Meus filhos e meu marido, todos os anos, sempre preparavam o café da manhã e me acordavam cantando o “parabéns”. Aquela expressão de alegria ao me ver saborear a torrada queimada e o suco sem açúcar é inesquecível! Eu amava aquilo!!
Meu marido e meu menino partiram, há alguns anos. E, desde que ganhei um anjo, passei a detestar o dia de meu aniversário. Gostaria de poder ficar sozinha comigo mesma, com minha filha e a minha linda Princesinha. Sem comemorações. Apenas um dia comum.
Acredito que Deus recolheu meu menino e ele não sofre mais. Também aprendi a não pensar em sua morte e, sim, lembrar a sua vida. Minha dor não diminui, mas me impulsiona a viver, justamente pela Princesinha e por minha filha.
Minha amiga Vivina, certa vez, me disse que os que se foram sempre nos deixam muita coisa. Tento seguir este sábio conselho e aproveitar o que meu anjo deixou: alegria! Ele era uma pessoa muito alegre! Sua presença é bem forte aqui. No apartamento, na quadra de futebol, no tribanks, em que batia papo com os amigos, e de onde ainda ouço sua risada inconfundível.
Hoje, quero ser feliz com minha filha e minha princesinha Clarisse. Receber a alegria delas, tentando me fazer feliz. Sinto falta, apenas, das torradas queimadas e do sorriso de meu anjo. De resto é só mais um ano em minha vida, e estou ficando mais velha.
Imagem:
Stuart Caie via Compfight















Querida, apesar da melancolia do seu texto, vc sabe que é muito especial pra gente também, né? E apesar da sua amiga Malla ser uma atrasonilda sempre, quero deixar aqui um enorme beijo de feliz aniversário pra vc! (Ou seria de desaniversário, todos os dias?)
Beijão!