitinho, a gente dribla ela, ops, a gente a dribla, hehe.

imagem: daqui

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