Professor, necessário ou descartável?

Repliee_Q2

Será que nós estamos desenvolvendo a “síndrome de Bournout“, que, de acordo com uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) atinge cerca de 25% dos professores? “Não é stress, depressão ou angústia: é pior, pois o professor se transforma num robô, o que é muito grave, porque a educação pressupõe dedicação.

Essa síndrome faz com que o trabalhador perca o sentido de sua relação com o trabalho, de forma que nada mais importa, e qualquer esforço parece inútil, causando uma enorme desmotivação, quando o profissional se depara com a violência que vem atingindo as escolas, tanto públicas quanto particulares. Essa violência, além de atingir os professores, prejudica o desempenho dos alunos.”

Olhando para os alunos, percebo que as dúvidas deles sobre os objetivos das aulas são, exatamente, o porquê de terem de aprender tudo isso. Procuro explicar-lhes, mostrando que há vários métodos para se registrar a história da gente, nos diferentes tipos de Arte, e que eles poderão escolher em suas vidas, o método que mais lhes agradar para conhecer a história universal dos povos, e também para viajar pela aventura humana, e desvendar as questões mais transcendentais sobre o sentido da vida.

E a mim compete apresentar-lhes a Arte literária. Nenhum deles me perguntou ainda por que não são obrigados então, a ter aulas de Música, ou de Pintura, ou de Escultura, ou de Arqueologia, ou de Antropologia, ou de Teatro, por exemplo. Para eles, conhecer os movimentos literários, seus autores e obras, não serve para outra coisa, a não ser que “cai no vestibular”.

Então, penso que, se os alunos perguntam para que serve “esta coisa”, ou por que têm de saber tudo “isso”, é porque minhas aulas não estão demonstrando que eles saibam o tempo todo por que estão estudando Literatura, ou então é porque o conteúdo está sem graça, fora do contexto. O que será que o desinteresse dos alunos está querendo me comunicar? O que querem realmente me dizer com conversas paralelas, brincadeiras, sono (sim, alguns dormem na aula) e agressividade?

Parece-me que não estão direcionando estas atitudes especificamente para mim ou para a matéria que têm de aprender, mas para este ambiente monótono, asfixiante em que se transformou a sala de aula. Talvez preferissem estar em outro lugar, certamente em seus quartos, em jogos de computador, ou em outro ambiente que lhes trouxesse mais vontade de participar das atividades e não querer mais parar.

E nestas horas, sinto minha limitação para fazer as aulas criativas e interessantes, e transcender meus limites. E indago-me:”sou professora para quê?”, se cada um traz dentro de si uma inquietude, uma curiosidade natural para descobrir sua história e meios para obter tal conhecimento (se assim o desejar, é claro)?

Então, concluo que, para os alunos que realmente desejam ampliar sua cultura e saciar sua sede de conhecimento, não é suficiente ficar assistindo a aulas, somente sentados naquelas carteiras. Preciso rever meus métodos. Talvez, nós, professores, já tenhamos sidos descartados e engolidos pela máquina globalizante, diante de uma geração que  tem outros objetivos tão imediatos. Uma professora-robô. Será?

Leia mais sobre síndrome de burnout, aqui e aqui.
Imagem: Robô Repliee Q2

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6 Comentários em “Professor, necessário ou descartável?”

  1. Denise, nestes tempos rápidos, velozes mesmo a literatura fica parecendo coisa chata. Talvez voces, professores tenham que se desdobrar mais ainda e procurar o como despertar interesse.
    Tudo é deprimente para quem ama a literatura e o conhecimento, pois tudo parece descartável, inclusive o saber. Todos têm pressa, ânsia de saber aquilo que vão usar imediatamente, já não há tempo para ampliar, para pesquisar.
    Em São Paulo, só este ano fecharam-se quatro bibliotecas públicas. Motivo? Falta de leitores, de usuários. Não é lamentável isso? Onde os estudantes irão buscar o conhecimento? Será que o deus-google será capaz de suprir toda a necessidade, ou a wikipédia trará todas as respostas?
    Muitas perguntas, professora.
    Parabéns pela tua luta.
    Beijo, menina

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  2. Pois é Denise minha querida, cheguei a ver você em sala de aula agora.
    realmente é deprimente quando falamos, nos esforçamos e vemos como resposta apenas desinteresse.
    As vezes dá um cansaço, que temos vontade de sentar e para tudo.
    Mas a luta continua.
    Beijos meu bem.
    Um lindo domingo prá vocês.

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  3. É Denise…Nesses últimos dias eu estava pensando que a tecnologia que os alunos têm acesso,parece que está afastando mais o aluno das palavras do professor em sala de aula.Eu trabalho em uma escola pública, em um bairro de gente simples, eu observo que os celulares deles são super modernos, e tocam irritantemente, eles têm MP3, mp4, mp5, sei lá… e ficam com aqueles fones no ouvido durante a aula e eu tenho que pedir para tirar…e isso quando do nada vem uma música na sala que sempre é de funk…
    Eu pergunto em uma turma da terceira série do ensino médio, quantos vão fazer o vestibular, uns dois levantam a mão numa turma de 40.E Um deles muito esperto me diz que eles só querem o diploma…beijo, Vivi

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  4. Denise,
    sou pedagoga, mas não atuo na área. Tenho um filho pequeno, que entrou na primeira série em um colégio particular, sabe o que notei? As crianças não respeitam mais os professores, parece que eles são funcionários delas! Na minha época de colégio, o professor tinha autoridade sabe, não jogávamos na cara dele que estávamos pagando colégio… Mas eu já escutei isso uma vez! Ainda volto para dar aula, sou nova e quero fazer meu pós graduação com calma, mas hoje em dia é muito difícil ser professor!!
    beijos meus

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  5. [...] @deniserangel em Professor, necessário ou descartável? [...]

  6. [...] os movimentos literários, seus autores e obras, não serve para outra coisa, a não ser que “cai no vestibular”. E faltam aos compromissos  acadêmicos deliberadamente, senhores que são de sua própria vida [...]

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