Ao ver crianças celebrando a morte de Osama Bin Laden, somos levados a repensar a maneira como estamos educando nossos filhos, em meio a tantas influências externas que valorizam a vingança, o “olho por olho”, o “dente por dente”.
Após o Presidente dos Estados Unidos, Obama, declarar que fora feita justiça, referindo-se à morte de Osama Bin Laden, líder da al -Qaeda e terrorista responsável pelo assassinato de milhares de homens, mulheres e crianças, a nação americana entrou em estado de euforia.
Somos executores?
Com tanta violência neste mundo, as pessoas já não se sensibilizam quando um criminoso é executado. Pelo contrário, cantam e comemoram a “vitória”. Isto me leva à questão: se não repudiamos as execuções bárbaras e punimos os malfeitores com a morte, não nos tornamos executores semelhantes?
Não sou a favor da pena de morte. Acredito que crimes devem ser punidos, mas sem a hipocrisia de que a justiça só é feita com execuções sumárias. Matar é julgar sumariamente. E matar nada tem a ver com justiça.
É estranho ver pessoas comemorarem a morte de Bin Laden como se fosse final de Copa. Não se justifica festejar a morte, assim penso. O que estamos discutindo não é se ele merecia ou não a morte, mas, sim, a reação das pessoas, comemorando a vingança.
A vingança é amarga
Conheço a dor de ter alguém que amamos assassinado barbaramente. Ninguém pode, realmente, sentir nada parecido sem ter vivido experiência semelhante. Eu mesma desejei muito que o assassino de meu filho morresse também. Entretanto, senti-me muito mal, ao saber que aqueles que tiraram a vida de meu filho estavam mortos. Não senti vontade de comemorar. A vingança tem um gosto muito amargo. Aliás, não me sinto vingada.
Acredito que se não perdoamos, a pressão de nosso inimigo contra nós continuará nos roubando a paz. Ao fermentarmos nossa raiva, alimentamos pensamentos de vingança e nos tornamos capazes de cometer transgressões muito piores do que a que sofremos.
A tendência é se multiplicar a hipocrisia humana. Mesmo os religiosos ainda “cantam” a vitória e se vangloriam com a morte de seus “inimigos”. Infelizmente, como cristã, constato que muitos de meus “irmãos” ainda carregam em si, arraigada, a lei do “olho por olho, dente por dente”.
O que ensinamos a nossas crianças?
E volto à pergunta inicial: que valores estamos transmitindo a nossas crianças: fazer justiça é promover a vingança? A morte de nossos inimigos deve ser celebrada com alegria? Não deveríamos estar consternados em memória daqueles que morreram pelas suas mãos?
Como esperar mudança de vida e de posicionamento diante de um mundo caótico, injusto e e violento se não há mudanças individuais? Nossas crianças precisam saber que a vingança não tem sabor de alegria e festa. Pelo contrário, é extremamente amarga e nos torna tão cruéis como nossos algozes.
Imagem: Marcelino Novais













[...] não repudiamos as execuções bárbaras e aceitamos a punição dos malfeitores com a morte, não nos tornamos executores semelhantes? Lavamos as mãos e vamos dormir tranquilos com menos um bandido vivo na cidade? Sequer percebemos [...]