Todo início de ano é a mesma ladainha: promessas mirabolantes e resoluções impossíveis de serem cumpridas. Se temos consciência de nossas fraquezas, por que tentar eliminá-las? Não seria mais eficaz controlá-las? Afinal, privar-nos de prazeres teria um saldo negativo em nosso desenvolvimento emocional. Pelo menos o meu.
Mudanças viáveis
Sejamos objetivos: o que eu poderia mudar em mim? (Sem comentários quanto a deixar de comer chocolates e doces em geral, por favor.) Há mudanças que são necessárias e perfeitamente viáveis, sem se tornarem um desafio penoso e desestimulante.
Por exemplo, percebo que preciso exercitar a capacidade de ouvir mais do que falar. Aprender com o que as pessoas têm a me dizer, permitir que se expressem, sem que eu as atropele. Esta é uma resolução necessária e produtiva.
Voltar a ser a leitora voraz, que lia qualquer coisa que me chegasse às mãos é outra resolução com frutos úteis para minha mente e coração. Continuar o processo de aprender e crescer. Isto é gratificante.
Outra mudança que acredito ser necessária, é levar-me um pouco menos a sério. Rir mais; rir muito. Deixar um espaço para a alegria, que a tristeza não pede licença, vai invadindo. O antídoto para ela é ser feliz.
Ser mais desapegada dos bens materiais. Doar para os pobres com mais frequência. Não juntar tesouro na terra, onde a cobiça impera, mas ser mais solidária com quem tem menos que eu. Uma resolução absolutamente eficaz para minha vida e a do próximo.
Tornar-me mais ambientalmente responsável no uso do carro. Sou dependente dele, é fato. Utilizá-lo com responsabilidade é minha obrigação; nem é uma resolução.
Resoluções inúteis
Para que ficar se martirizando com metas e desafios difíceis de serem cumpridos? Privar-nos do que nos é prazeroso é contraproducente. Não funciona mesmo. A sugestão é adaptar-nos a mudanças significativas que não se transformem em uma pena a cumprir.
Por exemplo: perder peso é importante para a saúde. No entanto, deixar de comer chocolates e doces é uma sentença de morte para quem tem compulsão por eles. Comê-los com menos frequência é um acordo mais fácil de aceitar. Basta manter alimentos saudáveis em casa, com mais frutas e legumes, grãos integrais, feijão, leite desnatado e menos doces e sucos.
Há pessoas que tomam a resolução de parar de beber e fumar. Inútil. Não dá certo. Diminuir o ritmo, talvez fosse uma saída mais adequada e menos traumática. Ter hábitos saudáveis e evitar situações de estresse talvez fosse melhor que tentar parar de uma vez com o vício.
Cortar o que nos é prazeroso é inútil e deixa uma sensação de fracasso diante de uma resolução que não pudemos cumprir.
Resoluções indesejadas
Outra besteira é prometer que iremos fazer algo que não apreciamos. Não o fazemos exatamente porque não gostamos. Para que se violentar e tentar mudar algo que agride nossa natureza? Não o faça!
Por exemplo: prometer visitar mais os parentes (cunhados, sogras e afins); manter a casa mais organizada; caminhar todos os dias; ou outra atividade que não nos é agradável, é a mais completa mentira que pregamos a nós mesmos.
Se eu faço algo de que não gosto; limito-me a cumprir compromissos sociais ou por necessidade imperiosa.Virou obrigação, perdeu a graça. Tornar estas tarefas desagradáveis uma resolução de ano novo é balela e conversa para boi dormir, como dizia minha mãe.
E vocês, fizeram suas listas de resoluções de ano novo? São metas viáveis e agradáveis ou um fardo que você não conseguirá cumprir e será abandonado ao longo do caminho?

Uma mestra feminista e eco-consciente.








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