
Assisti, com meus alunos, ao filme Lixo Extraordinário, da diretora Lucy Walker, que documenta o trabalho do artista plástico Vik Muniz em um dos maiores aterros sanitários do mundo: o Jardim Gramacho, na periferia do Rio de Janeiro. O artista fotografa um grupo de catadores de materiais recicláveis, e, através deste trabalho, revela-nos a dignidade e o desespero destas pessoas naquele ambiente e, ao final, mostra-nos o poder transformador da arte no espírito humano.
Fiquei emocionada com o documentário, e chocada com a quantidade de lixo que é despejado no aterro, a cada caminhão que chega, e a maneira como as pessoas se misturam àqueles resíduos, tirando do que, para nós é lixo, o seu sustento. Eles identificam os donos de cada lixo, através dos restos que analisam: “este é lixo de rico; este é da classe média”, demonstrando mais consciência ambiental que muitos destas classes mais favorecidas.
E tecem uma crítica ao modo como as pessoas desperdiçam coisas, como livros, por exemplo, que são bem aproveitados e lidos por eles, antes de irem para a associação de catadores de materiais recicláveis. Conhecer essas pessoas, saber o que elas desejam para suas vidas trazem lições que jamais pensaríamos em aprender com gente tão humilde.
É fascinante observar como os catadores utilizam a matéria-prima, que antes nada mais era que meio de sustento, para fazer arte. Arte que é capaz de realizar mudanças reais, em pessoas sem perspectivas de vida. E a esperança de que tais mudanças ocorram em suas vidas, pode ser percebida estampada em seus rostos, ao se verem retratados como arte.
Eles tomam consciência de que podem ter uma vida melhor, e passam a enxergar o mundo com outros olhos. Os catadores que dependiam financeiramente do lixo, pouco a pouco, resgatam a autoestima e a esperança de uma vida melhor, fora do lixão, mostrando-nos a possibilidade de a arte desempenhar um relevante papel social.
Não importa aqui se os retratos de lixo sejam uma visão particular do artista e não da comunidade. O que fala mais alto é a importância desses trabalhadores que contribuem, com sua tarefa de separar materiais recicláveis, para diminuir um desastre ambiental criado por nós mesmos. É um convite à reflexão sobre o destino que damos a nosso lixo.
A professora de Artes propôs aos alunos que fizessem, também, retratos, utilizando materiais recicláveis, para a exposição do Projeto Sustentabilidade da escola. Estou curiosa para ver o resultado do trabalho deles e compartilhá-lo aqui com vocês.
Imagem: daqui











O meu post de amanhã também é sobre lixo – e eu citei este documentário. Eu juro que não tinha visto este ainda e achei o máximo você falar do documentário…
bj
Sincronia de ideias e indignações…
Vou lá ler teu post.
beijo, menina
[...] alguns dias, assisti, com meus alunos, ao filme Lixo Extraordinário, em que o artista plástico Vik Muniz fotografa um grupo de catadores de materiais recicláveis, no [...]