Deixe seu bebê viver a própria vida

Há alguns anos, declarei, aqui, que  os filhos deveriam viver suas vidas sem a interferência dos pais. Sempre prezei minha liberdade de escolha, e imaginava que, como mãe, seria capaz de cortar o cordão umbilical, quando meus filhos estivessem adultos,  aptos a tomarem suas próprias decisões, assumir as consequências delas e  aprender com seus erros e acertos.

Teoricamente, esta é  uma atitude perfeita e esperada para pais e filhos. Na prática, entretanto, nem sempre funciona desta maneira.  Há pais que não percebem o amadurecimento dos filhos, o desejo de autonomia, de liberdade, de independência. E, há filhos que, já adultos, até mesmo casados, quando os problemas aparecem,  recorrem aos pais,  não em busca de uma orientação, mas, em grande parte dos casos, de uma solução para tais problemas.

Vejo, hoje, que é preciso ter grande força de vontade, muita coragem mesmo, para  os pais dizerem a seu filhinho (de 21, 30, 40, 50 anos…), quando este traz seus problemas pessoais, conjugais, profissionais, familiares, ou outros quaisquer, para que os solucionem:  “Não me contem nada! Voltem para suas casas e resolvam vocês mesmos!”.

Orientar ou solucionar?

O discernimento entre uma orientação e uma resolução do questionamento trazido pelo filho é algo que os pais precisam ter. Resistir à tentação de solucionar o problema que é dos filhos é uma decisão bem difícil para pais que não cortaram o cordão umbilical e veem seu “garotinho” ou “garotinha” às voltas com situações que exijam decisões acertadas.

Alguns filhos se aproveitam de tal desprendimento de seus pais e aceitam passivamente, ou propositalmente, pois é cômodo, que seus  problemas sejam resolvidos e decisões sejam tomadas, sem que tenham de se preocupar. No entanto, felizmente, muitos filhos não aceitam esta situação e querem, eles mesmos, andar com suas próprias pernas, cair e levantar, aprender com as quedas e adquirir experiência com os acertos.

Chego à conclusão que, quando os filhos adultos trazem seus problemas aos pais, na verdade, querem apenas desabafar, ouvir uma segunda opinião, ouvir a voz da experiência, ou coisa parecida. O que eles precisam ouvir dos pais, e, no fundo, desejam mesmo isto, é: ” tomem suas próprias decisões, façam suas próprias escolhas, resolvam seus próprios problemas”.

E outra decisão difícil para estes pais é garantir aos filhos que terão seu apoio sejam quais forem as resoluções tomadas. Afinal, precisamos, pais, confiar na educação que demos a nossos filhos. E acreditar que são adultos maduros e capazes de dirigir suas próprias vidas. Mesmo que eles o façam de outra maneira, diferente da que faríamos.

Pais de filhos adultos precisam admitir que seu filho é sempre uma criança, sim, em seu coração;  mas que,  na realidade,  é um homem, ou uma mulher, capaz  de gerir seu destino. Então, vamos cortar o cordão umbilical de nossos bebezões?

Imagem: daqui

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2 Comentários em “Deixe seu bebê viver a própria vida”

  1. Nossas filhas ainda são adolescentes, mas já aprenderam a resolver os próprios problemas. Bem, ao menos a maioria deles.
    Quando nos contam algum problema, já vêm com a solução pronta. Costumamos fazê-las refletir se a solução é a correta e as estimulamos a observar os problemas de ângulos diversos, que podem oferecer alternativas diferentes das que elas encontraram. Só nos intrometemos mesmo quando o problema está além da capacidade de normais adolescentes. Sim, creio que já aprenderam a voar.

    Beijoca :)

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    Denise Rangel Reply:

    Que bom, Allan. Além disso, não somos eternos ou onipresentes. Os filhos e os pais dependentes emocionalmente carregam um fardo muito pesado. Parabéns pelas lindas cidadãs do mundo que você tem aí!
    abraço, garoto

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