Em 2007, Lucia Malla criou o meme das 3 atitudes ecoconscientes que consistia especificamente em postar as 3 atitudes que pretendíamos praticar na vida para melhorar a situação ambiental do planeta Terra. Naquela ocasião, Lucia citou algo que tem me feito repensar uma das atitudes mais comuns em meu local de trabalho: o uso indiscriminado de folhas de papel e o uso exagerado de copiadora e impressora.
Lucia argumentava que deveria haver uma campanha para que trabalhos escolares escritos só fossem aceitos em formato digital, nada de papel, pois, afinal, a escola, onde, em tese, tudo se discute, deveria dar o exemplo à sociedade. Concordo plenamente.
Agora, em 2011, assistindo ao debate “Desafios da mobilidade“, sobre o uso de celular, notebook, tablet e outras tecnologias na sala de aula, como ferramentas educacionais, pus-me a refletir sobre de que maneira poderia fazer esta transição na comunidade escolar em que trabalho, uma vez que, grande parte dos alunos não tem acesso a toda esta parafernália tecnológica.
É um caminho a percorrer. Ainda há muitos professores que resistem ao uso das tecnologias, porém, dentro do possível, temos procurado incentivá-los a usar mais o data-show, a sala de informática, o email, os blogs, os vídeos, o celular, as redes sociais, não apenas para entretenimento, mas para troca de saberes, questionamentos, busca de conhecimento.
A tecnologia faz parte do cotidiano de todos os jovens, mesmo os de comunidade menos favorecidas economicamente. Estes alunos esperam que o professor faça uso dela em sala de aula. Entregar um trabalho por email, ou em pendrives é mais atraente para o aluno e mais produtivo para o professor.
Espero estar viva para ver este tempo em que menos árvores serão derrubadas, menos folhas serão impressas; e estar em uma escola em que professores e alunos desenvolvam um processo de aprendizagem cooperativa para construir a produção de conhecimento. Os alunos poderão tomar notas diretamente em seus laptops – que a escola oferecerá – e utilizar meios digitais para entregar todas as suas apresentações e trabalhos.
Ter uma escola quase inteiramente sem papel não é utopia. Obviamente, para algumas situações, a folha impressa ainda substituirá a digital, mas eliminar o papel completamente da sala de aula não é o objetivo. Pelo contrário, o objetivo é aproveitar as tecnologias que realmente minimizem os custos de impressão, viabilizem a distribuição de materiais de ensino que facilitem a aprendizagem, e, principalmente, poupem as nossas árvores.
Além disso, estimular o trabalho por via electrônica ajuda a atender às necessidades de uma nova geração de alunos que está familiarizada com o mundo digital, como também ajuda a alcançar a meta de produzir e utilizar menos papel no mundo.















Com as minhas turmas de 3º ano, eu criei um blog onde eu disponibilizava todo o material e tudo o que vinha sendo dado em sala de aula. Também usei muito o data show e fazia atividades para serem entregues via email.
Porém, é aquela velha história que a gente conhece. Internet na escola nunca funcionava, eu tinha alunos com diferentes graus de conhecimento de informática e tinha o problema das cópias.
Tentei criar um grupo para que eles interagissem em um fórum, mas de novo, o problema da internet que nunca funcionava, apesar de a sala de informática viver aberta e com monitores em todos os períodos.
Informática tinha que ser uma disciplina obrigatória nas escolas para que a gente não tenha alunos que cheguem ao 3º ano do ensino médio, ou até mesmo nas cadeiras das faculdades sem saber o que é um email, um PDF ou um tablet. Apesar de eles hoje terem acesso fácil, eles não sabem usar a ferramenta.
E eu fui além. Alunos que me entregassem trabalhos em formato digital tinham que fazer de acordo com as normas da ABNT. Se não estivesse nas normas eu cortava pontos, se fosse cópia era zero direto. E hoje tem alunos que me agradecem pois estão na faculdade e já sabiam o que era ABNT e seus colegas não.
Finalizando, enquanto muitos alunos permanecerem sem a devida instrução e a escola se mantiver na idade média, ficará muito difícil trabalhar com o formato digital.
Abraço!
Exatamente, Sy, a conexão com a Internet e a disponibilidade de pcs para os alunos dificultam ainda o trabalho com as ferramentas digitais. Mas, felizmente, as escolas estão abrindo caminhos para minimizar estas falhas. Talvez demore muito, talvez seja logo, tomara que as mudanças se efetivem para o bem da Educação.
beijo, menina
Denise, eu sou 100% a favor de reduzir o uso de papel nas escolas, e falo muito sobre isso na escola das meninas. Vivo dando sugestões para usarem menos papel, vivo cobrando que usem frente e verso das folhas, e elogio sempre que vejo alguma iniciativa para reduzir o desperdício de papel.
