Não gosto de plágio! E você?

March 9th, 2010 Denise Rangel Posted in Arte e Literatura 9 Comments »

A tradutora Denise Bottmann é autora de “Não gosto de plágio“, um blog de utilidade pública,  onde  ela denuncia  editoras que utilizam plágios de tradução. Várias editoras já tiraram de circulação obras que ela identificou como plágios; outras não se manifestaram; mas duas (Landmark e Martin Claret) entraram com um processo contra ela.

Não aceitamos tal prática e queremos as editoras que cultivam o hábito de plagiar obras fora do mercado.  Se  você também não compactua com tal procedimento, ajude a divulgar a questão, de interesse público, em seu blog e Twitter,  em sua lista de contato, enfim, vamos acabar com esta injustiça.

O plágio nas traduções é um crime de direito autoral e torna a concorrência no mercado editorial desleal, pois:

1. fere a Lei de Direitos Autorais, que considera o tradutor como autor de obra derivada e salvaguarda seus direitos morais e patrimoniais;

2. configura concorrência desleal, pois as editoras de má-fé, não arcando com os custos dos direitos de tradução ou não pagando por uma retradução, põem em desvantagem as editoras que, pautando-se pela idoneidade, assumem tais custos;

3. atenta contra nosso patrimônio cultural, ao disseminar a cópia fraudulenta de obras muitas vezes assinadas originalmente por nomes reconhecidos e estimados de nossa literatura.

(L&PM Editores)

Se desejar ( e eu espero que sim), assine o manifesto de apoio à Denise Bottmann, processada pelas editoras, por denunciar a prática de traduções plagiadas.  As editoras e livrarias precisam saber que o público em geral também não gosta de plágio.

Não gosto de plágio! E você?

Leia e assine o Manifesto de apoio a Denise Bottann
Apoio Denise Bottmann

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Um defunto! Na minha escola, não!

February 28th, 2010 Denise Rangel Posted in Arte e Literatura, Educação e ensino, Projeto de leitura, Vida de Mestra 1 Comment »

Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo.

(Machado de Assis. Memórias póstumas de Brás Cubas)

Quem conhece a obra citada, sabe que Machado de Assis criou um narrador – Brás Cubas, que resolve contar sua vida depois de morto. É a história de um morto que resolveu escrever suas memórias. Assim, já que não pertence mais ao mundo terreno, o narrador situa-se além de nosso julgamento e não está preso a nenhum código moral ou social.Desta forma, pode livremente expor, de forma irônica, os privilégios da elite da sociedade carioca do século XIX. Isto torna-se claro para quem lê a obra.

Entretanto, quem não conhece esta, ou qualquer obra literária, não devia tecer juízos de valor a respeito dela, principalmente quando se trata  de uma obra machadiana. E a situação é mais constrangedora ainda, quando o desconhecedor da obra  é uma pessoa que se intitula educadora e “dona” da instituição de ensino, na qual só se faz o que ela determina. Já imaginaram um dono de clínica, que não seja neurocirurgião determinando que materiais o médico pode usar na cirurgia?

Livro que tem defunto na “minha” escola, não!

Algo semelhante ocorreu comigo. Indiquei, certa vez,  a obra Memórias Póstumas de Bráz Cubas, citada acima, para meus alunos do curso de Literatura.  Uma obra clássica, analisada há décadas em qualquer instituição de ensino, cujo enredo não tem nada de ofensivo, salvo para a elite criticada na obra, se fosse o caso. Tive a infeliz ideia de ilustrar um texto,  que distribuí para a turma, com uma cena do livro em que o defunto aparece deitado sobre uma mesa, cercado de velas. Foi a gota d’água!

A educadora-dona-da-escola recebeu a “denúncia” de alguns pais e veio tomar satisfações. Quando tentei explicar que tratava-se de um a célebre obra de Machado de Assis, cuja narrativa utiliza um autor defunto para  expor problemas de nossa sociedade que existem até hoje, ela não me deixou continuar:

– Eu não quero saber de livro que tem defunto na “minha” escola! Não me interessa se é clássico, se é célebre ou o (palavra “impublicável”)!

Não houve argumento que a convencesse. Ficou claro que ela nunca lera  Machado. Talvez , obra alguma, arrisco-me a julgá-la. E, para manter meu emprego, suspendi o trabalho com  as memórias póstumas  de Brás Cubas, que  nesta hora,  junto com Machado, reviravam-se em suas tumbas, diante de tanta insensibilidade  e ignorância a respeito de um  romance de tanta profundidade e sutileza.

