
Hoje é o Dia Nacional da Trabalhadora Doméstica. Para marcar a data, o Blogueiras Feministas propôs uma reflexão entre as participantes do grupo para mostrar diferentes pontos sobre o assunto.
Não tenho empregada doméstica. Sinto-me mais confortável cuidando de minhas coisas, de minha roupa e consigo manter o apartamento limpo e relativamente organizado (o que é uma proeza com a Princesinha por aqui), sem precisar de ajuda. Eventualmente, porém, chamo uma diarista, quando preciso fazer uma faxina mais elaborada. Porém já mantive esta pessoa como diarista por muitos anos.
Até então, eu julgava que o trabalho dela fosse apenas o de uma prestadora de serviços. E pensava estar colaborando para que, com o dinheiro que recebe das faxinas, pudesse criar os quatro filhos e ser independente do companheiro (que, aliás, está sempre desempregado).
Também acreditava estar fazendo minha parte estimulando-a a estudar, batalhar por uma vida melhor, investir na melhoria de sua vida. E, após as faxinas, ela ia para as aulas à noite. Concluiu o Ensino Médio e, atualmente, frequenta um cursinho preparatório: quer fazer uma Faculdade de Psicologia. Fico admirada com a sua coragem de voltar a estudar, com mais de 40 anos e com os filhos adolescentes.
Uma discussão lá em nosso grupo de mulheres, porém, fez-me refletir sobre várias ideias relacionadas ao trabalho doméstico aqui em casa, tais como:
- É justo pagar cerca de 70 reais para alguém limpar um apartamento inteiro, durante 8 ou 10 horas (7 reais a hora), em um serviço pesado, sem garantias trabalhistas?
- Costumo pensar nas crianças que ela deixa em casa (quando não estão no horário do colégio) para poder trabalhar?
- Costumo pensar em como será a vida dela quando não puder mais ser diarista?
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Estou consciente de que o trabalho das empregadas domésticas é uma forma perversa de exploração, herança dos tempos da escravidão?
O emprego doméstico no Brasil
O trabalho doméstico em si não é necessariamente ruim. Ruins são as condições de trabalho para a maioria das empregadas domésticas. Mesmo tendo sua profissão regulamentada desde 1972, ainda enfrentam dificuldades para receber seus direitos trabalhistas.
O emprego doméstico no Brasil corresponde a cerca de 18% da população economicamente ativa. Apenas 27,62% das empregadas têm carteira assinada, que prevê , além do salário regulamentado, acesso à Previdência, vale-transporte, 13° salário, férias remuneradas, licença-maternidade e uma jornada de 8 horas por dia com uma folga semanal.
As domésticas, no Brasil, têm metade dos benefícios de um trabalhador comum, pois não são previstos, na lei,o pagamento do FGTS, PIS, seguro-desemprego, pagamento de hora extra e jornada de trabalho fixa.
Além desta “diferença” de tratamento da lei, o que ocorre, na prática, são as empregadas domésticas trabalhando muito além da jornada de 8 horas, sem sequer receber o piso salarial previsto.
Posso cuidar de minhas coisas?
Como mulher e profissional, cujo trabalho consome muitas horas de meu dia e, às vezes, envolve viagens, preciso realmente de alguém em casa para fazer o trabalho doméstico? Sei como é difícil este tipo de trabalho, pois, aqui em casa, eu faço a maior parte dele sozinha.
Atualmente não estou mais em horário integral na escola e passo mais tempo trabalhando em casa em meus projetos e frelas. Mantenho a pia sempre vazia e as roupas são lavadas duas vezes por semana, na máquina. Não passo roupa porque considero desnecessário. Faço uma limpeza mais caprichada, quando é preciso.
Acredito que, mesmo que meu livre tempo diminua, é possível me organizar, priorizar tarefas e cuidar de minhas próprias coisas.
Os moradores da casa são autônomos?
Penso que é necessário discutir a questão da autonomia dos moradores de uma casa. É fundamental criarmos filhos que se responsabilizem por suas próprias coisas, que sejam conscientes do valor do trabalho e da importância de dividir responsabilidades.
A Princesinha ainda é pequena, tem 5 anos, mas já tem suas pequenas tarefas, como manter brinquedos em ordem e guardá-los depois de brincar; colocar suas roupas e calçados na área de serviço quando chega da escola; eventualmente ajudar a arrumar a mesa, e outras tarefas que sejam compatíveis com a idade dela.
Estou tentando repensar minha postura e buscar possíveis soluções para os empasses que citei no início do post. E hoje, depois dessa reflexão aqui e no grupo, não quero e não vou mais contratar ninguém pra limpar minha casa e organizar minha bagunça. Não desta forma perversa de exploração.
Faça a sua parte
Entre nesta luta pela legalização do trabalho doméstico e pela garantia de seus direitos trabalhistas. Vote por melhorias trabalhistas no site “doméstica legal“, e demonstre sua intenção de apoiar os Projetos de Lei para legalizar a empregada doméstica além de outras medidas para melhorar o emprego doméstico.
Hoje, no Dia Nacional da Trabalhadora Doméstica, que tal repensarmos nossa postura diante de tais condições de trabalho que a maioria das empregadas domésticas têm e discutirmos diferentes pontos sobre o assunto?
Imagem: daqui
Este post faz parte da blogagem coletiva sobre trabalho doméstico organizada pelo Blogueiras Feministas.
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- Dia Nacional das Trabalhadoras Domésticas
- Seja empregada doméstica ou terceirizada, a sina é a mesma: invisibilidade

Uma mestra feminista e eco-consciente.







