De Camões ao Haiti: eternizados pela Arte


O Velho do Restelo – Os lusíadas

O patrimônio cultural é uma fonte de identidade e de orgulho para o povo de uma nação. E uma das funções da Arte é imortalizar a história deste povo. Ela é a expressão das emoções e reflexões do ser humano diante do mundo. Expressão de amor e solidariedade e também de dor e solidão.

Segundo Camões, em sua obra Os Lusíadas, as aventuras da viagem de Vasco da Gama são pretextos para narrar a própria história de Portugal, em um momento decisivo de sua formação. Captar esse momento e eternizá-lo em forma de poema era sua missão.

Em seus versos:

“Oh, maldito o primeiro que, no mundo,
nas ondas vela pôs em seco lenho!
Digno da eterna pena do Profundo,
se é justa a justa Lei que sigo e tenho!
Nunca juízo algum, alto e profundo,
nem cítara sonora ou vivo engenho
te dê por isso fama nem memória,
mas contigo se acabe o nome e glória!”

Camões deixa evidente o papel imortalizador da Arte. E, simultaneamente, eterniza feitos que exaltam a glória lusitana e revela uma crítica à cobiça desenfreada dos portugueses por riquezas e poder. Pela boca do personagem Velho do Restelo, destila a crítica àqueles que se aventuravam no mar por cobiça, e, por isto, não mereciam ser imortalizados na arte. Entretanto, seu discurso cumpre esta determinada função e se eterniza, se imortaliza na história da humanidade.

E o Haiti?


arte haitiana

A Arte é essencial para o sucesso da reconstrução nacional. A tragédia que se abateu sobre o Haiti trouxe, além da perda de importantes obras destruídas pelo terremoto, uma  outra preocupação em relação a seu patrimônio cultural: o risco de ser dizimado através do comércio e da transferência de sua  propriedade cultural por mãos inescrupulosas.

É por meio da Arte que os haitianos traduzem, atualmente, a tragédia causada pelo terremoto que os abateu. Suas vidas e histórias estarão imortalizadas em cores e formas. São obras que eternizam a dor e a agonia e também a força e a determinação deste povo.

A Vassar Haiti Project, uma organização de voluntários, promove a venda e leilão de obras de arte e do artesanato haitiano, comprados de artesãos a preços de mercado. Cinquenta por cento de todas as compras de arte feitas através do Projeto vai para os artistas e artesãos, proporcionando-lhes uma importante fonte de renda.

Não é possível considerar a Arte independentemente do homem como ser social. Ela é produzida pelo homem e para o homem. Preservá-la é importante, vital, devido a seu poder de evocar, testemunhar e eternizar o passado, o presente e o futuro. Seja através de Camões ou de simples artesãos haitianos.

Imagem: daqui

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