Há dois dias que sofro as consequências de um tratamento endodôntico no dente que sustenta uma ponte fixa (penitência por ser chocólatra e formiguinha nas horas vagas). O famoso tratamento de canal da raiz dentária retira a polpa do dente, um tecido encontrado em sua parte interna. Após a polpa removida, o canal é limpo e preenchido. Rápido e indolor. Indolor?
Meu dentista me preveniu sobre as primeiras 48 a 72 horas posteriores ao tratamento de canal. Sabia, portanto, que experimentaria uma sensação dolorosa decorrente da aplicação do anestésico e da manipulação do dente. E a ingestão de analgésicos e antiinflamatórios, necessários para aliviar a dor após a cirurgia, deveriam conter meu sofrimento. Mas, qual!
Pensei em tirar proveito da situação de alguma forma (emagrecer, por exemplo), já que a dor inibe a mastigação, e a motivação para comer, naturalmente desaparece. A fome, no entanto, permanece, firme e forte, e o jeito foi procurar soluções que alimentem o corpo e acariciem a alma.
Uma sopa de ervilha veio bem a calhar, e, em poucos minutos, ei-la que surge como um paleativo para minha dor dupla: a física e a emocional. A mistura leve de ervilha, batata, salsicha de soja (que eu não como carne, como sabem), alho, hortelã (de minha hortinha), azeite e sal, acalmaram a ansiedade provocada pela dor da fome e do dente convalescente.
Estou bem. Com meus dentes aparentemente salvos e a fome apaziguada. Sorrindo feliz. Por ora…


Uma mestra feminista e eco-consciente.







