Cooperação e desenvolvimento para a solução da crise ambiental
November 20, 2009 Faça a sua parte, Rede Ecoblogs
Denise Rangel, Tatiana Cerezer e Sucena Resk
Chegamos ao último dia de trabalhos no 7º EIMA, encontro ibero-americano de desenvolvimento sustentável, em Foz do Iguaçu. Hoje, acontecem mais debates sobre cooperação entre os países representantes visando ao desenvolvimento sustentável.
Com a mediação da jornalista Sucena Resk, representante do Núcleo Ciência & Vida da Editora Escala, uma linda pessoa que tive a alegria de conhecer e com quem convivi nos últimos dias, representantes de várias áreas discutem sobre sustentabilidade.
Cooperação e desenvolvimento para a solução da crise ambiental
Chegamos ao último dia de trabalhos no 7º EIMA, encontro ibero-americano de desenvolvimento sustentável, em Foz do Iguaçu. Hoje, acontece mais um debate sobre cooperação entre os países representantes visando ao desenvolvimento sustentável.
Os 22 países que compõem a comunidade ibero-americana compartilham a luta pela inclusão social e desenvolvem programas e projetos que abordam a problemática das comunidades afro-descendentes e indígenas e promovem a cultura da paz e as diversidades culturais, e se preocupam com a transferência de tecnologia, que oferece treinamento técnico e gerenciamento de água, entre outros objetivos.
Ana Leiva, diretora da Fundação Biodiversidade, apresenta metas e os objetivos da Fundação em busca de soluções da crise, pautados no desenvolvimento sustentável, em 60 países: melhorar a saúde dos grupos mais fracos, como mulheres e crianças; favorecer processos produtivos em diferentes setores e apoiar o comércio justo, entre outros.
Programa desenvolvidos pela Fundação Biodiversidade nas áreas fronteiriças, abrange o trabalho com comunidades indígenas e mulheres ensinando-os a cultivar soja de maneira natural e combatendo os transgênicos. E a criação de uma reserva ambiental ou eco-zona com o objetivo de aprimorar a conservação das regiões fronteiriças.
Lucia Helena Cunha, antropóloga e doutora da Universidade Federal do Paraná, traz à mesa de discussão os povos da floresta, e a construção da proposta da conservação das reservas extrativistas. O desenvolvimento e conservação da natureza é um desafio histórico a ser construído por governantes e sociedade.
Segundo Lucia Helena, tradicionalismo e modernismo devem ser vistos na História em permanente movimento, em um convívio lado a lado, regidos pela ética da sustentabilidade, permitindo que todas as comunidades tradicionais – seringueiros, ribeirinhos, povos da floresta, comunidades indígenas – um novo lugar na História, como protagonistas dela, ainda que a cultura do extermínio impere na modernidade.
Carola Reintjes, cientista política, da Organização Mundial de Comércio Justo, pergunta à mesa qual o objetivo da cooperação e do desenvolvimento e recomenda que sejamos éticos como seres políticos e sociais, para responder a esta questão. Temos de ter uma cultura socialmente comprometida, com um olhar crítico sobre sustentabilidade ambiental, cultural e social.
Valorizar comunidades que trabalham com produtos extrativistas, artesanatos, cooperativas de camponeses é uma reflexão que se faz necessária. Estratégia local tem de ser decidida pelo protagonista do terreno, e para isto são necessários programas que permitam a comercialização de seus produtos de maneira sustentável. Os produtos lançados no mercado devem ser comercializados de forma justa, e precisamos de alianças que incluam naõ apenas os iguais, mas os produtores locais também, conclui Carola.
A economia verde precisa ser realmente sustentável
Rodrigo Tarté, da Fundação Cidade do Saber, afirma que os países têm de tratar a questão do desenvolvimento sustentável, com equidade social, promovendo a gestão integrada e a fusão do conhecimento. A economia verde precisa ser realmente sustentável, como um novo pacto global. Os indicadores econômicos devem ser analisados para saber se estamos realmente promovendo uma economia verde.
José Maria Alonso, diretor da Koan, consultores de Turismo Responsável, mostra os pontos críticos relacionados às organizações que trabalham com o setor de Turismo, como o abandono de projetos por falta de financiamento. A criação de parcerias e simplificar os mecanismos de acesso ao mercado àqueles que estão longe dele, como os povos indígenas e artesãos, é a forma de evitar um esquema protecionista e permitir que os pequenos empreendedores sejam valorizados e possam participar do processo de desenvolvimento.
De acordo com a representante do Ministério das Relações Exteriores, o Brasil desenvolve o projeto de cooperação entre países da Europa, África e outros, promovendo a transferência de conhecimentos técnicos e soluções bem sucedidas. Projetos na área ambiental são realizados por instituições brasileiras em países com condições similares às do Brasil, como a recuperaçao de áreas degredadas no Havaí e o projeto de gestão de recursos hídricos desenvolvidos pela Agência Nacional das Águas.
Mais tarde, traremos notícias relacionadas ao 7º EIMA. Acompanhem.
Foto: Nilton Rolin
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