
Acredito na mudança de vida de uma pessoa, se ela assim o desejar! Sei que os moradores de ruas são seres humanos e que precisam de ajuda. No entanto, tenho de confessar que eles me assustam. É possível que muitos de vocês já tiveram ou conhecem quem tenha tido uma experiência assustadora com moradores de ruas. Eu mesma já vivenciei momentos assim.
Um desses episódios envolveu uma amiga, que, ao chegar esbaforida ao nosso compromisso, afirmara ter sido perseguida por um mendigo. Isto me deixou em sinal de alerta e, até hoje, sempre que passo por uma dessas pessoas, tenho a impressão de que, a qualquer momento se levantarão e sairão correndo atrás de mim.
E não é que meus receios se concretizaram? Certo dia, estava eu tranquila – dentro do possível em uma cidade como o Rio de Janeiro – esperando um ônibus, quando, de repente, levei um soco nas costas. Naquele momento imaginei que seria agredida sucessivamente por alguém que por algum motivo tivesse alguma queixa contra mim ou me confundido com outra pessoa.
Virei-me assustada e não havia ninguém. Quem me golpeara se misturou ao meio da multidão. Olhei mais adiante e vi uma mendiga vociferando palavras impublicáveis contra mim enquanto se afastava. Pareceu-me que aquele seria o modo delicado de pedir licença para passar, já que eu estava parada no caminho dela. Felizmente ela não voltou, meu ônibus chegou e eu segui viagem imaginando que tipo de “vida” tais pessoas têm nas ruas das grandes cidades.
Esmola ou oportunidade?
Há quem defenda a tese de que os mendigos tomam suas decisões e é difícil dissuadi-los delas. Ou por comodidade, ou por liberdade, ou por doença mental, ou por oportunismo, enfim, seja qual for o motivo que mantenha alguém na rua, dificilmente se conseguirá tirá-los de lá.
Lembro-me de que minha mãe alimentava uma senhora, que vinha diariamente pedir comida. Eu era criança e não sei bem por que razão ela optava por aquela vida. Cresci ouvindo dizer que dar esmolas ou comida para pedintes é um estímulo para que continuem nesta situação. E que o mais cristão (ou humano, como queiram) é oferecer-lhes uma oportunidade.
Quem não já passou pela experiência de ser hostilizado, ao tentar oferecer uma oportunidade de trabalho a uma dessas pessoas. Experimente: se alguém chegar pedindo uma “ajuda-pelo-amor-de-Deus”, faça uma contraproposta: ofereça uma diária para o pedinte cortar a grama do jardim, ou pintar o muro pichado de sua casa ou algo parecido.
Provavelmente a maioria não aceitará e é bem possível que saiam xingando impropérios contra o cidadão que fez tal contraproposta. Pode não ser tão cristão deixar de dar esmolas, mas, ainda assim, esta deveria ser a atitude mais sensata de cada um de nós.
A cada dia vejo crescer a multidão de mendigos que faz fila em frente à Ação Social da Igreja Católica perto de casa. E, depois de jantar, preferem se acomodar na Praça para dormir e fazer suas necessidades, embora a Igreja lhes ofereça abrigo. E o número deles está aumentando. A disposição com que brigam, correm e fazem coisas impróprias em público provam que são capazes de trabalhar.
Observem as casas que abrigam moradores de rua, com camas, banheiros, medicamentos, artesanato, horta , etc. Nestes lugares, são deixados livres, não são obrigados a ficar lá. Entretanto, poucos permanecem nestas casas. Quando chegam, demonstram querer se reabilitar, mas, quando percebem que têm de trabalhar, desaparecem. E voltam para as ruas.
Vejo nos trens e nos sinais de trânsito, mulheres e velhos vendendo docese outros objetos. Não estão pedindo esmolas. Estão trabalhando. Por que os moradores de rua não pedem uma oportunidade em vez de esmolas? Por que, alguns deles (os furiosos, que fique bem claro) além de recusarem trabalho, atacam pessoas? Loucos? Por que não queimam dinheiro?
Injusta, eu? Desumana? Pelo contrário. Muito pelo contrário. O que pensam sobre isto?
Foto: Mílton Jung
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Eu convivo há mais de 10 anos com a “Maria Louca”, uma moradora de rua absolutamente esquizofrênica, que vive há muito tempo aqui no bairro. Não, ela nunca me bateu, mas quem mora ou trabalha aqui no pedaço sabe bem do que estou falando.
