
Caçadas de Pedrinho, de Monteiro Lobato, um clássico da literatura infantil, publicado em 1933, quase foi banido das bibliotecas e salas de aula das escolas públicas do país.
Algumas citações na obra foram consideradas “inadequadas” pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), por desrespeitar o critério usado na avaliação dos livros didáticos de não conter “didatismos, moralismos, preconceitos, estereótipos ou discriminação de qualquer ordem” (Parecer nº 15/2010).
A alegação é de que há preconceito racial contra a personagem Tia Nastácia, a empregada negra do Sítio do Pica-Pau Amarelo, nos trechos “tem carne preta” e em ” trepou que nem uma macaca de carvão pelo mastro”. O ministro da Igualdade Racial, Eloi Ferreira de Araujo afirmou que as expressões do livro “são de um conteúdo fortemente preconceituoso e precisam de tratamento explicativo na sala de aula, para que não se ofenda a autoestima das crianças e dos leitores”.
O ministro da Educação, Fernando Haddad, teve de intervir e o problema foi resolvido da seguinte maneira: Caçadas de Pedrinho continuará na lista do MEC, que indica os livros a serem adotados pela Escola Pública, mas, com uma explicação sobre o contexto em que foi escrito. Como se nós, professores, já não fizéssemos isto. Me poupem! (com o pronome propositalmente no início da frase!)
O mais triste foi saber que tal “pedido”, a princípio, havia sido atendido pelo MEC. O Conselho Nacional de Educação chegou a recomendar que o MEC deixasse de adotar “Caçadas de Pedrinho” nas escolas públicas. A censura a obras paradidáticas já existe nas escolas particulares, em que, os livros são escolhidos pelos donos dos estabelecimentos. Já tive livros e até textos, usados em exercícios ou provas, censurados, porque o conteúdo não estava de acordo com a “pedagogia” do colégio.
Se o Estado proíbe o acesso à obras consideradas fora do padrão estabelecido, e a Escola não pode abrir um debate sobre os textos censurados, e mostrar que tal obra tem um contexto, a quem caberá tal tarefa? Os pais e responsáveis devem permitir que seus filhos tenham acesso à boa literatura, em casa, nas bibliotecas públicas, nos sebos, onde for. E, na falta destes? Alguém terá de mostrar às crianças como se lê uma obra criticamente. Quem? Dona Benta? Por que não?
Caçada à censura já! Estamos no século 21! Ou não?
Imagem: daqui











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