Foto: Cayetano
Iludimo-nos ao pensar que comemos toda a comida que colocamos no prato e não desperdiçamos nada. A verdade, entretanto, é que somos campeões em desperdício de alimentos. Jogamos no lixo, por ano, comida suficiente para sustentar milhões de pessoas.
Desde o plantio à colheita, do transporte, ao armazenamento, do supermercados às feiras e restaurantes, da despensa e geladeira ao prato, todos os dias toneladas de alimentos são desperdiçados. E não me refiro apenas ao alimento que consumimos regularmente, mas também ao que descartamos como “não-comestíveis”:
Cascas de ovos, de legumes e de frutas, sementes de vegetais, folhas ou talos dos legumes, pães adormecidos, são exemplos de “restos” de alimentos que contém muitos nutrientes, e, no entanto, são jogados no lixo diariamente.
Um projeto de pesquisa, desenvolvido na UFG, comprova que a adição do pó da casca de ovo às receitas, quando preparado de forma adequada, não altera a aparência nem o sabor das refeições, e resultam em teores significativos de cálcio nos alimentos preparados. O pó da casca de ovo constitui uma fonte de cálcio de alto valor nutritivo e pode contribuir de forma significativa para suprir a necessidade diária de cálcio, sobretudo das populações de baixa renda.
Coisa de pobre?
“Ah, mas isto é coisa de pobre”, dirão alguns. Afirmo que não. Muita gente bacana exercita a criatividade em receitas deliciosas e sustentáveis. A jornalista Glau Gasparetto, em sua coluna sobre Culinária, no site M de Mulher, disponibiliza várias receitas que aproveitam sobras, como a que usa o que sobrou de aves para fazer um saboroso Bolinho de frango; ou estas ótimas sugestões com sobras de arroz: Bolinhos de arroz com manjericão (foto), ou ainda esta interessante Torta de arroz com carne, que, além do arroz, aproveita também as sobras de pão amanhecido.
Risotos, refogados e molhos ficam deliciosos com as sobras dos legumes, do frango, do peixe ou da carne (para quem a consome) e demonstra nossa conscientização de que os alimentos não estão disponíveis para todo mundo, além de representar economia e respeito pelos que não têm o que comer. O que sobra para mim, certamente está faltando para outros.
Se pensarmos na quantidade de pessoas que passam fome no mundo enquanto nos damos o luxo de jogar fora os alimentos que sobram, em vez de reaproveitá-los, talvez revíssemos nossa atitude. Não se trata de ser, mas de se agir ações e pensar conscientemente e perceber que a fome é uma realidade à nossa volta.
E então? Com tantas possibilidades, quem ainda pretende continuar descartando as sobras dos alimentos? Reaproveite-os! E faça a sua parte!
Foto: Cayetano










