De novo em meus braços

September 27, 2009 Arte e Literatura

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Assisti, novamente, ao filme Face/Off, de John Woo, 1997. Sobre o filme em si não irei comentar, pois trata-se de um filme de muita ação e violência, com uma dose cavalar de fantasia e inverossimilhança. E não é sobre isto que quero falar.

O que me comoveu neste filme (e em todos os que mostram o que vou dizer) é a história da perda de um filho assassinado e a dor que tal lembrança traz. É uma catarse violenta que me traz lágrimas reprimidas há tanto tempo.

Não chorei quando meu filho partiu, e não choro como eu creio que deveria. É um pranto aprisonado, contido. Quando não suporto mais tanta pressão, vou à Igreja. É o único lugar que tem o poder de abrir as portas de meu coração. Lá, as lágrimas me vêm aos borbotões.

E, outra situação que me arranca as lágrimas é a arte. Quando leio um livro, assisto a um filme, leio um poema, ouço uma música, enfim, qualquer manifestação artística que retrate o que passei, me transporto imediatamente àquele momento terrível e eterno em que meu filho foi para o céu.

E o que tem o filme de hoje a ver com a história? O fato de os pais que perderam o filho adotarem a criança que perdera igualmente os pais (veja a cena final). Esta restituição da identidade de pais  e da reorganização familiar foi brutal para mim.

Naquele momento, quando olhava a cena do acolhimento da criança órfã, fiquei imaginando que meu filho, segundo boatos, possa ter um irmão (corna assumida). E que ele, se esta história for mesmo verdade, seja parecido com meu anjo. E tive ímpetos de procurá-lo.

Foi só um ímpeto. Talvez esta criança nem exista, pois a mãe dele me procuraria, ou não… A imagem de meu filho, aos doze anos, me veio à mente, e fiquei pensando se este menino não seria parecido com ele.

Parece até enredo de um filme. Ver em outra criança a esperança de ter novamente meu filho em meus braços. A ficção nem sempre retrata a realidade. No entanto,  projeta nossas ansiedades, desejos, medos e esperanças com muita propriedade. E como dói…

Imagem: daqui

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Comente aqui: (2)

 

  1. A vida as vezes é tão cruel né?
    Nos permite sentir tanta dor, e não nos dá a opção de nos livrarmos dela.
    Sinto com você sua dor.
    Um beijo

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  2. Grace Olsson says:

    Denise, eu sendo vc porcuraria. Vcpode ter surprsas boas com essa atitude.
    OLha, eu venho fazendo tratamento apra aprender a lidar com cenas trágicas, e me ver livre da culpa. Sim!Eu me sinto culpada….sei lá como explicar…nao é facil ficar carqa a cara com criancas sofridas e nao sentir dor, sabe?

    Denise, bjs e dias felizes.

    nao conehco o filme, mas parece bem estilo catarse de ser.

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