desenho da Princesinha
Os desenhos das crianças podem ser reveladores, dizem os terapeutas, e por isto devemos ficar atentos a eles. Psicólogos utilizam a interpretação do desenho infantil nos tratamentos de algum distúrbio da infância. Quando a criança está bem ou mal, seus desenhos refletem esta felicidade ou infelicidade.
Será que é sempre assim? Talvez ela possa estar cansada, ou entediada, e o adulto, mãe ou professora, insistam para que desenhe. Claro que não sairá um desenho natural, espontâneo, e tentar decifrá-lo é, no mínimo, forçar uma interpretação equivocada.
Salvo situações em que a criança esteja sendo vítima de algum tipo de agressão, em casa ou na escola; ou esteja sentindo falta de alguém que não está mais presente, seja por separação ou por morte, dos pais ou de alguém muito querido, os desenhos podem, sim, mostrar um mundo maravilhoso, puro, autêntico, que é o mundo da criança.
Nos desenhos, a dor e o amor
Lembro-me de que meu filho, quando perdeu o pai, não era de muito falar sobre o fato. Na verdade, eu só o vi falar sobre a perda uma única vez. Naquele ano, quando a professora, na escola, pediu que os alunos ilustrassem a capa da pasta com os trabalhinhos do mês, ele desenhou um caixão com uma estrela e uma cruz sobre ele, com a data de nascimento e morte do pai. Detalhe, era o mês de agosto, no qual se comemora o Dia dos Pais, e o tema da capa era, obviamente, o “papai”. Era seu primeiro, sem o pai. Guardo este desenho até hoje. Não sei como interpretar a dor de meu filho diante daquela realidade tão incompreensível: a morte do pai.
Uma situação oposta é a foto que ilustra este post, feita por minha Princesinha Clarisse. Eu a encontrei colada na porta de minha geladeira, no apartamento novo, para o qual me mudei há pouco menos de um mês. Eu estava morando com ela desde março, e agora, resolvi retomar minha vida de onde parei. Com meu Anjo e minha Princesa no coração.
Clarisse tem quatro anos e, pelo que pude observar, retrata sua família: os pais, ela e a avó. Achei interessante ela me incluir na “família”, que, na verdade, seria formada apenas pelos três. E estão todos abraçados. Ela aparece entre a mãe e a avó, que não está “fora” da família, mas como parte dela.
Normalmente, os avós formam outro núcleo familiar, mas Clarisse ainda não percebeu esta organização. Talvez seja por minha presença constante e diária em sua casa, todos estes meses. Acredito que ela esteja preocupada com a mudança. E, com o desenho colado na geladeira, deixou bem claro que a família não está separada.
Dor e amor, perdas e ganhos. No desenho, o mundo da criança fala mais alto que qualquer palavra poderia expressar. Muito significativo para mim.










