Ecologizar a economia ou mudar o comportamento?
November 19, 2009 Faça a sua parte, Rede Ecoblogs

Pres da Mapfre Antonio Córdoba coordenando os trabalhos
Hoje, pela manhã, durante os Debate sobre crise global e crise ambiental, no EIMA, encontro ibero-americano de desenvolvimento sustentável, em Foz do Iguaçu, Luiz Jiménez Herrero, da OSE, trouxe -nos à discussão, o fato de que a resposta para a crise sistêmica ou civilizatória é a sustentabilidade e a “refundação” do capitalismo.
Tal visão foi compartilhada igualmente por Fernando Martins Salcedo, da ABENGOA, que frisou a questão da reflexão sobre como vivem as pessoas nas grandes cidades e a necessidade de uma mudança no processo predatório que estamos desencadeando.
Gonzalo Echagüe Méndez de Vigo, da Fundação CONAMA, acrescenta que as divergências devem ser afastadas a favor da busca dos caminhos para a qualidade ambiental, nosso principal objetivo. Se a sustentabilidade trouxer melhor qualidade de vida, conseguiremos que a cidadania seja nossa aliada. As alianças dos setores da sociedade é necessária, pois o tempo ambiental é curto.
Para Guillermo Castro, da Fundação Ciudade del Saber, o perigo maior desta crise advém do esgotamento das estruturas naturais, daí a importância de se perceber a multiplicidade de situações decorrentes de tal fenômeno. Os governos necessitam de um consenso no sentido de criar relações harmônicas entre os grupos sociais com o objetivo de se alcançar melhor qualidade de vida.
Nelton Miguel Friedrich, da Fundação Itaipu, reflete sobre o consumismo desenfreado provocado pelo processo civilizatório que crê que a produção é infinita, e adverte que tal racionalidade econômica é auto-destrutiva. Na cultura do egoísmo não há lugar para a solidariedade. A educação é fundamental, pois a mudança das pessoas é que pode mudar a situação atual. A conscientização de que somos a natureza e de que precisamos buscar a unidade entre homem e meio ambiente. Um novo jeito de produção significa um novo jeito de produzir e consumir, uma recomposição valores.
Fernando Martinez Salcedo, da Abengoa, ressalta que a globalidade da crise apresenta o esgotamento dos recursos dos governospara gerar oportunidades na humanidade. Há três recursos fundamentais que precisamos gerir: a água, a energia e a reutilização dos recursos. É preciso ter consciência dos riscos globais que temos de enfrentar e definir quais atividades precisamos desenvolver para gerir tais recursos.
Antonio Félix Domingues, da ANA, também cita o combate à “esquizofrenia consumista” como fator decisivo para se vencer a crise.
Enrique Leff, da UNAM, adverte para o fato de que estamos em uma mudança civilizatória que não é a crise conjuntural ou dos ciclos recessivos da economia, mas uma crise do pensamento ocidental. A reflexão existencial sobre o que somos neste mundo se faz necessária e obrigatória, a fim de se encontrar um caminho para a sustentabilidade.
Desconstruir a economia, descobrindo como ela se construiu e encontrar os caminhos para descontruir os conceitos de consumismo é a solução para vencer a crise. Ecologizar a economia não é a saída, mas uma mudança de racionalidade que usa não apenas a razão, mas amalgamá-la com os potenciais ecológicos da natureza e da criatividade cultural. Ser e saber são instrumentos para um desenvolvimento sustentável.
Mais tarde, continuaremos com mais notícias sobre o 7º EIMA. Acompanhem.
Foto : Nilton Rolin
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