A mudança
Mudamo-nos para a casa ao lado em dois de dezembro último. Esta casa estava fechada há, pelo menos, um ano e meio, e havia sido toda reformada para ser vendida. Devido a problemas entre os filhos da proprietária, isto não aconteceu, e fizemos uma oferta para alugá-la, que foi aceita. O problema (eu diria solução, Cristiane) é que a casa estava quase toda mobiliada com os pertences da senhora que morava nela. Após muitos dias de trabalho, os filhos ainda deixaram muita coisa no imóvel, e nos comprometemos a limpar o resto.
Fiquei me sentindo muito mal em simplesmente jogar as coisas fora; então, entrei em cada quarto e vi o que poderia ser utilizado para minha família (que fique claro que aqui nos EUA o povo joga os móveis fora porque é mais barato comprar um novo do que reformar um usado, não é porque o povo daqui gosta disso; só vivendo com eles é que aprendi isso). Como os móveis, que vou mostrar aqui, não estavam quebrados, não valia a pena o dono da casa colocá-los em um guarda-móveis.
O que foi reaproveitado:

• Um pufe em couro, que iria para o lixo, ficou no meu quarto e combinou perfeitamente com a decoração (lindo, Cristiane!)
• Na sala de baixo, aproveitei duas mesinhas laterais: uma, coloquei para a televisão; outra, foi para a lateral do sofá e uma mesinha de centro. Seis abajures de vários tamanhos também estão sendo utilizados.
• Um lindo relógio de pé, que custa mais de 500 dólares e não está funcionando, hoje ocupa um belo lugar da minha casa como peça de decoração (ainda bem que não funciona, pois a casa é toda de madeira e ele iria fazer um barulho enorme), rs.
• Um armário pequeno está no hall também. (Morri por este móvel, Cristiane!)
E mais…
• A escrivaninha velha e toda arranhada ganhou uma garibada com um produto que esconde os arranhões e hoje é nossa escrivaninha oficial, bem como a cadeira que está com ela.
• Aqui, outro dos seis abajures que estão sendo reutilizados. (ainda vou arrumar um destes em um brechó por aqui, Cristiane…)
• A sala de jantar tinha uma cristaleira enorme. Desmontei a parte de cima, que era toda de vidro, com espelho e dourados e estou utilizando a parte de baixo que é de madeira, como um complemento à minha sala de jantar e onde guardo a louça que menos uso. (Tô babando de inveja, Cris!)
• Um banquinho em madeira virou o banquinho da hall de entrada.
• Na lavanderia, coloquei três armários pequenos que iriam direto para o lixo e agora são utilizados para guardar material de limpeza.
• Um armário pequeno com prateleiras virou o armário da impressora e fica no “escritório” junto da escrivaninha.
Mais ainda…
O gaveteiro do quarto de casal virou o gaveteiro novo do quarto do meu filho; tirei o espelho acoplado e ficou ótimo. Tirei, também, o espelho de uma penteadeira, que era uma peça bem delicada, e transformei-a na nova mesinha de computador do filho. A maior parte dos suportes de cortina ficou bem como os suportes dos suportes. Outro armário está sendo pintado de azul e vai para o quarto de brinquedos virar uma biblioteca para o filho. Um jogo de mesinhas desmontáveis está sendo usado por nós.
Uma mesa com seis cadeiras de jardim, mais o guarda chuva, estão guardados do lado de fora, na neve, esperando a primavera chegar. O vidro foi quebrado, mas vamos colocar no lugar um material plástico muito utilizado aqui no lugar do vidro.
Guardei, ainda, no porão, um conjunto box completo de solteiro; assim, quando tiver visitas para dormir, é só montar a cama. E tem ainda as ferramentas de jardim, que também estou aproveitando, e outras coisas menores. Como você pode ver, é muita coisa e nem descrevi tudo, só as maiores peças, sem contar os sacos plásticos que achei, sacos de papel que aqui são utilizados para colocar grama, ufa!
Aqui nos EUA tem uma coisa interessante: as pessoas não têm vergonha de pegar coisas usadas que colocamos na calçada. Ontem mesmo, coloquei algumas coisas que não teríamos como usar, e um vizinho veio e aproveitou uma prateleira e um suporte de metal para cama de solteiro. (Ainda bem que o lixo de uns é o tesouro de outros…)
Reaproveitar é economizar e aqui vai outro verbo, salvar.
Cristiane,
Obrigada pela confiança e pela oportunidade de compartilhar esta linda e importantíssima experiência de consciência ecológica!
beijo, menina
- Depoimento e Imagens de Cristiane Amarante Fetter – editado por Denise Rangel

Uma mestra feminista e eco-consciente.