Pais e educadores não foram capazes de perceber a importância de um texto, nada “defunto”,  pelo contrário, vivíssimo. que atualiza, de forma irônica, os processos em que nossa sociedade  foi formada, suas contradições e os desmandos e autoritarismos que ainda hoje estão presentes.

imagem: daqui

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De Camões ao Haiti: eternizados pela Arte

February 17th, 2010 Denise Rangel Posted in Arte e Literatura, Vida em sociedade No Comments »


O Velho do Restelo – Os lusíadas

O patrimônio cultural é uma fonte de identidade e de orgulho para o povo de uma nação. E uma das funções da Arte é imortalizar a história deste povo. Ela é a expressão das emoções e reflexões do ser humano diante do mundo. Expressão de amor e solidariedade e também de dor e solidão.

Segundo Camões, em sua obra Os Lusíadas, as aventuras da viagem de Vasco da Gama são pretextos para narrar a própria história de Portugal, em um momento decisivo de sua formação. Captar esse momento e eternizá-lo em forma de poema era sua missão.

Em seus versos:

“Oh, maldito o primeiro que, no mundo,
nas ondas vela pôs em seco lenho!
Digno da eterna pena do Profundo,
se é justa a justa Lei que sigo e tenho!
Nunca juízo algum, alto e profundo,
nem cítara sonora ou vivo engenho
te dê por isso fama nem memória,
mas contigo se acabe o nome e glória!”

Camões deixa evidente o papel imortalizador da Arte. E, simultaneamente, eterniza feitos que exaltam a glória lusitana e revela uma crítica à cobiça desenfreada dos portugueses por riquezas e poder. Pela boca do personagem Velho do Restelo, destila a crítica àqueles que se aventuravam no mar por cobiça, e, por isto, não mereciam ser imortalizados na arte. Entretanto, seu discurso cumpre esta determinada função e se eterniza, se imortaliza na história da humanidade.

E o Haiti?


arte haitiana

A Arte é essencial para o sucesso da reconstrução nacional. A tragédia que se abateu sobre o Haiti trouxe, além da perda de importantes obras destruídas pelo terremoto, uma  outra preocupação em relação a seu patrimônio cultural: o risco de ser dizimado através do comércio e da transferência de sua  propriedade cultural por mãos inescrupulosas.

É por meio da Arte que os haitianos traduzem, atualmente, a tragédia causada pelo terremoto que os abateu. Suas vidas e histórias estarão imortalizadas em cores e formas. São obras que eternizam a dor e a agonia e também a força e a determinação deste povo.

A Vassar Haiti Project, uma organização de voluntários, promove a venda e leilão de obras de arte e do artesanato haitiano, comprados de artesãos a preços de mercado. Cinquenta por cento de todas as compras de arte feitas através do Projeto vai para os artistas e artesãos, proporcionando-lhes uma importante fonte de renda.

Não é possível considerar a Arte independentemente do homem como ser social. Ela é produzida pelo homem e para o homem. Preservá-la é importante, vital, devido a seu poder de evocar, testemunhar e eternizar o passado, o presente e o futuro. Seja através de Camões ou de simples artesãos haitianos.

Imagem: daqui

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Páginas digitais ou de papel?

February 14th, 2010 Denise Rangel Posted in Arte e Literatura, Tecnologia 3 Comments »

Clique na imagem para assistir ao vídeo

Os livros digitais estão fazendo sucesso por causa deste aparelho revolucionário, que permite a leitura  de textos em sua tela. Neste vídeo, Sérgio tavares conversa com Luciano de Sampaio (@lenteaberta) sobre as novidades de e-books para este ano.

A praticidade de um texto sempre à mão, no qual se pode fazer anotações e citações, comparada aos altos custos na produção de um livro impresso em papel permitem que os livros digitais ganhem espaço na preferência de muitos leitores.

A conversão dos livros de papel para os em formato digital é uma tendência forte, principalmente porque torna acessível, popular e confortável o ato de se consumir livros.

Particularmente, já declarei na Desconferência sobre livros digitais, quando discutíamos sobre a transformação da leitura na transição para o digital, que gostaria muito de poder ter os dois.

O livro digital para trabalho e estudo, pela praticidade e agilidade para armazenar um enorme números de dados. E o de papel para minhas aulas de Literatura, em que o contato com o livro é quase passional. E tem também a leitura prazerosa, deitada na cama ou na rede, sentada na varanda, na praia ou na piscina. Um objeto para se ler e passar adiante.

Digital ou de papel. Praticidade e funcionalidade ou Prazer e emoção? Fico com os dois. E você?

