“… já houveram (sic) edições espetaculares nos blogs”
Encontramos, com muita frequência, esta flexão equivocada do verbo haver pela web. Quero lembrar que meu objetivo é trocar ideias sobre como a Língua portuguesa pode nos deixar em dúvida quanto à escrita adequada de certos termos. Criticar os desvios da norma padrão não é o meu objetivo, de forma alguma.
No entanto, é sabido que, como ninguém domina totalmente as normas gramaticais (e nem precisa), mais cedo ou mais tarde, qualquer um pode cometer uma gafe e enrolar a língua. Então, para quê ficar criticando os outros? O melhor é ajudar, dar um toque para que todos saiam lucrando.
Se o verbo haver é usado no sentido de existir, é impessoal. Isto quer dizer que ele não tem sujeito, ou seja, não concorda com nenhuma pessoal gramatical. Então, deve ficar na 3ª pessoa do singular.
E o “houveram”, como faz?
Segundo a Dona Norma*, o verbo haver, com sentido de considerar, possuir, obter, alcançar, desincumbir-se, portar-se, é perfeitamente pessoal. Logo, admite a forma acima, sem preconceito algum.
Assim:
Os motoristas das vans houveram (consideraram) por bem acatar as ordens da Prefeitura.
Os empresários houveram (possuíam) de muitos bens, mas hoje estão completamente falidos.
Os pais houveram (obtiveram) notícia da libertação do filho sequestrado.
Os vestibulandos não se houveram (se desincumbiram) bem nos exames.
Os bombeiros houveram-se (portaram-se) bravamente.
Então, está explicado o porquê do solecismo*? Como a Língua oferece as duas opções, houve e houveram, é muito comum o falante desavisado empregar esta última diante de termos pluralizados.
Então, agora já podemos dizer que vocês se “houveram” muito bem no uso da língua portuguesa, certo?
*Dona Norma é o nome que uso, com meus alunos, ao me referir à norma gramatical. *Solecismos são os desvios das normas de concordância, de regência ou de colocação.Imagem:blogando











Se tem uma coisa de que sempre gostei é de gramática. Não estou dizendo com isso que sei demais, ou que sou melhor que alguém, ou que saio criticando meio mundo que comete erros. Mas, de fato, eu acho importante que a pessoa pelo menos se interesse em aprender, em cultuar nossa tão injustiçada língua, em vez de ficar inventando linguagens alternativas, mIgUxXxXês e afins.
Adorei a aula, Denise. Beijos!
Aprecio muito tudo o que se refere à Língua Portuguesa e procuro, deveras, saber sempre mais.
Um dos serviços que presto na Instituição onde trabalho é a revisão de textos, correspondências e, até, livros. Aí está o motivo pelo qual entrei neste espaço.
Agradeço a ajuda e espero que muitos percebam como vale a pena aperfeiçoar-se no uso de nossa Língua.
Obrigada pela visita, Ilse, volte sempre.