
É hora de tirar as tralhas para arejar a casa.
Daqui a pouco a Primavera estará conosco. É um momento oportuno para avaliar o quanto de coisas tenho guardado em casa e decidir o que fazer com aquelas de que não preciso mais. Observei o que venho “colecionando” dentro de casa desde o início do ano, e pensei: ” Que tal tentar reduzir a quantidade de coisas que se amontoam, muitas vezes, sem nenhuma serventia?” Viver com menos, além de reduzir a minha pegada de carbono e preservar os recursos para as gerações futuras, trará um ar primaveril ao meu lar, serenidade à meu dia a dia e equilíbrio ao meu ambiente.
Tenho de admitir que acumulo um monte de coisas dentro de casa. Costumo guardar, principalmente, livros, bolsas, caixas , potes , latas, roupas, calçados, guarda-chuvas, ferramentas, fios, tomadas, parafusos, ventiladores, papéis diversos, gadgets, disquetes (!) e outros objetos que imagino me servirem no futuro. Ao longo dos anos, construí meu pequeno “ferro-velho” e, mesmo com várias mudanças de casa, não me desvencilhei de todos os meus cacarecos.
Além disto, possuo uma fascinação por vários objetos e sou levada a comprar mais e mais produtos, muitos dos quais projetados para se tornarem obsoletos ou alimentar uma máquina de fabricação global que explora mão de obra barata e usa uma quantidade excessiva de energia em um ciclo cruel de insustentabilidade. Estou consciente de que preciso fazer parte de uma cadeia de consumo mais sustentável. Isso tem me inspirado a pensar mais cuidadosamente sobre os itens que compro e a quantidade de coisas que acumulo em minha casa.
Neste inverno, particularmente, em que as temperaturas caíram muito no Rio de Janeiro, resisti à tentação de comprar um aquecedor portátil para dormir com mais conforto. Lembrei-me, no entanto, de que não fazia sentido comprar um aparelho destes em uma cidade naturalmente quente. E não o comprei. E a temperatura voltou a subir. Comprarei mais ventiladores? Ou consertarei os quebrados que tenho guardado? Decisão fácil, não?
Percebi que, quanto mais coisas eu acumulo, mais trabalho tenho para mantê-las em ordem. Meu apartamento não é tão grande, o que pode rapidamente tornar-se uma enorme bagunça. E, para não ver as coisas espalhadas, acumulam-se caixas e mais caixas com as coisas de que não quero me desvencilhar.
Talvez eu não seja a única. Esta tendência acumuladora reflete o nosso desejo crescente para adquirir mais produtos e, em consequência disto, temos alimentado uma indústria cujo único propósito é nos ajudar a gerir as coisas. Associações de organizadores profissionais têm crescido nos últimos anos, para nos orientar em nossa administração de tudo que acumulamos dentro de casa. As vendas de produtos organizadores têm crescido e mais e mais organizadores profissionais são contratados para administrar o pouco espaço e a desordem crescente provocada pelos acumuladores.
Como não quero alimentar a indústria da desordem, resolvi, eu mesma, reduzir a minha bagunça. Deixar o apartamento mais vazio e com mais espaço de circulação , tem um efeito calmante. Não há mais o caos de coisas ao nosso redor, quando nosso ambiente é organizado. Quando você começa a distinguir a diferença entre as coisas de que realmente precisa e as de que pode se desvencilhar, eliminar a desordem se torna uma tarefa mais fácil.
Durante muito tempo eu resisti à ideia de me livrar de objetos sentimentais. Doar as roupas e objetos de meu filho, por exemplo, equivalia a uma espécie de negação. Até hoje, penso que deveria ter guardado algumas coisas dele, mas percebi que sou forte o bastante para mantê-lo perto de mim, sem precisar de objetos para isto.
A maioria de nós tem problemas de se despedir de seus pertences, mesmo que nunca vá usá-los. A velha história de que , se você não tiver usado algo por mais de um ano, é um bom sinal de que você não vai fazê-lo! Vamos experimentar?
O que posso fazer para reduzir o acúmulo de coisas e livrar minha casa da desordem na Primavera deste ano:
- Doar os livros e revistas que já li para a sala de leitura da escola.
- Colocar em uma caixa, para reciclagem, todas as coisas quebradas que não valem a pena consertar.
- Esvaziar armários e gavetas com pastas e papéis guardados há muuuitos anos.
- Colocar dentro das bolsas, malas e sacolas que não uso mais , as roupas e calçados para doação.
- Solicitar ao banco a suspensão dos extratos e boletos pelo correio e preferir recebê-los em meu e-mail.
- Fazer um menu semanal e lista de compras para evitar o desperdício de alimentos e acúmulo de embalagens.
- Aproveitar os recursos online, como o Ecycle e o Freecycle, para me livrar de coisas de que não preciso.
- Todos os dias, recolher em um saco, tudo que pode ser jogado fora e que está apenas ocupando espaço.
-
Durante a “limpeza”, ir acrescentando itens que nem imaginava que eram tralhas…
Não adianta apenas eu me desfazer das coisas que se acumulam dentro de casa. Preciso, sempre que necessário, comprar bens de consumo de boa qualidade ou com garantia estendida, a fim de evitar a obsolescência. E observar se os itens que compro servem a mais de um propósito ou tenham várias utilidades.
É importante, ainda, preferir os produtos fabricados localmente, em vez de itens importados, de modo a diminuir o impacto ambiental. E assumir o compromisso de, para cada item que trazer para dentro de casa, remover um outro de que não precisarei mais.
E você, como está sua casa? O que pretende fazer para desfazer-se das tralhas nesta Primavera?
Desenho: daqui

Uma mestra feminista e eco-consciente.








Eu também estou nesse processo. Vou aproveitar a mudança em breve pra separar muita coisa pra reciclagem e doação, e assim entrar no cantinho novo sem tralha!
Então, Dê, reveja a história da garantia estendida, por favor. Em trabalho intenso para uma grande produtora de eletrodomésticos (não, não posso contar quem) soube que apenas 3% dos equipamentos dão problema – e quando dão em geral é logo na garantia da fábrica mesmo.
Para saber mais: a garantia estendida é um seguro que cobre o conserto, sim – mão de obra, peças e quetais. Para mim, é mais prático e rápido buscar a assistência técnica mais próxima, de confiança e consertar, não?
bj
Você tem razão, Lu.
O número de sinistros é bem menor que o valor arrecadado nos planos de garantia. Porém, quando o objeto é de grande valor, ter 2 ou 3 anos de garantia é uma opção que muitos consumidores preferem ter. Para objetos de menor valor, prefiro a garantia normal, e, depois que ela expira, uso assistência técnica.
Obrigada pelo toque.
beijo, menina
[...] post Primavera sem tralhas dentro de casa, afirmei que, quando fosse necessário comprar bens de consumo, deveríamos adquirir produtos com [...]
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