Quer saber mais sobre o assunto?

Adobe – Programa para ler no PC
Projeto Gutenberg – Biblioteca Pública
Amazon -Livraria com livros para compra
Kindle e Sony Reader – Leitores digitais
Editora Plus – Editora nacional dedicada aos ebooks
Livros do online pro offline – Lista de discussão sobre ebooks
O Livreiro – Rede social sobre livros

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Livros online e offline

February 7th, 2010 Denise Rangel Posted in Arte e Literatura, Educação e ensino, Projeto de leitura 3 Comments »

Durante a Campus Party 2010, um grupo apaixonado por livros, composto por editores, blogueiros, professores , jornalistas, advogados e  estudiosos, se reuniu em uma Desconferência sobre livros digitais”, para discutir o futuro dos livros.

Estávamos lá, @deniserangel ( eu mesma!), @hedraonline, @ladyrasta,  @samegui , @ronaldopelli,  @alessandro_m , @gnsbrasil, @lenteaberta, @tebenas, @cybelemeyer, (esqueci alguém?),  com cobertura online no twitter, pela tag  #livrodigital.

A discussão teve como foco a mudança na forma de consumo na leitura de livros e em como os leitores vão encarar os livros no futuro. Discutimos o perfil do novo autor, diante de todas as possibilidades  de publicação on line e offline.

Deste encontro saíram algumas opiniões para algumas questões, entre elas: “o livro impresso em papel não vai morrer”;  “as pessoas optarão, em alguns casos, por leitores digitais”;  “outras, utilizarão exclusivamente os e-readers”. Todos concordamos que a leitura, a transmissão de informação, de conhecimento, de conteúdo, não vai acabar. Ufa!

Como vai ser a transformação da leitura na transição para o digital? Quais são os prós e os contra da transformação?  Quem prefere ler no papel, o que vai fazer? Essas e outras perguntas podem ser discutidas na comunidade Livros online e offline, criada em  O livreiro.

Quer entrar na discussão? Associe-se à nova comunidade Livros online e offline, em O livreiro e participe!

Foto: Sam Shirashi

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Avatar: troca de corpos

January 10th, 2010 Denise Rangel Posted in Arte e Literatura, Projeto de leitura No Comments »

Terminei a leitura de mais um livro de minha “listinha” de fim de ano: o conto fantástico Avatar, de Théophile Gautier, de 1857.  Em tempos de estreia do filme de mesmo nome, nos cinemas brasileiros, fiquei curiosa para lê-lo e descobrir por que o tema persegue obras ao longo dos tempos.

Filmes como Se Eu Fosse Você,  estrelado por Glória Pires e Tony Ramos, e Sexta-Feira Muito Louca (Freaky Friday), com Jamie Lee Curtis e Lindsay Lohan,  entre outros, repetem o enredo em que o casal, no primeiro filme , e mãe e filha, no segundo, passam longos momentos vivendo vidas trocadas, no corpo um do outro.

Voltemos ao livro, Avatar, de Théophile Gautier: nele, um médico famoso, o doutor Baltasar Cherbonneau, recém-chegado das Índias, possui a fama de operar curas miraculosas. Após um encontro com um velho e santo sacerdote, Brama-Logum, que lhe  revelara a palavra misteriosa, desvenda o mistério de destacar a alma do corpo:

Mas existem poderes ocultos que a ciência moderna desconhece, e dos quais se conserva a tradição nesses estranhos países chamados bárbaros por uma ignorante civilização. Aqueles sábios, que possuem visões estranhas e que sequem de êxtase em êxtase as ondulações que deixam as eras desaparecidas sobre o oceano da eternidade, percorrem o infinito em todas as direções, assistem à criação dos universos, à gênese dos deuses e às suas metamorfoses. São tidos por loucos, mas são quase deuses!

E, naturalmente, como era de se esperar, opera a troca de corpos entre seu cliente e o marido da mulher que este ama.  O final é inusitado, eu diria que  quebra a atmosfera mística do tema, ao revelar a natureza humana em toda sua ambição. Não vou contá-lo, é claro; deixo para vocês  a surpresa.

Segundo notícia do site  BBC , cientistas suecos desenvolveram um método para produzir a ilusão de se estar em um corpo de outra pessoa ou mesmo em um boneco de plástico. Como se vê, o tema é fascinante e aterrorizante ao mesmo tempo. E, obviamente, na ficção, os limites do corpo e da alma alcançam patamares que desafiam os critérios de verossimilhança. Fascinante.

Recomendo a leitura do livro, Avatar, de Théophile Gautier.

