
Vamos combinar, este calor não é coisa de Deus! E, enquanto a Terra ferve, continuamos congelando em nossos carros com ar condicionado. E se toda população decidisse utilizar menos automóveis para ir ao trabalho, e escolhesse alternativas inteligentes e sustentáveis, como caminhar, andar de bicicleta e usar os transportes públicos?
Estas pequenas mudanças poderiam fazer uma grande diferença, não só para o meio ambiente, o que já é uma grande coisa, mas também para o bolso de cada um. Com algumas pequenas mudanças em sua rotina, pode-se poupar tempo e dinheiro, melhorar a saúde e ajudar a reduzir o impacto sobre o meio ambiente.
Posso abrir mão do carro?
Custa menos abastecer o tanque do carro com combustivel a gás, por exemplo, e continuar a dirigi-lo, mesmo que não se queira ser ecologicamente correto. Qualquer ganho ecológico feito através de uma tecnologia mais limpa é válido. Então, faça escolhas boas para seu bolso e que beneficiem o ambiente.
Durante muito tempo, fui adepta da ideia de que o carro é indispensável na locomoção para o trabalho. Como trabalhava em dois ou três lugares distantes um do outro, com espaço de tempo reduzido para me locomover entre eles, acreditava ser o carro a opção mais viável, principalmente por trabalhar à noite em locais de risco.
Atualmente, concentro parte de minhas atividades em casa. Trabalho, ainda em um só lugar que necessita de transporte. Mudei-me para um local com mais opções de transporte público. Em apenas 15 minutos estou no trabalho. Usar o carro para trabalhar é uma opção para dias de chuva ou para quando tenho de buscar minha Princesinha. Aliás, ela adora andar de ônibus e grita que não quer ir de carro, acreditam?
Optar por carros menos poluentes; ou por caminhar mais e usar o transporte alternativo; ou compartilhar o carro e praticar a carona solidária são alternativas sustentáveis, ainda muito pouco utilizadas, infelizmente, mas urgentes e necessárias.
Comodismo ou necessidade?
Para deslocamentos maiores, há a opção do ônibus com ar condicionado. O preço da passagem empata com o do litro de gasolina e ainda tem a vantagem de poder relaxar durante a viagem. Sem calor e sem estresse do trânsito, com direito a trafegar pela via seletiva, exclusiva para ônibus e táxis, sem perder tempo em engarrafamentos, e ainda sem o desespero de encontrar estacionamento.
Carros luxuosos vão do Centro até a Zona Sul do Rio, em um trajeto de poucos minutos. Quem é “bacana” não usa transporte público por questões de segurança. Por que não optar pelo táxi? Imaginem quantos carros a menos nos grandes centros comerciais? Se eu fosse “bacana”, só utilizaria táxis especiais. Sei, sei, carro é status. Será?
Por outro lado, há a facilidade do crédito para adquirir um automóvel. Em uma só família há mais de um automóvel, e todos saem diariamente, cada um para um lado. Acredito que há mais comodismo que necessidade de tantos carros na rua. Se eu morasse perto da estação do metrô, com todos os problemas que ele apresenta, jamais iria de carro para o trabalho.
A Terra ferve e congela
Comodidade, necessidade e precariedade do sistema de transporte público contribuem para desestimular as mudanças culturais tão necessárias para pôr a humanidade em um curso sustentável. Um imposto mais elevado sobre a gasolina, tem sido a estratégia da Europa, para estimular o uso do transporte alternativo. No entanto, creio que a educação sobre a sustentabilidade pode ser mais eficiente para conscientizar as pessoas de que precisam consumir menos combustíveis fósseis e torná-las defensoras deste novo comportamento.
Não é mais uma questão de opção ou gosto pessoal. Trata-se de uma necessidade urgente. Precisamos já de mudanças mais significativas e duradouras. A Terra ferve, congela, treme, enfurece. E nós, precisamos escolher entre usar meios mais inteligentes para nos locomover em nosso dia a dia, ou continuar freneticamente em nossos veículos poluidores, congelando no ar condicionado e, ao descer do carro, derreter de calor e praguejar contra Deus e São Pedro.
Foto: AFP/Ahmad Zamroni










