
Como se sentir um fracasso como profissional em poucos minutos: tente ensinar algo a quem NÂO QUER aprender! O contrário, no entanto, é muito gratificante e traz a sensação de que se desempenhou adequadamente o papel de educador. Vivi estas duas experiências hoje:
Ministrei uma aula de 100 minutos de duração, com material didático variado: de apostila a projeção de slides, com o conteúdo disponibilizado pela SME, para uma classe interessada e participativa. Na verdade, eu não ensinei: compartilhamos conhecimento. Foi muito gratificante!
Em seguida, dirigi-me a outra classe, para ministrar a mesma aula, com os mesmos recursos audiovisuais e o mesmo ânimo. Minto, não era o mesmo ânimo, era um estímulo a mais em minha tarefa de lecionar. Eu estava entusiasmada.
Pois bem, a resposta da segunda turma foi desanimadora. Estavam visivelmente desinteressados, indisciplinados, barulhentos, debochados, rebeldes, e, deliberadamente dispostos a atrapalhar minha linda video-aula. Conseguiram! Foi impossível continuar. Desisti. Fechei o notebook, desliguei o data-show, e passei uns exercícios no quadro. Frustrante…
Indisciplina e desinteresse andam juntas
Ficou óbvio para mim que alunos desinteressados mostram sua rebeldia à obrigatoriedade de assistir à aula, através de indisciplina. E tal atitude é contagiosa: logo, um grupo se une aos “bagunceiros” para atrapalhar a aula, tornando a tarefa do professor muito difícil. Interrupções constantes para advertir os indisciplinados tornam qualquer aula, por mais criativa que seja, cansativa, insuportável.
Quando o desinteresse e a indisciplina interferem no exercício do ato de ensinar, o professor perde o sentido de sua relação com o trabalho, de forma que nada mais lhe importa, e qualquer esforço parece inútil, causando uma enorme desmotivação. Foi assim que me senti, ao desligar o equipamento e passar um exercício no quadro: um profissional desmotivado e frustrado.
A aprendizagem só se concretiza efetivamente, quando o aluno compreende a utilidade deste aprendizado para sua vida. Enquanto não adquirir essa consciência, perde seu tempo em uma sala de aula e contamina outros colegas a mostrarem o mesmo comportamento rebelde.
Quem educa? A escola ou a Família?
Não concebo a ideia de que a escola tenha a função de educar sozinha, embora ela venha fazendo o papel que compete aos pais. O próprio aluno rebelde reconhece que este não é o papel da escola quando diz para um professor:”você não é meu pai (ou mãe)! Alguns destes cidadãos do futuro ignoram regras mínimas de relações interpessoais e não dão a mínima importância ao que seja respeito e hierarquia.
Como filhos, as crianças e os adolescentes precisam de pais ou responsáveis, para serem educados quanto à moral, aos bons costumes, ao bom comportamento. E, como alunos, precisam de professores para serem ensinados a conviver segundo a ética, acatando as regras de convivência em sociedade.
Ser responsável é ser livre
Percebo que estes alunos que causam problemas em classe, estão livres para fazer o que querem. Não vejo preocupação em se comportar, como se não houvesse ninguém a quem prestar contas de seu estudo e comportamento. Parecem-me entregues à própria sorte.
Autoritários ou democráticos, os responsáveis pelo aluno precisam, sim, acompanhar, controlar, pressionar, cobrar, exigir que seu filho participe da vida escolar. Certamente, por conta própria, poucos alunos se interessarão em estudar, se não houver a quem prestar contas. Um adolescente livre não é responsável. Um adolescente responsável é livre. E ser livre significa respeitar o direito de quem quer ensinar e dos que querem aprender.
Imagem: daqui (Em CC)











Força, Denise.
Eu já senti e sinto esse desânimo, em especial no noturno que jurei a mim mesma nunca mais entrar numa sala deste período e apesar de amar dar aulas e compartilhar conhecimento realmente tem momentos em que o ânimo inteiro se esfarela. Ficamos com vontade de partir para outra, pois parece que nossa força escorreu pelo ralo e só ficou uma casca programada para dar aula, não para ensinar, compartilhar, conhecer.
Abraço!
Triste mesmo. Difícil trabalhar tendo que matar um leão por dia! É desumano, com todos…
E o país ainda carece muito de educação (em muitos sentidos)…
Olá, Denise. Compreendo tudo o que vc escreveu e sei bem como é isso. Poucas coisas são tão desanimadoras qto ver nossos esforço em dar uma aula maravilhosa indo por ralo abaixo.
Acho o fim do mundo um professor que só passa cópia, mas tem dias que, no desespero por um ambiente com um mínimo de ordem, isso é o que nos resta. Isso e os vistos, que os alunos ainda não perceberam se tratar de um instrumento de dominação do professor.
Tenho uma classe terrível na escola. Com apenas 20 alunos, essa 6a série consegue tirar qq professor do sério. 4 alunos desestruturam a classe toda. Qdo eles faltam, é uma benção. Se vão, é briga, desrespeito, gritaria, xingos, tapas p todo lado, roubos em sala de aula.
Esses 4 alunos são analfabetos. E não admito que venham me dizer que é pq eles não tiveram bons professores. Afinal, nós não temos o poder de fazer milagres.
Desabafei tb! Gostaria q vc, num post futuro, descrevesse a sua aula sucesso. E não a aula triste!
Continuamos na luta! Abraço!
[...] embora a situação atual da Educação não seja de muito entusiasmo, ainda é possível verificar situações em que estudar valeu muito a pena. E compartilho algumas [...]