Imagem: daqui

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A alma do Lázaro

December 30th, 2009 Denise Rangel Posted in Arte e Literatura, Projeto de leitura No Comments »

Terminei de ler um dos livros de minha “listinha” de fim de ano. Estou redescobrindo obras que nunca tive a curiosidade de ler. Quando digo isto, lembro-me de uma  professora na Faculdade que, segundo ela, lia tudo que era publicado. Uma leitora voraz.

Eu costumo escolher minhas leituras pelo que me é afim, a menos que elas sejam uma obrigação profissional. Este ano, decidi apreciar a leitura de outros gêneros e descobri que gosto de ler narrativas meio ultra românticas, soturnas, aterrorizantes, de suspense.

Pois bem, terminei ontem,  o romance  A alma do Lázaro, de José de Alencar. Confesso que tive de ter força de vontade para não desistir da leitura, devido à linguagem, que,  embora simples,  possui algo que a torna muito formal para os dias de hoje; um vocabulário cansativo, o que não é muito comum em Alencar.

Ele próprio revela que prefere ” a poesia plebeia, em prosa estirada, que isso de verso é cousa com que não se conformava o espírito. Vão lá medir o pensamento, rimar as paixões?” (Adorei isto!)

Vencida a barreira inicial da linguagem (estou parecendo meus alunos que reclamam da linguagem das obras literárias), o que me prendeu à leitura, no entanto, foi exatamente o enredo macabro e fascinante. Um diário de um leproso. Um misto de terror e sofrimento. De solidão e solidariedade. De repugnância e sentimento. De amor e de ódio:

Ergui-me, com ânimo de ganhar a casa sem demora.

Mas os joelhos dobraram-se, e um fio de gelo correu-me pelo corpo, arrufando a pele e erriçando-me os cabelos; foi-me preciso grande esforço para dominar-me, e vencer o susto pueril que me tomara de surpresa.

Tinha ouvido uma voz trêmula que rezava cantando à surdina uma ladainha de igreja; e pareceu-me que afinal chegara a ocasião de ver surgir diante de mim um desses fantasmas que nas minhas extravagantes elucubrações, eu tantas vezes evocara.

Li-o em dois dias. Recomendo. Outra hora pretendo ler  e reler outros escritos de Alencar que acompanham esta obra  Alfarrábios:  o garatuja, o ermitão da glória, guerra dos mascates. Já leu algum deles? O que achou?

Imagem: O leproso

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Livros: prazer ou dever?

December 26th, 2009 Denise Rangel Posted in Arte e Literatura, Projeto de leitura 12 Comments »

Li pouco este ano

Leitura mesmo, de um livro inteiro, por puro prazer, não tive muito tempo para ler. Iniciei vários livros e parei várias vezes. Leituras inacabadas. O ato de ler é um prazer e eu gosto de desfrutá-lo.  Infelizmente, não foi assim.  Ler por prazer. Li pouco este ano.

Li muito este ano

Leitura obrigatória, para as aulas de Literatura, por puro dever. Leituras esquipáticas atropelaram-me, aturdiram-me, sequestraram-me. Gracilianos e  Rosas, Oswalds e Bilacs, Gregórios e  Drummonds, Machados e  Pessoas, Clarisses e Lygias, Raquéis e Cecílias. Ler por dever. Li muito este ano.

Lerei mais no ano que chega

Quero mesclar o dever ao prazer. Não é uma promessa. É um projeto. Ler tem de ser algo fascinante, sempre bom. Mesmo que o tema seja desagradável.   Mergulhar na leitura. É um prazer. Um prazer que concedo a mim, como presente tardio e oportuno.  A mente precisa se ocupar.  Ampliar horizontes. Ver outros pontos de vista. E sonhar.

E já que estamos de férias, iniciei ontem minha  leitura de livros. Por prazer. Não vou fazer listas, porque nunca termino o que começo. Recomeço sempre. E diferente. Lerei o que me der vontade, todo dia, o ano inteiro. Lerei  no papel e no  monitor também.

Comecei a leitura, ontem, com  A alma do Lázaro, de José de Alencar. Nunca o lera antes, e espero me surpreender. Ao mesmo tempo,  lerei  Avatar, de Théophile Gautier. E, ainda, simultaneamente, concluirei a leitura de A viagem do elefante, de Saramago, que larguei pela metade, ao perder o livro durante a mudança de apartamento. E mais uma pilha que separei, dos que iniciei e não terminei de ler.

Desejem-me boa leitura. E vocês, o que lerão em 2010?

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