Fato é que, segundo estudo da UNIFESP aqui em S. Paulo, só entre as crianças que estão nas ruas de Sampa o índice de doenças mentais é o DOBRO do da população em geral. O mesmo se repete na periferia.
Miséria enlouquece. E aí, Dê, não há oportunidade que salve. É preciso atendimento mesmo.
Meus dois cents.
Eu não dou esmola porque acho esse tipo de coisa deprimente. Mas tem que dê e alimente esse tipo de coisa. Acho que todo mundo já passou por uma condição igual a que vc citou. Aqui em casa já aconteceu de estarmos lavando a calçada e a pessoa vir pedir algo. O Marco ofereceu pagamento para que ele terminasse o serviço e ouviu dúzias de desaforos. Também é comum ver crianças pedindo no trânsito e entregando tudo que conseguem a adultos que ficam bebendo e fumando num canto.
As pessoas acham que estão fazendo sua parte, mas não estão.
Enfim, cada cabeça uma sentença.
Bacio
Lu e Lunna,
Concordo que para os doentes mentais, tratamento.O que a gente vê nos hospitais psiquiátricos é superlotação e não há vagas nem para quem tem INSS ou plano de saúde.Imagine se o Estado vai recoher estas pessoas pra tratar delas. O máximo que fazem é colocá-las em abrigos em dias de tempestade ou frio intenso.E assim que podem, elas voltam pras ruas.
Refiro-me aos que podem trabalhar, recusam trabalho e preferem ficar nas ruas. E isto a gente sabe que existe.
beijo, meninas
Denise,
é muito complicada a questao.
No Mundo de hoje, já nao sei de mais nada.
Vc veja o caso dos refugiados na Suécia.receberam chances de vida melhor, mas, uma vez aqui, saem atacando pessoas, violentando, etc
Simples assim…
O Mundo está, realmente, enlouquecedor.
e eu,d efinitivamente, venho, a cada dia , perdendo a confianca na HUmanidade.
Grace,
Eu ainda não perdi a confiança na humanidade, mas em alguns humanos. Como a Lu disse, alguns precisam de tratamento, enlouquecidos pela miséria e violência.
Se aceitassem ajuda, muita coisa mudaria para eles. Pena que preferem a violência.
beijo,menina
Confesso que não sei como agir. Sempre achei que dar esmolas estimulava a mendicância e sei de muitas histórias de gente que faz uma boa grana com equipes de falsos mendigos. Me embrulha o estômago quando vejo que crianças são exploradas nessas situações. Mas também sei de muita gente que acaba virando mendigo por falta de opção ou por insanidade. Como identificar cada caso?
Otimista e sonhador, continuo preferindo acreditar no ser humano, mas escolhi contribuir – quando posso – com instituições de caridade que atuam na cidade, onde posso verificar que alguma coisa realmente está sendo feita. Levo roupas velhas – limpas – à Cáritas, alimentos secos (que não necessitam de geladeira) a uma entidade do bairro que dá auxílio a ex-prostitutas vítimas do tráfico de pessoas (principalmente do leste europeu). Há uma entidade que aceita bicicletas velhas, as repara e as envia a Burquina Faso. Vi uma foto de um rapaz sorridente sentado sobre a minha velha bicicleta em uma rua de terra, em frente ao barraco onde mora em algum canto daquele país. Enfim, ajudo como posso quando tenho a certeza de que a minha doação será um ato solidário, e não para sustentar a pilantragem. Mas que dói ver alguém pedindo esmola ou tentando vender bugiganga, ah, isso dói.
DE:
O mendigos da época de nossas mães, pediam comida, por absoluta necessidade, por fome.
Hoje o que eles querem, não é comida, é droga, e isso os deixa completamente loucos, sem noção da realidade.
Por isso, por precaução, mantenha deles, uma distâcia possível e segura. Você nunca sabe quem está ali. Se um louco, ou um pobre, miserável.
Um beijo
Incrível é que aqui tem muito pedinte. Eles tocam na porta da minha casa. Já ouvi muitos desaforos ao oferecer comida, mas já ouvi muitos agradecimentos tb.
Doentes mentais existem no mundo inteiro, na fazenda organica onde compro verduras tem um assim, com sindrome de Touret, que xinga o tempo inteiro. Minha filha tem medo dele, eu nao, pois sei q ele está sendo medicado e cuidado, entao só sobram os palavroes.
bjss e se cuide
Dá medo, porque a gente não sabe se estão agressivos ou receptivos. Uma ajuda pode se tornar um risco.
beijo, menina