
Brincando de artesã
Agora há pouco, compartilhei com a Sam Shirashi, as brincadeiras que fazíamos quando éramos crianças. Com esta avalanche de propagandas de brinquedos, que enlouquece os pais de coração mole e conta bancária polpuda, e desespera os de bolso furado, estimular a criatividade na hora de brincar é um caminho a ser percorrido.
Eu dizia à Sam que, há tempos, nós mesmos, sozinhos, fazíamos nossos próprios brinquedos. Com uma família numerosa, os brinquedos da Estrela só chegavam uma vez por ano, no Natal. No aniversário, o presente era roupa e calçado. Então, com um quintal imenso e muito tempo livre (não havia esta história de cursos de inglês, balé ou judô), a criançada dava asas à imaginação e brincava para valer, no estilo menino-maluquinho-panela-na-cabeça.
Tudo era matéria-prima para nossa fantástica fábrica de brinquedo: latas de leite em pó cheias de areia viravam pés-de-lata, amarrados por barbantes. Qualquer tábua e alguns parafusos transformavam-se em belíssimos carrinhos de rolimã que disputavam em campeonato de fórmula um, na calçada. Ah, o tempo em que os portões não tinham cadeado…
Lembro-me dos coloridos paraquedas de sacos plásticos e linha de costura; das pipas de jornal, presas com varetas de vassoura de piaçaba ou palitos de dentes e coladas com arroz ou macarrão cozidos; das casinhas de lençol, escoradas nas cadeiras; das bolas de meia, dos carimbos de batata, e por aí vai…
Sustentabilidade é coisa de pobre?
Hoje em dia, parece que ostentar o brinquedo da moda e da hora é mais importante para os pais (mais do que para as crianças) que estimular a criatividade e a sustentabilidade.
Acredito que qualquer pessoa estranharia uma criança de classe social mais favorecida, com um brinquedo artesanal destes que citei acima, mas acharia perfeitamente natural que estivessem nas mãos de uma criança mais humilde. Parece que sustentabilidade é coisa de pobre. Será?

Colar de linha e bijouteria quebrada
Enquanto escrevo este post, a Princesinha me pede linha de costura e fios de lã para fazer colares com bolinhas e pedras de bijuteria que encontrou na gaveta da arca. Ela adora brinquedos inventados, como este bilboquê de garrafa pet, que a mãe fez com ela.
Aí está ela, com a velha boneca que não vai para doação de jeito nenhum. Aliás, possui bonecas que foram da mãe dela. Isto também é sustentabilidade. Já que comprou ou ganhou, use o máximo de anos que a criança puder, e, depois, doe-a para alguém.
Como diz a Sam em seu post, em que critica os brinquedos educativos, ditos sustentáveis, vendidos nas lojas: “criar um universo artificial não é o caminho mais sustentável.” Realmente, ir a uma loja local, ou virtual para dar menos trabalho, é mais cômodo e prático que estimular uma brincadeira saudável, criativa, ecologicamente recomendada.
E para você, fazer brinquedos a partir de material reaproveitável é coisa de pobre? Já pulou amarelinha com seu filho hoje?











Denise,
fiquei com vontade de brincar de tudo que você falou. E felizmente, muitas vezes quando vou buscar meus filhos na escola, eu pulo um pouco de amarelinha com as meninas do pátio, que me fazem companhia enquanto espero os mocinhos brincarem com alguma “bola de papel” (não é mais de meia) ou algo do gênero.
Os meus meninos brincam muito solto, criam muitos brinquedos (em especial com LEGO, este sim um brinquedo bom porque hiper durável e uber mutante) com caixas de sobras e mil outras coisas, mas também porque muitas vezes precisam só de imaginação para inventarem histórias e se transportarem para o mundo da magia.
Acho que, tanto para crianças quanto para pais, falta muito esta liberdade de inventar, de imaginar, de sonhar sem precisar de objetos que materializem o que se sonha.
Obrigada, Samantha, pela pauta. Na hora em que li seu texto, a Princesinha estava perto de mim, e pedia materiais alternativos para brincar. A inspiração não podia ser melhor,né?
beijo, menina
[...] Fico feliz por contar que este post inspirou a @deniserangel a fazer um outro texto e contar de muitos brinquedos e brincadeiras dela, da filha e da [...]
Dê, eu sinto que existe esse preconceito de que sustentabilidade é coisa de pobre…. na teoria vai, mas na hora de por em prática…… fora que dá trabalho e trabalho , sacumé….todo mundo diz que não tem medo, mas ninguém quer ter….
Nem é pelo trabalho, Ana, porque as crianças constroem seus brinquedos sozinhas. Basta deixá-las fazerem a “bagunça”. Não me lembro de minha mãe ou meu pai fazendo carrinhos ou casinhas conosco. A oficina era exclusivamente nossa. Os pais estragam os filhos, comprando brinquedos que fazem tudo sozinhos: andam, falam, cantam, brigam, namoram, engravidam, etc. Adoro ver a Princesinha fazendo seus biscoitinhos de papelão, como agora há pouco.
beijo menina
[...] embaixo dos olhos e meditando sobre o assunto – por conta de ser tia de um bebê fofo – e a Denise levantou a bola dos brinquedos sustentáveis. Eu, não-mãe para sempre, sempre achei que a montanha de brinquedos em casa, a maioria fechados [...]