Mas eu confesso que não sei se todos os alunos precisarem ter computador para estudar seria ecológico. Afinal, a produção de computadores exige a exploração de um tantão de recursos naturais. Teria que ver uma análise profunda do ciclo de produção e vida do papel e dos computadores para saber o que tem mais impacto. Porque, considerando que a indústria da informática vive criando necessidades pra gente (com a obsolescência programada), não sei se seria mais sustentável de verdade. Mas é um assunto interessante pra gente pesquisar e discutir!
Sim, Silvia,
enquanto escrevia, pensei sobre esta questão da obsolescência dos gadgets. Porém, creio que as vantagens de ter acesso ao conhecimento em tempo menor e poder guardar as informações em pen drives, cds, emails, sites de vídeos, e de compartilhamento, talvez compense o “prejuízo” de atualizar os equipamentos. Pense em quantos livros, textos, imagens, informações ficarão eternizados.
beijo, menina
Denise, ainda não sei. Porque veja bem: quando eu comecei a usar computadores, há menos de 20 anos, os backups eram feitos naqueles disquetes grandões e molengos. Esses foram logo substituídos pelos disquetes menores e mais firmes. Que logo foram substituídos pelos CDs. Que estão, aos poucos, sendo substituídos pelos pen drives. E o que vem daqui a pouco? Enquanto isso, quanto tempo duram os livros? Bem cuidados, bem mais do que essas mídias todas, né? Então ainda tenho um pé atrás com esse lance high-tech demais.
Adoro os computadores, facilitaram demais a minha vida profissional e pessoal, não vivo sem. Mas não gosto desse esforço da indústria pra fazer com que tudo fique obsoleto em poucos anos. Do jeito que a indústria é hoje, eu acho que o impacto ambiental dos gadgets ainda é bem maior do que o do papel. Principalmente se focarmos no uso do reciclado.
Pode ser, Sílvia, mas, hoje em dia,há sites de compartilhamento e armazenamento. Nem precisa do pen drive e afins. Estes serviriam apenas para transportar informações quando necessário. Se um aluno me traz um trabalho em papel, corrijo-o, exponho-o no mural por um tempo, e depois, devolvo-o ao aluno. E o fim deste material, provavelmente será o lixo, muitas poucas vezes irá para a reciclagem. Se ele me manda o trabalho por email, ou vídeo ou outra mídia, naquele momento, a tecnologia substitui eficientemente o papel impresso.Eo trabalho poderá ficar guardado no blog, no Youtube, no slideshare, wikis, etc. Entende?
beijo, menina
Denise, como eu disse, ainda não sei. Estou levantando o debate mesmo, e eu sei que foi a tua intenção com esse post (que podia ir pro Faça também, né?). A gente teria mesmo que analisar o ciclo dos produtos.
Mesmo pra armazenar em todos os cantos que você mencionou precisamos de estrutura física. Aqui da minha casa eu não vejo, mas tô usando os servidores. E quanto eles enchem, o que acontece? Precisa-se de mais recursos. E como lidam com o hardware quando se torna obsoleto? Pra onde vai? Na minha casa, eu sei que o papel vai ser reutilizado até não dar mais, depois vai pra reciclagem (e aí entra o papo da reciclagem funcionar direito ou não, e isso vale pra reciclagem dos eletro-eletrônicos também).
Eu tenho mais perguntas do que respostas, não sei o caminho certo, pra falar a verdade.
Estamos em sintonia
Este post vai para o Faça amanhã. Estou cuidando disso agora.
Quanto às perguntas, também procuro respostas. Neste momento, tenho de usar os recursos que tenho à mão de modo mais responsável possível. E, ao ver tanto papel, livros, apostilas, revistas, etc, sendo descartados na escola, penso que, talvez, seja a hora de repensarmos o uso consciente destes materiais.
beijo, menina
Garanto que muitos pais são contra a falta de papel. Muitos ainda querem ver a matéria do dia no caderno e estranham quando estes estão quase que vazios
Boa semana! Beijus,
Ai, Luma,
Eu adoraria se os pais realmente viessem reclamar da falta de “dever” no caderno. Isto significaria que estão acompanhando a vida escolar do filho ou filha. Infelizmente, a realidade é bem outra…
beijo, menina
[...] algum tempo venho refletindo sobre o uso de tecnologias na sala de aula como ferramentas educacionais, e como poderia fazer esta transição na comunidade escolar em que trabalho, uma vez que, grande [...]