Sem marido ou sem amor?

November 5, 2009 Sociedade, Universo Feminino

Até que a morte os separem...
Até que a morte os separe…

Há algum tempo comentei aqui sobre as cobranças que me fazem por eu não ter casado novamente, e sobre a exigência da sociedade  de a mulher precisar de ter um homem a seu lado para ser considerada ou respeitada.

Pois bem, após alguns meses sem  cobranças ou  insinuações maliciosas (do tipo “não tá namorando? Mentira, está escondendo.”), novamente as pessoas voltaram a me questionar por que não estou com alguém.

E, mais uma vez me pergunto se é absolutamente necessário que eu tenha um parceiro para todo mundo ver? Ou será que minha independência e liberdade significam que tenha uma vida de aventuras capaz de detonar minha reputação na família perfeita?

E há quem se digne ao cúmulo de sugerir possíveis candidatos. Quase sempre alguém viúvo ou divorciado, bem de vida, com filhos pequenos, e que está sozinho há algum tempo. Sem preconceitos a quem tenha o perfil citado, mas, por que as solteiras de plantão ainda não “fisgaram” o bom partido? As “amélias” que me perdoem, porém a resposta é bem óbvia, não acham?

Chegam a ser engraçados tais questionamentos sobre a vida afetiva da mulher sozinha (viúva, separada, divorciada). Na verdade, o que querem saber não é exatamente por que estamos sozinha (entenda-se “ter um marido”), mas sim, como resolvemos nossas “necessidades” afetivas. Hilária e cruel a hipocrisia humana.

Uma amiga divorciada foi rejeitada em um grupo religioso de assistência social, composto por mulheres, e o argumento da líder foi: “no meu grupo não tem mulher sem marido”. Outra amiga, após a morte do ex-marido, de quem estava divorciada há vários anos, ouviu do padre a pérola: “agora você já pode comungar, pois está viúva”.

Juventude e beleza são pré-requisitos?

Bela por dentro e por fora.
Beleza exterior e interior

Eu disse, naquela ocasião, que se um dia eu mudasse de idéia e conhecesse alguém “naturalmente”, e as coisas fluíssem sem interferências sociais, familiares, ou afins, eu consideraria a possibilidade de ter alguém novamente.

Não aconteceu e não creio que venha a acontecer. Sabem por quê?  Mesmo que eu quisesse  um parceiro, dificilmente encontraria algo que valesse a pena. Os homens de verdade, companheiros, maduros, etc, já estão comprometidos com  outras mulheres  maravilhosas e, obviamente, mais jovens.

Teria razão Alex Castro ao constatar que, os homens mais velhos,  amigos de seu pai, sem exceção,  casaram de novo com mulheres muitos anos mais novas? Creio que sim, embora  eu conheça algumas poucas amigas que têm um parceiro maduro há muitos anos. E eu me pergunto: até quando?

Será que mulheres sozinhas são consideradas impuras, maculadas pela liberdade de não ter um homem  “legal”  em casa. Ou  pela possibilidade de ter um homem “ilegalmente”, já que não possuem mais o perfil desejado pelos homens dispostos a casar? Aliás, este perfil é mais “estético”, diga-se de passagem, pois temos beleza e inteligência por dentro e por fora, concordam?

É um pré-julgamento, um “estigma” que nós mulheres “de família” teremos de carregar? O que é mais importante: ter um marido ou ter um amor? A sociedade é cruel com as mulheres “sem marido”, não acham?

Foto: Marília Almeida

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Comente aqui: (4)

 

  1. Tina says:

    Oi Denise!

    Você certíssima nesse ótimo post: assino embaixo! E não é de hoje que isso acontece – rejeição à mulher que esteja em uma das categorias: nãocasada-separada-desquitada-divorciada-viúva-mãe solteira e/ou- todas são em resumo, discriminadas. E muito. E duvido muito que algo venha a mudar por aqui, duvido mesmo.

    Nunca vou me esquecer de uma amiga querida que foi impedida de alugar um apto em um prédio de classe média alta ( e ela tinha fiador, trabalho e tudo mais) simplesmente porquê não tinha MARIDO e, segundo o porteiro, “o prédio não alugava apto para mulheres com filho e sem marido” ! Pode isso ?

    Ainda tem muito que se fazer por aqui, muito mesmo.

    beijo grande e bom fim de semana,

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  2. [...] Sem marido ou sem amor? – Sturm und Drang! [...]

  3. Grace Olsson says:

    denise, a mulher nao precisa de um homem para se auto-afirmar. Ela é o que é…e nada mais.
    E depende da forma como as pessoas fazem a cobranca.Ou seja, alguém ligado a vc, pode fazer de forma carinhosa, uym gracejo…Eu cansava de ouvir, amigos meus, ai no BRasil, quando eu estava sozinha. e fiquei muitos anos.
    Aqui, tbm…a minha cunhada se divorciou. Mas, volta e meia, eu falo: E AI, IRÈNE, quando VAMOS CONHCER SEU LOVER?
    Ela rir e nada mais acontece. Muias vezes, depende de como as pessoas falamäbjs e dias felzies

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    Denise Rangel Reply:

    Grace,
    Concordo, mas conheço as pessoas que me fazem tais “gracejos”… Até visita às 7 horas da manha já recebi, imagina! Era pra saber se eu estava dormindo com alguém, tem outra explicação? Depois eu ficava sabendo os comentários. Uma lástima!
    beijo, menina

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