Phasers em tonteio!
Em uma conversa sobre a abordagem do policial que apontou uma arma, na passeata dos professores, há alguns dias, um colega de trabalho afirmou que a ordem nos quartéis é para atirar, seja lá em quem for! Sua afirmativa foi corroborada pelo fato de já ter servido como sargento do exército, o que me deixou estupefata:
- Vocês recebem ordens para dar tiros nos cidadãos?! – perguntei, espantada. Eu já sabia que tal ordem é comum nos quartéis da PM, mas a revelação de que o mesmo acontece no exército me deixou desapontada e indignada.
Saí da sala em estado de choque. Meu filho foi assassinado por policiais, há pouco tempo. A dor de mãe-órfã veio à tona violentamente. A ideia que eu tinha de que a iniciativa de atirar partia de alguns comandos já conhecidos e denunciados como transgressores da lei, veio abaixo. Quer dizer que não existem batalhões-assassinos? A ordem de atirar é generalizada? Até o exército??? Meu Deus! Que tolinha! Acreditar que as forças armadas ainda representam a ordem e a segurança…
Por que não usar armas não letais? Há meios de se conter um possível suspeito, ou quando houver dificuldades para se conter uma pessoa transtornada. Armas como estas não existem apenas na ficção científica. E mesmo lá, os phasers, armas adotadas pela Frota da nave estelar Interprise, da série Jornada nas estrelas (Star Trek), cujo disparo é semelhante a um feixe de luz direcionado contra o alvo, que podem matar, vaporizando uma pessoa, são utilizados no modo tonteio, que deixa a pessoa inconsciente por um breve período de tempo.
Com uma arma de fogo, o policial precisa decidir em poucos segundos se deve usá-la ou não. Já sabemos que muitos atiram primeiro e não perguntam depois. Já com a pistola não-letal, que existe e já é usada no Brasil, ele teria mais condições de analisar a situação, e, se for o caso, imobilizar a pessoa transtornada para possíveis averiguações.
Mesmo assim, ainda não temos a segurança de que a arma não letal seja a solução, pois , mesmo ela, assim como na ficção, pode matar. Seja qual for a arma utilizada, em mãos de policiais mal treinados, mal pagos, mal orientados e cheios de amor no coração (sarcasmo proposital) fica difícil saber para que lado correr.
É aquela velha história: a autoridade deveria repousar sobre a razão. No entanto, quem raciocina com uma arma letal nas mãos, e uma ordem para atirar na cabeça? Salve-se quem puder! Corra que a polícia, o exército e o diabo vêm aí!
imagem: Star Trek
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Denise,
às vezes eu me pergunto se o mundo seria mais pacato, se nao houvessem homens.
O pior é que esses policiais e militares só mudam quando acontecem com eles o que aconteceu com você. O questionamento é inexistente, o discernimento também.
Até hoje minha irma está brigando para punir o PF que prendeu o filho dela, sem motivo algum, apontando uma arma para cabeca dele e do amigo de 15 anos e só nao aconteceu mais nada, pois o pai do amigo chegou, viu a cena, disse quem era e acompanhou os meninos até a delegacia, falando ao celular com minha irma (advogada) e com um jornalista. Do contrário os meninos estariam na pauta “queima de arquivo”.
Um horror tudo isso.
Eu sinto com você.
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Oi, Denise. Assim como vc sou fã de Star Trek e, assim, como vc, não confio em “autoridades”. Podem dizer o que isso é necessário para manter a ordem (???) e o progresso (a qualquer custo), mas o negócio é mesmo: quem tem poder quer manter. E nada melhor do que ter um monte de gente que não pensa a seu comando.E se o pleito for justo, mais um motivo para atirar.
Estou assistindo a Heroes e vejo a mesma situação, que se repete em X men: o homem teme o que não entende e o que é desconhecido. E as autoridades, como bichos acuados, só conhecem a linguagem do ataque.
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